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14/02/17

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manel dizia a maria, deveras enternecido, que nem conseguia imaginar como seria a vida sem a sua companhia, que o sol abria caminho por entre qualquer tempestade para iluminar os seus passos e que as rosas coravam de vergonha perante a sua beleza.
maria, no início, achou graça à coleção de clichés mas, com o tempo, percebeu que manel não conseguia produzir uma única frase original, já que até nos restaurantes repetia o pedido dela. farta, escolheu um dia de chuva para lhe oferecer um dicionário de lugares-comuns (na esperança que a próxima vítima se deparasse com um reportório mais variado) e acabar o namoro.
quando ele lhe perguntou como iria viver sem ela, maria pediu-lhe o telemóvel com um ar cúmplice, apagou o seu número da memória, deu-lhe um beijo e saiu da pastelaria sem nunca olhar para trás.

10/01/17

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manel gostava de cheirar as flores dos jardins. apenas. não suportava flores dentro de casa, nem sequer plantadas em vasos. estugava o passo quando passava em frente a uma florista e reparava nos arranjos já preparados para venda.
a sua vizinha maria, que nem tinha olfato, decidiu que só iria aceder aos seus insistentes convites para uma ida ao cinema com pipocas quando ele lhe levasse uma rosa amarela.

18/03/13

maria era uma cozinheira de mão cheia, ficava satisfeita com o reconhecimento do amor que devotava à confeção das refeições. manel aspirava a ser um grande chef, com direito a reconhecimento internacional e programas na televisão.
enquanto ela se divertia a fazer troça das experiências pretensiosas de manel, ele só se deliciava com a comida de maria às escondidas, para não dar o braço a torcer. ambos eram alérgicos a atum.

15/01/13

manel tinha o grande sonho de roubar um comboio e, para melhor o conseguir fazer, até chegou a frequentar um curso de maquinista. no entanto, o melhor que conseguiu foi roubar o coração a uma revisora. o susto pela façanha foi tal que, quando se viu como dito coração nas mãos, não soube o que fazer para o manter vivo e animado. acabou por o deixar morrer, aos bocadinhos.

os colegas de trabalho de maria nunca perceberam o que se passou com ela: num dia era a revisora mais simpática que a empresa alguma vez tinha tido, no dia seguinte, passou a ser uma sombra. não se tratou de se ter tornado antipática, era antes como se lhe faltasse alguma parte que ela nunca mais encontrou.

05/01/13

manel tinha sempre um plano, independentemente da circunstância, sentia-se mais seguro sabendo que podia esquematizar a sua vida. já maria decidia toda a sua vida de improviso, consoante lhe parecia melhor na altura.
quando se conheceram, ela era engenheira civil e ele músico de jazz. como eram ambos extraordinários admiradores das ironias da vida, foi-lhes impossível não se tornarem amigos.

04/01/13

todas as sextas, a primeira preocupação de maria é desligar o despertador para que não toque, inadvertidamente, no sábado e para que possa descansar mais umas horas durante a manhã.
todos os sábados, a primeira preocupação de manel é fazer as limpezas o mais cedo possível, para ficar com o resto do fim de semana livre de tarefas.

invariavelmente, os dois passam todo o domingo a tentar perceber como vão suportar o fim de semana seguinte.

30/12/12

maria e manel só discutiam por um motivo: música ambiente. maria achava que todos os temas de burt bacharach eram geniais e manel sentia-se sempre melhor quando ouvia neil diamond.
por sorte, ambos detestavam ouvir cantos de baleias e da restante vida animal em geral. posto isto, concordavam em nunca ir a jardins zoológicos, nem a zoomarines. também não frequentavam espetáculos circenses.


24/12/12

maria adorava celebrar o natal e manel odiava. como qualquer casal faz em caso de divergência, procuraram o meio termo: intercalavam um ano em que cumpriam todos os preceitos das festas natalícias com um ano em que faziam uma viagem para um paraíso tropical.
desta maneira, maria ficava sempre a ganhar e todos ficavam felizes.

20/12/12

manel sentia-se deliciado com a ideia de haver sol engarrafado e, quando conheceu maria, achou que era um modo brilhante de a encantar, juntamente com a ideia de unicórnios, fadas e potes de ouro. o mundo era pleno de poesia e havia que a partilhar.
maria, que era uma rapariga pouco dada a devaneios fantasiosos e leitora apenas do correio da manhã, só não saiu a correr do restaurante por ter percebido atempadamente que ele se estava realmente a referir ao vinho. tomou mais um gole, respirou fundo e esperou que a noite passasse.

maria nunca mais aceitou convites de manel e ele tornou-se vegan (e ainda mais maçador, mas a essa parte ela foi poupada).

25/12/10

maria detestava as festas natalícias, o consumismo, o excesso de banalidades repetidas ano após ano, por isso, todos os anos metia férias e ia para a aldeia natal, onde o tempo estava parado, os 3 habitantes de todo o ano tinham mais de 70 anos e o centro comercial mais próximo ficava a mais de uma hora de distância.
manel adorava as festas, era sempre o primeiro do serviço a preparar postais de natal electrónicos, começava a comprar as prendas em setembro, tinha uma colecção de barretes encarnados e gabava-se de saber cantar dezenas de músicas de natal.
diziam que o segredo da felicidade do seu casamento se baseava em terem sempre passado a quadra natalícia afastados, sem imporem os respectivos gostos/desgostos ao outro.

