depois de largos minutos à espera para ser atendida num guiché de uma repartição, passeou-se a ver umas vitrines de boutiques que tinham toilettes muito chiques e acabou por voltar de comboio para o seu chalé nos arrabaldes, lamentando não ter chauffer.
na repartição tinha ido entregar uma petição para ser autorizada a introdução de mais galicismos na língua portuguesa. tinha a firme convicção que a sua vida parecia muito melhor com sons ligeiramente afrancesados.
o mundo é redondo e nunca acaba. 80 dias não são suficientes para o contornar, em menos de um fósforo já nos deu ele a volta.
Mostrar mensagens com a etiqueta mini. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta mini. Mostrar todas as mensagens
19/07/10
23/04/10
- então e o que faz na vida?
- reparo.
- repara o quê?
- reparo nas pessoas. e nas coisas. às vezes também reparo nos animais, mas é mais ao fim-de-semana, quando vou para o campo. se bem que os pombos da matriz também sejam interessantes, mas tornam-se cansativos.
- ah... portanto, não percebe de reparações de torradeiras?
- reparo.
- repara o quê?
- reparo nas pessoas. e nas coisas. às vezes também reparo nos animais, mas é mais ao fim-de-semana, quando vou para o campo. se bem que os pombos da matriz também sejam interessantes, mas tornam-se cansativos.
- ah... portanto, não percebe de reparações de torradeiras?
20/07/08
conheci um mimo cujo espectáculo era um autêntico mimo.
garantiu-me que a chave para o sucesso na preparação dos seus números era a observação da sua criação de bichos de seda. “tudo faz sentido a partir do momento que se aprende a acompanhar o desenvolvimento de uma minhoca até ser borboleta”, disse-me uma vez, “claro que há que ter consciência que o que importa mesmo é o casulo com a seda. mas não se consegue a seda sem o bicho”.
garantiu-me que a chave para o sucesso na preparação dos seus números era a observação da sua criação de bichos de seda. “tudo faz sentido a partir do momento que se aprende a acompanhar o desenvolvimento de uma minhoca até ser borboleta”, disse-me uma vez, “claro que há que ter consciência que o que importa mesmo é o casulo com a seda. mas não se consegue a seda sem o bicho”.
10/06/08
o telefone tocou. atendi e dei por mim a ouvir as suas queixas sobre as cataratas e o reumatismo. a concordar que tinha sido boa ideia chamar a polícia, porque a festa de vizinha do lado se prolongava barulhentamente para lá das 10 da noite. mais que isso, dei por mim a pedir desculpa por não me ter lembrado de perguntar pela sua filha e netos (não fazia mal que me tivesse esquecido do genro que, aparentemente, não presta para nada) e a desejar que estivessem todos na melhor das saúdes.
desliguei o telefone sem ter conseguido que a senhora parasse 10 segundos para me escutar e perceber que tinha ligado o número errado.
desliguei o telefone sem ter conseguido que a senhora parasse 10 segundos para me escutar e perceber que tinha ligado o número errado.
05/05/08
fred respirou fundo, enfastiado com a humidade e os insectos que zuniam à sua volta. não conseguia compreender como havia quem apreciasse as zonas tropicais e todos os seus inconvenientes, nem sequer para passar férias. aliás, se não fosse o seu brio profissional e vontade de cumprir todos os contratos com que se comprometia, nunca daria por si à beira desta piscina, cheio de repelente de insectos e protector solar. por sorte, quando chegou o seu alvo, não estava ninguém a prestar atenção. pôde usar a arma com silenciador que tinha escondida no washington post com a máxima discrição e sair rapidamente, sem deixar mais pistas.
gabava-se de não ter motivos pessoais na base dos seus assassinatos, mas este homem que o tinha obrigado a passar dois dias inteiros à beira de uma piscina, estava mesmo a pedir a bala com que foi brindado.
gabava-se de não ter motivos pessoais na base dos seus assassinatos, mas este homem que o tinha obrigado a passar dois dias inteiros à beira de uma piscina, estava mesmo a pedir a bala com que foi brindado.
09/04/08
24/02/08
Subscrever:
Mensagens (Atom)