j. estava a começar a desesperar, na véspera, quando finalmente arranjou coragem para pedir a nelinha em casamento ela, depois de muito chorar, disse-lhe que não podia aceitar, que já havia dias que tentava dizer-lhe que sentia que aquela relação estava estagnada e que achava que um afastamento entre os dois era a única solução.
nessa manhã o despertador não tinha tocado. teria ficado mal programado? teria faltado a luz durante a noite? não fazia diferença, o que interessava é que ele só tinha acordado mais de uma hora depois do que era necessário e, ao chegar ao carro, descobriu que estava com um pneu em baixo. como tinha uma reunião importantíssima e já ia atrasado, correu para apanhar um táxi, tropeçou, caiu e fez um rasgão nas calças do seu fato boss. mesmo assim, o taxista foi simpático, esperou por ele e já iam a caminho do escritório, quando veio um carro de instrução contra o táxi. com o impacto, bateu com a cabeça contra o assento da frente… definitivamente, este não era um dia de sorte.
quando, finalmente, chegou ao escritório, a reunião já tinha acabado, o chefe estava furioso, “que raio é que lhe aconteceu, j., mais à porcaria do seu telemóvel da empresa, que é suposto andar sempre consigo?!”, nessa altura é que reparou que tinha saído de casa com tanta pressa que se tinha esquecido do telemóvel ao lado da televisão, estava mesmo a vê-lo... e o chefe continuava, “e aparece nessa triste figura! deve ter uma história de desgraçadinho para contar! quer saber de mais? não quero saber!!!! acabamos de perder a conta do almeida! os sabonetes que nos iam salvar as contas deste ano foram à vida, porque você não estava cá para apresentar a nossa proposta e o seu estagiário é uma lástima! assim, há que começar a cortar custos: você está despedido!”.
j. nunca tinha esperado por nada disto, não teve sequer oportunidade para se tentar defender. a bem da verdade, sentia que não tinha forças para conseguir ripostar fosse o que fosse.
sentiu o olhar de escárnio e satisfação da secretária. desde que ele tinha resistido aos seus avanços ela revelara-se constantemente antipática e tinha chegado a esconder-lhe recados e informações importantes, portanto, não esperava grande apoio da sua parte. passou para o seu gabinete, com a intenção de pegar nas suas coisas e nunca mais lá pôr os pés, ainda teve de correr com o estagiário que já lhe tinha ocupado a secretária… caramba, era demais!
sentou-se extenuado, o estupor do estagiário estava a ver-lhe a caixa de correio… ia começar a insultá-lo, quando chegou um mail novo, do secretariado da universidade paris 8, tinha sido admitido no mestrado de artes e tecnologia de imagem, era uma mudança do seu trabalho em publicidade, bem sabia, mas se quando se tinha candidatado não tinha grandes esperanças de conseguir ser aceite, agora começava a parecer-lhe a melhor ideia que alguma vez tinha tido.
releu o mail e tomou, com extraordinária calma, uma decisão importantíssima, pegou no copo dos lápis e depois pensou que não queria levar nada daquela vida passada, ainda olhou para a fotografia em que estava com a nelinha, mas achou que também já não precisava dela, levantou-se e dirigiu-se para a porta. foi, de novo, interceptado pelo chefe, que já estava mais calmo mas, desta vez, foi j. quem não lhe deu oportunidade para falar, “pois é chefe, trabalhar aqui foi muito bom, agora vou para paris, adeus”.
o mundo é redondo e nunca acaba. 80 dias não são suficientes para o contornar, em menos de um fósforo já nos deu ele a volta.
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22/05/07
15/05/07
25ª versão da morte de j.*
faltavam 4 horas para a inauguração do seu centro de jardinagem e estava tudo organizado: no pavilhão as plantas de interiores estavam bem ordenadas, havia uns balões de santos populares entre as árvores no espaço exterior de que ele não gostava muito, mas tinha sido ideia da mãe e não tinha conseguido contrariar, além disso, da empresa de catering tinham ligado a confirmar que iriam começar a preparar as mesas de apoio meia hora antes de os convidados começarem a chegar, que ele não precisava de se preocupar com esses detalhes.
estava muito bem disposto e confiante, já tinha uns projectos de jardins encomendados, achava que tinha feito bem em esperar uns anos entre o fim do curso de arquitectura paisagista e aceitar a oferta do pai de o ajudar a abrir um espaço destes, agora tinha certeza que o ia saber gerir e que o negócio ia ter sucesso.
