29/07/05

e, finalmente, para acabar o relato da visita do casal real espanhol às ilhas:

tenho a constatar que não aconteceu nehuma gaffe extraordinária, não consta que se tenham engasgado com o cheiro a enxofre das caldeiras das furnas, nem que se tenham atrapalhado com as más calçadas das ruas... mas já me estou a adiantar, vou rebobinar um bocadinho.
chegaram na quarta-feira à ilha terceira e, num esforço que atribuo a décadas de contenção, educação e protocolo rigoroso, nem fizeram um esgar de troça quando viram o "gado bravo" da terceira, quando foram obrigados a assistir a uma tourada à corda (um bezerrito amarrado com uma corda com bastante folga, que é largado no meio da cidade, com uns populares entusiasmados a porem-se à frente). não me parece uma grande ideia, tendo espanha as tradições tauromáquicas que se lhe conhecem, apresentar-lhes os bezerritos da terceira, mas enfim... não vou avançar neste tópico, a embirração com a ilha terceira, e vice-versa, é comum a muitos micaelenses, não há necessidade de bater mais no ceguinho. pelo contrário, até vou dizer que a comitiva deve ter apreciado o passeio de 5 minutos em angra do heroísmo (e, em 5 minutos, devem ter dado 2 voltas à cidade...), cidade património da humanidade.
já na quinta, foram vistos a ir até ao peter's na marina da horta (faial) e a rumarem, rapidamente, para o pico, onde apreciaram as vinhas (também património da humanidade e paisagem verdadeiramente bonita) e almoçaram.
ainda vieram para s. miguel (guardou-se o melhor para o fim, obviamente), passearam em carro de cavalos (deve ter um nome técnico qualquer, não sei...) pela cidade - altura em que me cruzei com a comitiva, quando ia nos preparos que descrevi ontem - e, depois de descansarem, calculo eu, tiveram um jantar chique com os governantes e forças vivas da sociedade.
hoje, sexta-feira, ainda foram passear de helicóptero sobre s. miguel (isto deve ser bem agradável) e comer um cozido das furnas (espero que as reais papilas gustativas tenham apreciado, convenientemente, a melhor comida que existe neste mundo).
nestes dias todos, a comitiva teve sempre uma sorte incrível: não choveu NUNCA! tiveram de andar sempre de chapelinhos para se protegerem do sol. lamentavelmente, não tive oportunidade de ver a previsão do tempo dos canais de televisão do continente, só para confirmar se previram chuva, como sempre.

posto isto, correu tudo bem para todos (passearam por quatro ilhas, sem nenhum precalço) e para mim também, que consegui usar a expressão "forças vivas" 2 vezes (ontem e hoje), é uma expressão muito bonita e cheia de significado.
estou a começar a treinar-me com estas expressões pomposas e com pouco conteúdo, na eventualidade de, um destes dias (quando todo o resto falhar) me dedicar à política e conseguir um assento em s. bento. as reformas podem já não ser o que eram, mas sempre é dinheiro que se ganha com pouco esforço, é só dar beijinhos e autocolantes na companha, e descansar durante o resto da legislatura.
até têm um sistema de blogs da assembleia, eu também sou capaz de dar uma de intelectual e citar hannah arendt e maurice merleau-ponti, se for MESMO preciso, não fazia feio.
mais uma alternativa a considerar.

3 comentários:

Anónimo disse...

Gostei mto deste teu texto. Claro que a embirração com os habitantes da Terceira mantem-se, mas isso deve ser só para acentuar a vossa rivalidade.
Muito gostava eu de te ver em S. Bento, quanto mais não seja porque ficava com uma excelente cunha para qualquer empresa pública a necessitar de um gestor criterioso e bonus pater familia (ou lá como se escreve).
Enfim...por vezes só nos resta sonhar...

Anónimo disse...

É pena que a Rita se ponha a comentar e usar palavras menos dignas para as gentes da Ilha Terceira. Alguem obriga o Rei de Espanha a fazer aquilo que não quer? Gozar da tourada á corda é gozar de um povo, gozar de uma tradição centenária .... Quanto a dar 2 voltas a cidade de Angra em 5 minutos, só lhe fica mal esse seu ar de superioridade. Angra ao contrario de outras cidades Açorianas é um poço de cultura de historia, tem muito para ver e apreciar.
Aprenda a eleogiar o que os Açores tem de bom mesmo que seja da Ilha Terceira.

rita disse...

Ora bem, meses depois, uma reacção inflamada sobre estes meus escritos… cá vai a resposta:

O meu blogue, por acaso, não é uma página de promoção dos Açores como destino turístico, nem de simples informação jornalística. Até podia ser, mas não me deu para aí. É um sítio onde escrevo o que me apetece.
Ora, quanto ao que escrevi, com o devido respeito que tenho pela Terceira e pelos seus habitantes, ninguém me obriga a gostar de touradas (nem das várias actividades lúdicas que se desenvolvem com qualquer tipo de gado bravo), nem das espanholas, nem das portuguesas, nem sequer das que acontecem na Terceira, ainda que por uma “solidariedade arquipelágica”. A realidade é que não gosto do “espectáculo” e não me vou abster de fazer comentários, mais ou menos simpáticos, para não ofender os amantes das touradas, uma tradição que considero cruel.
Aliás, quanto às tradições Terceirenses, acho os Bailinhos, quando bem escritos, um melhor reflexo da cultura de um povo.
Quanto a dar 2 voltas a Angra do Heroísmo em 5 minutos, se não reconhece um exagero quando o vê, não posso fazer nada. Fiz a ressalva que Angra é cidade património da humanidade, e é facto que não é uma cidade de grande dimensão, se escolhe achar que todos os comentários feitos em tom mais ou menos jocoso são ataques pessoais, mais uma vez, não posso fazer nada.
Aliás, no mesmo texto, também escrevi que não se engasgaram com o cheiro a enxofre das Furnas, nem se atrapalharam com as más calçadas (por acaso, a pensar especificamente nas calçadas de Ponta Delgada, as que conheço melhor, embora não resulte claro do texto), quanto à passagem pelo Faial, só disse que tinham ido ao Peter’s (calculo que tenham feito mais alguma coisa), e ainda elogiei as vinhas do Pico (também património da humanidade), já agora, sempre me parece que, um apologista dos Açores tinha mais por onde pegar.