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23/01/20

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colega - gosto do seu cabelo assim mais curto, fica-lhe bem!
rita - obrigada!
colega - mas precisa de lá voltar a corrigir a parte da frente e escadeá-lo mais!
rita - não, ele está exatamente como eu pretendia.
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colega - então... não vai corrigir?

12/04/17

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esta rapariga tem um achaque e vai ao dentista, este faz-lhe o tratamento e prescreve o uso de antibiótico, enfatizando que não deve haver distrações e interrupções na toma.
como existe uma farmácia estrategicamente localizada em frente ao consultório não tive hipótese de me esquecer de aviar a receita e, antes que me distraísse, como qualquer rapariga que não gosta de achaques dolorosos, programei o alarme do telemóvel para tocar a cada 8 horas.
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neste belo dia tão primaveril, a meio do tratamento, descobri que, com todas as minhas cautelas, deixei o bendito comprimido em casa.

05/03/17

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estava eu no primeiro dia do meu cursinho de sábado, trailailai, a amargar o horário matutino, trailailai, a tentar concentrar-me em matérias diferentes do costume, cheiinhas de palavras bonitas em inglês (apesar de haver palavras equivalentes em português, o seu uso nunca é tão chique), trailailai, eis senão quando, vindo do nada, sinto-me no meio de uma celeuma: o herói das meninas que estava na última fila começa a criticar a minha entidade patronal, sem grande fundamento ainda por cima.
vejamos, eu tenho uma lista de queixas mais ou menos justificadas a propósito da dita entidade, no entanto, cumpre uma função importante na sociedade e é um pedaço difícil extingui-la, muito menos com argumentos ao nível do pior café da mais antipática aldeia deste país. além do mais, cria-se uma relação quase familiar com quem nos paga o ordenado, do género «ninguém fala mal dos meus irmãos à minha frente. só eu. e em ocasiões perfeitamente justificadas».
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levantei a voz, defendi a minha entidade e fiz amigos para o resto da vida. ou até ao final curso. trailailai.

22/02/17

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os fantasmas do passado aparecem quando menos se espera e não apenas nas pastelarias desta vida.
invadem-nos o telefone com frases feitas ocas de significado (alguma vez as frases feitas têm autêntico significado?); professam as suas saudades (meses e meses depois de alguma sms perdida, e sem que nenhuma das parte tenha trocado de número de contacto); reconhecem, derrotados pela vida, o seu grande arrependimento por ações passadas (outra coisa que aparece repentinamente, meses depois do último contacto); e ainda confessam insónias dolorosas a pensar no idealizado objeto do seu amor (defendo que qualquer pessoa que cause insónias não é boa companhia e que qualquer rapariga que se sinta demasiado idealizada deve fugir com todas as suas forças).
uma rapariga bem resolvida dá por si a pensar: quem não age como homem crescido, não merece outra categoria que a de fantasma do passado.

17/02/17

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ia na converseta com uma amiga, passeio fora, eis senão quando olho para dentro de uma pastelaria e vejo uma cara que reconheço. tive a nítida sensação que a cara me viu e que também me reconheceu, afinal foi um conhecimento de algum tempo, interrompido apenas há um ano, graças a um acumular de pequenas coisas extraordinariamente imbecis que corroem as relações com fundações frágeis e desnecessárias teias de enganos. aliás, que corroem qualquer tipo de relação, independentemente da sua natureza. além de eu ter feito uma careta enquanto tentava reconhecer a cara, não esbocei qualquer cumprimento. a cara também não me acenou sequer. desatei a rir e a amiga perguntou-me se me tinha caído alguma gota de água de um ar condicionado na cabeça.
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saltei um batimento cardíaco com o susto do encontro inesperado, mas a gargalhada foi a confirmação da total ausência de saudades.
e seguimos para comprar uns livros, que estas raparigas não perdem as suas listas de prioridades.

16/02/17

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a ligeira chuva já cansava a minha alma citadina, o frio pouco intenso também, e todos os dias consultava compulsivamente a previsão do tempo...
com a promessa de 18.ºc e um dia de sol, aperaltei-me com um esvoaçante vestido e sapatos primaveris e, à hora do almoço, fui até ao jardim ver os patos.
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depois os patos ficaram a aproveitar o sol e eu voltei para a secretária.
 

08/02/17

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uma carga de nervos que nem sei que diga, nem sei que pense.
«isso não é mortes de gente!» pois não, mas é mais uma pequena coisa que soma às outras pequenas coisas todas.
os fardos, quando não são partilhados, são mais pesados, não são?
não mata mas mói. e tira o sono.
uma rapariga sem sono fica com olheiras e com a cara cheia de borbulhas da ansiedade. depois tem de passar mais tempo em frente ao espelho: limpa, esfolia, põe creme, não mexe nas borbulhas, que diz que é pior, põe maquilhagem, aplica bem o corretor, mesmo assim, as manchas da ira estão visíveis, não põe mais senão vai parecer que tem uma máscara e depois vai estalar quando a rapariga se distrair e der uma gargalhada.
o que vale são as distrações.