resolveu que tinha tempo de sobra para ir a casa, tomar um duche demorado e preparar-se para estar no seu melhor na festa de inauguração. àquela hora, não era fácil arranjar estacionamento, e só conseguiu deixar o carro a quase um quarteirão de casa, mesmo assim, nada lhe demovia o bom humor e ia pela rua a assobiar um samba antigo, cuja letra já não se lembrava.
de repente, apercebeu-se dos gritos de uns miúdos da vizinhança que brincavam no passeio, e pensou com era saudável uma sociedade em que os miúdos ainda podem brincar à vontade na rua. não chegou a reparar que estavam a brincar ao robin dos bosques, com paus e ferros, que tinham encontrado num contentor de lixo, a fazerem de espadas, punhais e arcos e flechas improvisados, porque um dos maus, que tinha uma espada de ferro, se desequilibrou na corrida e trespassou-o, causando-lhe morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
estava muito bem disposto e confiante, já tinha uns projectos de jardins encomendados, achava que tinha feito bem em esperar uns anos entre o fim do curso de arquitectura paisagista e aceitar a oferta do pai de o ajudar a abrir um espaço destes, agora tinha certeza que o ia saber gerir e que o negócio ia ter sucesso.
resolveu que tinha tempo de sobra para ir a casa, tomar um duche demorado e preparar-se para estar no seu melhor na festa de inauguração. àquela hora, não era fácil arranjar estacionamento, e só conseguiu deixar o carro a quase um quarteirão de casa, mesmo assim, nada lhe demovia o bom humor e ia pela rua a assobiar um samba antigo, cuja letra já não se lembrava.
de repente, apercebeu-se dos gritos de uns miúdos da vizinhança que brincavam no passeio, e pensou com era saudável uma sociedade em que os miúdos ainda podem brincar à vontade na rua. não chegou a reparar que estavam a brincar ao robin dos bosques, com paus e ferros, que tinham encontrado num contentor de lixo, a fazerem de espadas, punhais e arcos e flechas improvisados, porque um dos maus, que tinha uma espada de ferro, se desequilibrou na corrida e trespassou-o, causando-lhe morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
08/05/07
24ª versão da morte de j.*
j. era o meu melhor amigo desde que me lembro de ser gente. tínhamos nascido no mesmo ano e vivíamos em casas geminadas, estava tudo preparado para sermos inseparáveis durante toda a infância e adolescência... a planície alentejana era nossa! as aventuras de super-heróis que vivemos… os primeiros cigarros… ele conseguiu resistir sempre ao vício, até nisso era melhor que eu…
tem graça, pensando bem, só tivemos uma enorme discussão, de uma vez em que ele teve a triste ideia de se meter com a minha irmã mais nova, mas também passou rapidamente, quando ela perdeu o interesse, e o j. ainda foi quem saiu pior da história, até tive pena dele.
começamos a afastar-nos um bocado quando entramos para a universidade, ele foi para engenharia informática e de computadores, no técnico, e eu para engenharia florestal, na utad, mesmo assim, nos fins-de-semana em que íamos a casa, era como se nos tivéssemos despedido na véspera. e depois ele acabou por retomar o namoro com a minha irmã, e desta vez parecia mesmo sério… íamos ser da mesma família, caramba!
ele já tinha um bom emprego garantido, a minha irmã também já é professora, tinham a vida toda pela frente…
nem consigo acreditar como é que ele, naquele mau tempo enorme se foi por atrás mesmo do meu jipe… garanto que eu nunca tinha visto tão mau tempo… a estrada estava que parecia um pântano, até havia nevoeiro, e chovia cada vez com mais força…
acreditem no que vos digo… nem me apercebi de o ter atropelado!... não consigo perceber como é que num instante ele me estava a dar indicações para desatolar o jipe, e no instante seguinte eu o tinha atropelado e esmagado a cabeça...
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
tem graça, pensando bem, só tivemos uma enorme discussão, de uma vez em que ele teve a triste ideia de se meter com a minha irmã mais nova, mas também passou rapidamente, quando ela perdeu o interesse, e o j. ainda foi quem saiu pior da história, até tive pena dele.
começamos a afastar-nos um bocado quando entramos para a universidade, ele foi para engenharia informática e de computadores, no técnico, e eu para engenharia florestal, na utad, mesmo assim, nos fins-de-semana em que íamos a casa, era como se nos tivéssemos despedido na véspera. e depois ele acabou por retomar o namoro com a minha irmã, e desta vez parecia mesmo sério… íamos ser da mesma família, caramba!
ele já tinha um bom emprego garantido, a minha irmã também já é professora, tinham a vida toda pela frente…
nem consigo acreditar como é que ele, naquele mau tempo enorme se foi por atrás mesmo do meu jipe… garanto que eu nunca tinha visto tão mau tempo… a estrada estava que parecia um pântano, até havia nevoeiro, e chovia cada vez com mais força…
acreditem no que vos digo… nem me apercebi de o ter atropelado!... não consigo perceber como é que num instante ele me estava a dar indicações para desatolar o jipe, e no instante seguinte eu o tinha atropelado e esmagado a cabeça...