27/07/08

manel percebeu que fazia um casal perfeito com maria no dia em que reparou que ela, de todas as vezes que ia ao supermercado, comprava leite. era uma pequena compulsão que se ajustava muito bem com a dele, que em todas as idas às compras trazia cereais.
sentiu-se enternecido ao perceber que teria uma casa onde nunca faltaria o pequeno-almoço.

29/06/08

manel, no mesmo dia teve uma inspecção das finanças às suas declarações, bateu com o carro contra uma árvore e foi despedido. só ao jantar, quando encontrou uma mosca no meio da sua salada, é que perdeu a cabeça, não aceitou as desculpas apresentadas e deu por si a partir a louça, atirar robalos aos outros clientes e até partiu uma cadeira. foi levado pela polícia e teve de passar a noite detido.
três anos depois, concluiu que, afinal, foi o melhor dia da sua vida: foi o dia em que conheceu maria, a agente da psp responsável pelo seu processo, por quem se apaixonou, e valdomiro e rafa, os seus companheiros de cela que lhe trouxeram novas oportunidades de trabalho. tinha era o cuidado de evitar que maria e os dois sócios se conhecessem e percebessem quais eram as respectivas actividades, por um certo receio que não compreendessem que escolhia as suas companhias para lá das actividades que mantinham.

02/04/08

manel perguntou a maria se ela queria casar com ele. ela riu, lembrou-se que era 1º de Abril, aceitou e não deu importância à brincadeira. aliás, só voltou a lembrar-se do assunto uns dias depois, quando manel a levou até à igreja paroquial para marcar a data.
manel, que nunca sabia em que dia ia, nem tinha por hábito mentir, acabou por casar com a sobrinha do padre, rapariga simpática e divertida – e com outros atributos que só a manel interessam –, que o acompanhou com muita paciência depois de maria ter explicado atabalhoadamente que era testemunha de jeová, que nunca poderia casar com um católico, e ter desatado a correr em direcção à porta, dizendo que estava atrasada para uma marcação no gabinete de estética.

26/03/08

maria e manel aguardavam nervosos pelo final do concerto de rufus wainright.
maria tinha decidido que o ambiente melancólico e ligeiramente decadente que sentia nessa música era a introdução indicada para a conversa que tinha preparada para acabar a relação que mantinham havia três anos, e que, de repente, sentia como uma prisão da qual tinha de se libertar o mais rapidamente possível.
manel nem ouvia a música, ensaiava o pedido de casamento que ia fazer a maria, afinal, já namoravam há três anos, era a altura certa.

19/03/08

maria e manel tinham um casamento perfeito, ambos adoravam viajar e tinham actividades compatíveis com esse gosto: ele era um reputado escritor de romances policiais (a sua especialidade eram homicídios em diferentes países, nunca descobertos pelas polícias locais, mas que não escapavam a um misterioso viajante profissional), e ela era uma psicopata homicida, sempre pronta para pôr em prática novas ideias, e em garantir que os livros do marido eram completamente verosímeis.

12/03/08

manel, apaixonado, escrevia longas cartas anónimas a maria a garantir-lhe o seu amor eterno, mantendo sempre a esperança no dia em que ela acederia ao convite para encontro na brasileira. por isso, aos sábados ele esperava das 18 às 19, com uma rosa vermelha pousada na mesa, enquanto comia um croissant de chocolate, tal como descrito no último parágrafo de todas as cartas.
maria, rapariga que não usava óculos por vaidade, nem lentes de contacto por parvoíce, aproveitava o papel para forrar a gaiola do canário, e acabou por namorar com o carteiro.

01/03/08

o casamento de maria e manel corria bem até ao momento em que ele lhe disse que ela soava como a buzina fanhosa de um citroen 2 cavalos.
nesse mesmo dia ela partiu ultrajada, se ele a tivesse comparado com a buzina de um carocha ela teria sido capaz de o perdoar, mas a comparação com um carro fraquinho francês era demasiado ofensiva.

19/12/07

maria era um bocado indecisa e hesitante, mas manel não se importava, sempre que sentia umas reticências preenchia com o que queria.
a técnica só funcionou enquanto não contrariou maria.

12/12/07

manel esforçava-se imenso no ginásio, especialmente nos exercícios para desenvolver os peitorais. além disso, os seus treinos ganharam um novo alento quando reparou em maria, com quem já trocava umas saudações simpáticas, e ao lado de quem esperava sentar-se no jantar de natal do ginásio, para tentar uma conversa mais profunda.
maria estava um bocado farta do ginásio, estava cheio de sujeitos que pareciam frangos de aviário, com troncos muito desenvolvidos, perninhas muito fininhas e armados em heróis da bola. decidiu que, no fim do mês, ia deixar de frequentar o ginásio e passar a frequentar uma academia de artes marciais, onde iria aprender chi kung e tai chi chuan.