05/11/15

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uma miúda acorda a sentir-se ligeiramente parisiense e, para contrariar o ar cinzento do tempo, põe um lenço ao pescoço (para dar cor e agasalhar um pouco).
de repente, ouço:
- rita, gosto desse seu lencinho.
- obrigada.
(julgando que a conversa vai ficar por isto mesmo.)
- sim faz-me lembrar... 
(uma parisiense ou, na pior das hipóteses, um mimo parisiense, penso eu com esperança) 
... faz-me lembrar uma ceifeira alentejana tradicional.


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e é para isto que uma miúda está guardada. 

04/11/15

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discutia-se comprimidos que ajudam a emagrecer. eu não estava a participar, estava sossegadita no meu canto, escondida atrás do ecrã do computador, a trabalhar, eis senão quando, ouço:

- a rita... (pausa longa, para pensar bem, que o assunto é sério) pronto, está bem assim... como é alta...

acho que há aqui uma mensagem (pouco) subliminar, daquelas que dizem: julgas-que-lá-porque-usas-o-mesmo-número-de-calças-há-uns-5-anos-e-não-te-julgas-obesa-não-precisas-de-emagrecer?!-estás-enganada!
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ele há dias em que me apetecia ser mesmo arrogante à séria e responder à letra, mas aquela coisa do dever de urbanidade está entranhado e eu acabo por ouvir e calar tanta coisa...

18/06/15

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quando me dizem «vou cortar o pêlo ao gato e depois ligo-te» e, meses depois, nada de haver telefonema... isso quer dizer que o gato é um lince ibérico e que eu já devia ter telefonado para hospitais e/ou associações de proteção de animais em vias de extinção?

claro que esta também pode ser a versão revista e atualizada do «vai dar banho ao cão», parece-me.

12/05/15

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- tens livros de colorir?
- só um, diz que é para adultos.
- ahn... para adultos? isso é exatamente o quê*?


* clara insinuação malandra e completamente desajustada, como se confirma com a fotografia que se anexa.

16/04/15

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- rita, não tens frio com as mangas curtas*?
- rita, esse comprimento de saia é esquisito, um bocado comprido**...
- rita, parece um bocado tiazoca***.

não pode a pessoa vir trabalhar com o seu vestidinho da moda, que todos mandam bitaites, até que uma voz inesperada (e sábia) me disse:
- rita, está chique!

e é só o que me interessa ouvir.


* tenho um casaquinho de malha, mas na altura estava dentro da mala.
** comprimento midi, é o nome técnico.
*** esta doeu, tiazocas à séria, na minha ideia, compram roupa na loja das meias, ou equivalente. não foi o caso.

15/04/15

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eu a pedir ao assistente operacional que se despachasse a secar o chão da casa de banho* porque estava aflitinha**, quando ele me responde:
- com certeza, a necessidade fisiológica é imprescindível e inadiável!

o senhor é um poeta desaproveitado, é o que é***.




*a janela estava aberta durante um aguaceiro mais forte e entrou água da chuva.
** sim, usei uma expressão assaz coloquial.
*** nota mental: não mais usar expressões coloquiais à frente deste senhor, vou passar antes a usar palavras mais compridas.

11/04/15

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esta rita entra numa loja no chiado, branquela e despenteada como só eu, e a menina pergunta-me simpaticamente:
- may i help you?

ainda estou para decidir se este meu ar de estrangeira é coisa positiva ou não.

05/04/15

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- então rita, aproveitaste a páscoa para quê?
- pois que podia ter passeado à séria, podia ter feito limpezas de primavera, podia ter feito compotas, podia ter escrito o melhor conto contemporâneo português... lutei contra todas estas alternativas e dei por mim a ler isto:

tem parte em português, parte em inglês e uns macaquins para animar os mais distraídos. uma sorte, portanto.

e depois ataquei nas amêndoas de chocolate, vá-se lá saber porquê...

24/03/15

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estava cá a pensar que entre «encantar» e «desencantar» há só 3 letras, tal como entre «iludir» e «desiludir» ou «graça» e «desgraça».
assim sendo, a culpa de muitos males deste mundo têm como origem o prefixo «des», sozinho não quer dizer nada, mas acompanhado consegue fazer muitos estragos.

23/03/15

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se  a minha vida fosse um filme, no meio do ruído que atinge a sala onde trabalho na companhia de duas mãos cheias de gente, quando o mp3 começa a tocar esta música, devia entrar o príncipe da minha vida e desatávamos a dançar enquanto o resto não se apercebia de nada e continuava a tratar dos detalhes da coisa pública que nos atormentam a vida.
depois acabava a música e voltava tudo ao normal, com o príncipe devolvido à sua vidinha e comigo sentada à secretária, (ligeiramente) preocupada com o meu contributo para o bom andamento da referida coisa pública e a suspirar pensativamente.
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hélas... a minha vida é uma novela mexicana e não há cá destes devaneios.