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
01/05/07
23ª versão da morte de j.*
j. estava estourado, mas satisfeito como há muito tempo não acontecia. depois de umas semanas de trabalho intensivo, em que nem tinha conseguido sair com os amigos, ir ao cinema com a zézinha, ou sequer folhear uma revista de carros que fosse, no dia do trabalhador conseguiu acabar os relatórios dos três anos de trabalho como consultor com que já contava, e estava convencido que ia conseguir a promoção que lhe tinha sido negada no ano anterior.
a ensombrar-lhe o dia, estava a descoberta de que o carro tinha sido rebocado por ter ficado estacionado em frente a uma boca de incêndio (quem diria que a polícia havia de estar tão atenta? ele, de certeza, estava bastante distraído quando lá tinha deixado o carro), mas, mesmo assim, decidiu que havia coisas piores na vida, e achou que era boa ideia usar o metro para ir ter com a zézinha (que havia de o levar ao parque para levantar o carro), tinha receio de ficar preso no trânsito com manifestações do dia do trabalhador.
na plataforma, aproximou-se do traço amarelo quando sentiu que se aproximava o metro, de repente, gerou-se uma confusão enorme, e logo percebeu que eram pessoas que regressavam da manifestação. distraiu-se com as bandeiras e animação gerais, deu um passo em falso, e caiu na linha mesmo quando o comboio ia a abrandar, mas sem tempo para o motorista evitar a tragédia.
os manifestantes perderam alguma da boa disposição quando perceberam que a linha ia ter de fechar um bocado para limpeza, e acabaram por ir apanhar autocarros da carris.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
a ensombrar-lhe o dia, estava a descoberta de que o carro tinha sido rebocado por ter ficado estacionado em frente a uma boca de incêndio (quem diria que a polícia havia de estar tão atenta? ele, de certeza, estava bastante distraído quando lá tinha deixado o carro), mas, mesmo assim, decidiu que havia coisas piores na vida, e achou que era boa ideia usar o metro para ir ter com a zézinha (que havia de o levar ao parque para levantar o carro), tinha receio de ficar preso no trânsito com manifestações do dia do trabalhador.
na plataforma, aproximou-se do traço amarelo quando sentiu que se aproximava o metro, de repente, gerou-se uma confusão enorme, e logo percebeu que eram pessoas que regressavam da manifestação. distraiu-se com as bandeiras e animação gerais, deu um passo em falso, e caiu na linha mesmo quando o comboio ia a abrandar, mas sem tempo para o motorista evitar a tragédia.
os manifestantes perderam alguma da boa disposição quando perceberam que a linha ia ter de fechar um bocado para limpeza, e acabaram por ir apanhar autocarros da carris.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
10/04/07
22ª versão da morte de j.*
j. nunca tinha percebido as previsões do tempo, tinha ouvido na véspera que ia chover e, afinal, estava um sol brilhante e o céu azul, portanto, resolveu que podia chegar meia hora atrasado ao escritório (tinha de ter alguma vantagem em ser o patrão) e aproveitar para um bocado de jogging matinal.
enquanto estava à espera do elevador, conheceu a nova vizinha que se tinha mudado para o outro apartamento do seu andar, era bem interessante, e pareceu reparar nas suas pernas, enquanto perguntava se ele fazia exercício com muita frequência. se calhar, um convite para jantar era uma ideia simpática para lhe dar as boas vindas ao prédio… tinha de pensar numa ementa adequada.
já estava de regresso a casa quando sentiu um cão a ladrar atrás de si, virou-se e viu um cocker spaniel a correr furiosamente na sua direcção. j. nunca tinha tido uma boa relação com cães e uma dentada de um cão pequeno com dentes afiados era uma perspectiva desagradável, portanto, entrou no talho, a primeira loja que viu aberta, com a ideia de fechar a porta e ver se o cão deixava de o perseguir.
nesse momento, o sr. aníbal estava, na entrada, a afiar um cutelo e a explicar à d. almerinda modos de cozinhar carne de avestruz. não teve maneira de evitar que j. fosse trespassado pelo afiador.
a d. almerinda ofereceu-se prontamente para explicar todo o acidente à polícia, e aos tribunais, e a quem mais fosse preciso, e o desconto de 10% a que tinha geralmente direito, por ser cliente antiga e a viúva mais cobiçada do quarteirão, passou a ser um desconto de 20%.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
enquanto estava à espera do elevador, conheceu a nova vizinha que se tinha mudado para o outro apartamento do seu andar, era bem interessante, e pareceu reparar nas suas pernas, enquanto perguntava se ele fazia exercício com muita frequência. se calhar, um convite para jantar era uma ideia simpática para lhe dar as boas vindas ao prédio… tinha de pensar numa ementa adequada.
já estava de regresso a casa quando sentiu um cão a ladrar atrás de si, virou-se e viu um cocker spaniel a correr furiosamente na sua direcção. j. nunca tinha tido uma boa relação com cães e uma dentada de um cão pequeno com dentes afiados era uma perspectiva desagradável, portanto, entrou no talho, a primeira loja que viu aberta, com a ideia de fechar a porta e ver se o cão deixava de o perseguir.
nesse momento, o sr. aníbal estava, na entrada, a afiar um cutelo e a explicar à d. almerinda modos de cozinhar carne de avestruz. não teve maneira de evitar que j. fosse trespassado pelo afiador.
a d. almerinda ofereceu-se prontamente para explicar todo o acidente à polícia, e aos tribunais, e a quem mais fosse preciso, e o desconto de 10% a que tinha geralmente direito, por ser cliente antiga e a viúva mais cobiçada do quarteirão, passou a ser um desconto de 20%.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
03/04/07
21ª versão da morte de j.*
j. serviu-se do seu whisky preferido, carregou no play da aparelhagem, sem saber sequer que cd lá estava e deu por si a ouvir uns sons diferentes, provavelmente comunicação de baleias. soou-lhe estranhamente agradável, por isso, não trocou, e sentou-se no cadeirão a folhear a Automotor, com o firme propósito de perceber qual o carro que melhor combinava com a presidência de um instituto público. a vida, definitivamente, corria-lhe bem, não fora pelo atraso da isaurinha, que tinha ido visitar a mãe a sesimbra e tardava em voltar.
acabou por passar por umas brasas e, de repente, foi acordado pelo telemóvel, a isaurinha estava aflita, tinham-lhe batido no carro, estava à espera do reboque, e pediu-lhe para ir ter com ela.
j. resmungou um bocadinho, que estava frio na rua e tinha estado a chover, mas saiu de casa em direcção ao seu carro. pelo caminho, torceu o pé esquerdo numa falha do passeio, não chegou a cair, mas sentiu uma dor enorme, quase que desmaiava.
ainda estava a tentar equilibrar-se e a decidir se chamava um táxi para ir ter com a isaurinha ou se ia directamente para o hospital (o tornozelo latejava cada vez mais e conduzir estava fora de questão), quando uma criança a correr com um pastor alemão pela trela se desequilibrou e lhe deu um encontrão, que o derrubou em direcção à rua. desta vez desmaiou mesmo e a mãe da criança chamou prontamente uma ambulância. no hospital, enquanto esperava numa maca para ser atendido, tinha ao seu lado um preso, acompanhado por um guarda prisional, cuja doença j. não conseguia perceber, mas que não o impedia de gritar insultos a todos os presentes no serviço de urgências, bem como às respectivas famílias. quando j. conseguiu um momento de calma para pegar no telemóvel e avisar isaurinha do acidente, o preso numa desatenção do guarda, agarrou uma garrafa, partiu-a e tentou atacar o guarda que, no último instante, se desviou, não tendo j. percebido o perigo que corria até ter o pescoço rasgado pela garrafa.
os prontos cuidados médicos não conseguiram evitar a sua morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
acabou por passar por umas brasas e, de repente, foi acordado pelo telemóvel, a isaurinha estava aflita, tinham-lhe batido no carro, estava à espera do reboque, e pediu-lhe para ir ter com ela.
j. resmungou um bocadinho, que estava frio na rua e tinha estado a chover, mas saiu de casa em direcção ao seu carro. pelo caminho, torceu o pé esquerdo numa falha do passeio, não chegou a cair, mas sentiu uma dor enorme, quase que desmaiava.
ainda estava a tentar equilibrar-se e a decidir se chamava um táxi para ir ter com a isaurinha ou se ia directamente para o hospital (o tornozelo latejava cada vez mais e conduzir estava fora de questão), quando uma criança a correr com um pastor alemão pela trela se desequilibrou e lhe deu um encontrão, que o derrubou em direcção à rua. desta vez desmaiou mesmo e a mãe da criança chamou prontamente uma ambulância. no hospital, enquanto esperava numa maca para ser atendido, tinha ao seu lado um preso, acompanhado por um guarda prisional, cuja doença j. não conseguia perceber, mas que não o impedia de gritar insultos a todos os presentes no serviço de urgências, bem como às respectivas famílias. quando j. conseguiu um momento de calma para pegar no telemóvel e avisar isaurinha do acidente, o preso numa desatenção do guarda, agarrou uma garrafa, partiu-a e tentou atacar o guarda que, no último instante, se desviou, não tendo j. percebido o perigo que corria até ter o pescoço rasgado pela garrafa.
os prontos cuidados médicos não conseguiram evitar a sua morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
27/03/07
20ª versão da morte de j.*
a promoção e a mudança para barcelona estavam garantidas! ao cabo de dois anos de esforço, conseguiu ser ele o consultor júnior escolhido para ir fazer o curso de especialização em direito fiscal.
estava satisfeitíssimo, a sentir que a sua realização estava garantida, no entanto, a primavera tornava-o mais bucólico, atento à natureza e à beleza do chilrear dos passarinhos, assim, naquele dia, resolveu que, em vez de uma festa de arromba, se ia mimar, tratar com luxo e celebrar só com a milinha, portanto, no caminho para casa, parou num espaço gourmet, onde comprou uns petiscos especiais e um vinho altamente recomendado pelo dono.
ao chegar a casa, não resistiu e resolveu preparar um banho de imersão com uns sais novos que a milinha já tinha experimentado e tinha dito serem muito agradáveis… o que ela ia gostar de saber da mudança para barcelona, logo por azar, hoje era o dia de ela ir ao cinema com as amigas e tinha o telemóvel desligado.
de facto, deu por si a pensar que, ou os sais de banho eram óptimos, ou um banho de imersão era mesmo o que estava a precisar, e quando ouviu a milinha a abrir a porta da rua, levantou-se de repente para ir ter com ela, teve uma baixa de tensão, desmaiou, caiu na banheira e afogou-se na água tépida.
a milinha entrou a falar ao telefone, quando acabou a conversa é que reparou na mesa já posta e foi à procura de j., mas já era demasiado tarde.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
estava satisfeitíssimo, a sentir que a sua realização estava garantida, no entanto, a primavera tornava-o mais bucólico, atento à natureza e à beleza do chilrear dos passarinhos, assim, naquele dia, resolveu que, em vez de uma festa de arromba, se ia mimar, tratar com luxo e celebrar só com a milinha, portanto, no caminho para casa, parou num espaço gourmet, onde comprou uns petiscos especiais e um vinho altamente recomendado pelo dono.
ao chegar a casa, não resistiu e resolveu preparar um banho de imersão com uns sais novos que a milinha já tinha experimentado e tinha dito serem muito agradáveis… o que ela ia gostar de saber da mudança para barcelona, logo por azar, hoje era o dia de ela ir ao cinema com as amigas e tinha o telemóvel desligado.
de facto, deu por si a pensar que, ou os sais de banho eram óptimos, ou um banho de imersão era mesmo o que estava a precisar, e quando ouviu a milinha a abrir a porta da rua, levantou-se de repente para ir ter com ela, teve uma baixa de tensão, desmaiou, caiu na banheira e afogou-se na água tépida.
a milinha entrou a falar ao telefone, quando acabou a conversa é que reparou na mesa já posta e foi à procura de j., mas já era demasiado tarde.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
20/03/07
19ª versão da morte de j.*
depois de tantos castings sem sucesso, a estrela da sorte de j. começava a brilhar, tinha sido seleccionado para entrar na mais recente novela da tvi!
ainda não sabia bem que papel seria, se o filho drogado da família rica ou o sobrinho atinado da família pobre, mas, em qualquer um deles, tinha a certeza que ia conseguir vingar. só precisava de uma pequena oportunidade para pôr em prática todas as técnicas aprendidas nos cursos de teatro que tinha conseguido cravar à avó.
a sua querida avó laidinha… tinha de lhe telefonar a contar esta fantástica novidade mas, entretanto, ia na rua, a observar as pessoas com quem se cruzava, a sua maneira de andar, alguns tiques de linguagem que apanhava nos pedaços de conversas que ouvia, afinal, tinha de compor um personagem com conteúdo... e caminhava com um belo sorriso, bem lá no fundo, tinha a esperança que estes tempos de passear incógnito no meio da rua estivessem para acabar dentro em breve.
foi apanhado completamente de surpresa quando uma jarra foi atirada pela janela de um andar e lhe acertou na cabeça, perdeu o sentido de orientação durante o tempo suficiente para tropeçar e cair pelas escadas do metro de alvalade e ir bater contra uma aresta da máquina de vender bilhetes. os médicos disseram que os danos na coluna foram imediatos, e que não sofreu com esta morte.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
ainda não sabia bem que papel seria, se o filho drogado da família rica ou o sobrinho atinado da família pobre, mas, em qualquer um deles, tinha a certeza que ia conseguir vingar. só precisava de uma pequena oportunidade para pôr em prática todas as técnicas aprendidas nos cursos de teatro que tinha conseguido cravar à avó.
a sua querida avó laidinha… tinha de lhe telefonar a contar esta fantástica novidade mas, entretanto, ia na rua, a observar as pessoas com quem se cruzava, a sua maneira de andar, alguns tiques de linguagem que apanhava nos pedaços de conversas que ouvia, afinal, tinha de compor um personagem com conteúdo... e caminhava com um belo sorriso, bem lá no fundo, tinha a esperança que estes tempos de passear incógnito no meio da rua estivessem para acabar dentro em breve.
foi apanhado completamente de surpresa quando uma jarra foi atirada pela janela de um andar e lhe acertou na cabeça, perdeu o sentido de orientação durante o tempo suficiente para tropeçar e cair pelas escadas do metro de alvalade e ir bater contra uma aresta da máquina de vender bilhetes. os médicos disseram que os danos na coluna foram imediatos, e que não sofreu com esta morte.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
13/03/07
18ª versão da morte de j.*
a disposição de j. melhorava sempre com os primeiros raios de sol mais primaveris, até o trabalho na secção de pessoal do instituto público em que trabalhava lhe parecia ligeiramente mais divertido.
nessa terça-feira, j. até conseguiu despachar-se para sair às 17.30 certinhas, deixou a secretária bem arrumada para o dia seguinte e, já de saída, ao passar pelo gabinete de apoio jurídico, teve uma ideia tão repentina que, quando deu por ela, já tinha sido dita em voz alta: “joaninha, queres ir passear de eléctrico até belém e lanchar um pastel?”.
depois de uns segundos de hesitação por parte da joaninha, em que julgou que ia morrer de vergonha à frente dos outros 2 juristas ainda na sala, ela fez o seu melhor sorriso e respondeu que era um convite extremamente simpático, que tinha todo o gosto em ir com ele.
por sorte, o primeiro eléctrico que passou era um 15 dos mais antigos, e até conseguiram lugares sentados, enquanto, a joaninha ia contando uma história a propósito de uma situação que lhe tinha ocupado a tarde, entre estudo do código do procedimento administrativo e a documentação que lhe tinham enviado, se um determinado acto seria para anular ou revogar.
certamente que este seria um tópico interessante para quem gostasse muito de direito administrativo, o que não era o caso de j., portanto, entreteve-se a apreciar a bela companhia em que ia (apesar do tópico bastante maçador, quando saíssem do eléctrico ia tentar começar uma conversa sobre cinema), a própria viagem de eléctrico e o sol que ainda brilhava lá fora.
aliás, entusiasmou-se de tal maneira que deu por si a abrir a janela e a por a cabeça para fora do eléctrico, mesmo na altura em que a joaninha reparou e gritou para ele ganhar juízo e por a cabeça a salvo, bateu contra um poste de electricidade, ali quem vai numa zona mais estreita da r. 1º de maio, e ficou muito zonzo.
a joaninha ficou receosa que tivesse ficado com um traumatismo craniano, e insistiu para saírem do eléctrico no hospital egas moniz, para j. ser visto por um médico, apesar de ele dizer que era só uma dorzinha de cabeça, que não era nada de sério.
já estavam dentro do hospital, a passar na sombra de um edifício, quando ouviram um berro assustador e um homem caiu em cima de j., que teve morte imediata com uma fractura da coluna cervical.
joaninha veio a saber que se tratava de um alcoólico em recuperação que estava a ter uma alucinação e que confundiu a janela com uma porta (por sorte, só fracturou as pernas e um braço na queda e conseguiu prosseguir a sua recuperação), além disso, até hoje, nunca mais conseguiu comer pastéis de belém e só anda nos eléctricos novos, em que as janelas não abrem.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
nessa terça-feira, j. até conseguiu despachar-se para sair às 17.30 certinhas, deixou a secretária bem arrumada para o dia seguinte e, já de saída, ao passar pelo gabinete de apoio jurídico, teve uma ideia tão repentina que, quando deu por ela, já tinha sido dita em voz alta: “joaninha, queres ir passear de eléctrico até belém e lanchar um pastel?”.
depois de uns segundos de hesitação por parte da joaninha, em que julgou que ia morrer de vergonha à frente dos outros 2 juristas ainda na sala, ela fez o seu melhor sorriso e respondeu que era um convite extremamente simpático, que tinha todo o gosto em ir com ele.
por sorte, o primeiro eléctrico que passou era um 15 dos mais antigos, e até conseguiram lugares sentados, enquanto, a joaninha ia contando uma história a propósito de uma situação que lhe tinha ocupado a tarde, entre estudo do código do procedimento administrativo e a documentação que lhe tinham enviado, se um determinado acto seria para anular ou revogar.
certamente que este seria um tópico interessante para quem gostasse muito de direito administrativo, o que não era o caso de j., portanto, entreteve-se a apreciar a bela companhia em que ia (apesar do tópico bastante maçador, quando saíssem do eléctrico ia tentar começar uma conversa sobre cinema), a própria viagem de eléctrico e o sol que ainda brilhava lá fora.
aliás, entusiasmou-se de tal maneira que deu por si a abrir a janela e a por a cabeça para fora do eléctrico, mesmo na altura em que a joaninha reparou e gritou para ele ganhar juízo e por a cabeça a salvo, bateu contra um poste de electricidade, ali quem vai numa zona mais estreita da r. 1º de maio, e ficou muito zonzo.
a joaninha ficou receosa que tivesse ficado com um traumatismo craniano, e insistiu para saírem do eléctrico no hospital egas moniz, para j. ser visto por um médico, apesar de ele dizer que era só uma dorzinha de cabeça, que não era nada de sério.
já estavam dentro do hospital, a passar na sombra de um edifício, quando ouviram um berro assustador e um homem caiu em cima de j., que teve morte imediata com uma fractura da coluna cervical.
joaninha veio a saber que se tratava de um alcoólico em recuperação que estava a ter uma alucinação e que confundiu a janela com uma porta (por sorte, só fracturou as pernas e um braço na queda e conseguiu prosseguir a sua recuperação), além disso, até hoje, nunca mais conseguiu comer pastéis de belém e só anda nos eléctricos novos, em que as janelas não abrem.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
06/03/07
17ª versão da morte de j.*
depois de ter passado umas horas um bocado desiludido, após o desembarque do avião, porque não parava de chuviscar e o céu estava completamente cinzento, j. nem queria acreditar como o tempo tinha ficado tão bonito, com o céu completamente descoberto e o sol quente e agradável.
decidiu que, afinal, esta visita a s. miguel prometia ser um sucesso, estava com mais 4 amigos da faculdade, acantonados na casa de férias dos pais de um deles, com um carro à disposição e, finalmente, viu que era possível haver bom tempo na ilha de bruma, mal podia esperar para poder experimentar a temperatura da água do mar.
mas, entretanto, tinham começado por uma visita às furnas, e estavam bastante impressionados com as caldeiras vulcânicas que lá há: água e lama a escaldar numa zona e terra absolutamente normal, onde se podia andar sem problema nenhum, mesmo ao lado. uma das coisas em que repararam foi que aquela zona não estava muito bem protegida, e um vendedor de milho cozido nas caldeiras (outro grande mistério para ele: como é que era possível cozer comida na terra?, e o que tinha levado a primeira pessoa a experimentar semelhante coisa?) assustou-os dizendo que já tinha acontecido turistas distraídos caírem nas caldeiras e “morrerem a morte dos infernos”.
j. ficou sem saber se tinha percebido bem a história (afinal o vendedor tinha uma pronúncia cerrada), e se este seria um mito local para assustar turistas, mas achou por bem tirar fotografias a uma distância segura, e experimentar antes as várias nascentes de água, enquanto os amigos se aproximavam mais das zonas de perigo.
finalmente conseguiu convencer os amigos a voltarem para ponta delgada, para tentarem apreciar um pouco da paisagem ainda antes de o sol se por, afinal no caminho de ida, como o tempo estava cinzento, não tinham conseguido ver muito, e pôs-se ao volante de um suzuki maruti azul berrante (o carrito mais em conta que o rent-a-car tinha à disposição), enquanto os restantes faziam troça por ele não se ter aproximado das caldeiras.
já iam a meio caminho de vila franca do campo, quando reparam que havia uma sombra no horizonte e estavam a discutir se seria a ilha de santa maria. j. também teve de desviar o olhar da estrada para ver se a sombra parecia uma ilha, mesmo na altura em que saiu uma vaca a correr de um pasto e j. não conseguiu evitar atropelá-la.
os amigos saíram do suzuki completamente atordoados, sem quererem acreditar como é que o carro não tinha ficado mais desfeito e como é que eles não tinham ficado magoados, quando repararam que o j. não tinha saído.
no entanto, mesmo que não tivesse tido morte imediata não podia sair do carro, os cornos da vaca tinham atravessado o seu tronco e ele tinha ficado preso ao assento do carro.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
decidiu que, afinal, esta visita a s. miguel prometia ser um sucesso, estava com mais 4 amigos da faculdade, acantonados na casa de férias dos pais de um deles, com um carro à disposição e, finalmente, viu que era possível haver bom tempo na ilha de bruma, mal podia esperar para poder experimentar a temperatura da água do mar.
mas, entretanto, tinham começado por uma visita às furnas, e estavam bastante impressionados com as caldeiras vulcânicas que lá há: água e lama a escaldar numa zona e terra absolutamente normal, onde se podia andar sem problema nenhum, mesmo ao lado. uma das coisas em que repararam foi que aquela zona não estava muito bem protegida, e um vendedor de milho cozido nas caldeiras (outro grande mistério para ele: como é que era possível cozer comida na terra?, e o que tinha levado a primeira pessoa a experimentar semelhante coisa?) assustou-os dizendo que já tinha acontecido turistas distraídos caírem nas caldeiras e “morrerem a morte dos infernos”.
j. ficou sem saber se tinha percebido bem a história (afinal o vendedor tinha uma pronúncia cerrada), e se este seria um mito local para assustar turistas, mas achou por bem tirar fotografias a uma distância segura, e experimentar antes as várias nascentes de água, enquanto os amigos se aproximavam mais das zonas de perigo.
finalmente conseguiu convencer os amigos a voltarem para ponta delgada, para tentarem apreciar um pouco da paisagem ainda antes de o sol se por, afinal no caminho de ida, como o tempo estava cinzento, não tinham conseguido ver muito, e pôs-se ao volante de um suzuki maruti azul berrante (o carrito mais em conta que o rent-a-car tinha à disposição), enquanto os restantes faziam troça por ele não se ter aproximado das caldeiras.
já iam a meio caminho de vila franca do campo, quando reparam que havia uma sombra no horizonte e estavam a discutir se seria a ilha de santa maria. j. também teve de desviar o olhar da estrada para ver se a sombra parecia uma ilha, mesmo na altura em que saiu uma vaca a correr de um pasto e j. não conseguiu evitar atropelá-la.
os amigos saíram do suzuki completamente atordoados, sem quererem acreditar como é que o carro não tinha ficado mais desfeito e como é que eles não tinham ficado magoados, quando repararam que o j. não tinha saído.
no entanto, mesmo que não tivesse tido morte imediata não podia sair do carro, os cornos da vaca tinham atravessado o seu tronco e ele tinha ficado preso ao assento do carro.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
27/02/07
16ª versão da morte de j.*
j. ajoelhou-se, passou a mão, lentamente, pelo relvado, e chorou da mais pura felicidade, tinha sido contratado pelo benfica!
as câmaras dos jornalistas apanharam este seu momento de emoção, fizeram-lhe as perguntas da praxe (sim, sempre tinha sonhado jogar pelo benfica; havia que ter humildade e trabalhar muito para conseguir a titularidade; ainda não pensava em idas para o estrangeiro, estava concentrado em dar o seu melhor pelo glorioso) e quase todos os noticiários e jornais foram unânimes em vaticinar-lhe os melhores sucessos.
a sua namorada soraia encarregou-se de fazer os recortes de todas estas noticias enquanto sonhava em ir às compras com as mulheres dos outros craques, finalmente era o fim das idas à Zara… Louis Vuitton, Gucci, Prada, haviam de ser as suas marcas de eleição, e já tinha marcado cabeleireiro para começar uma mudança de visual, talvez umas madeixas louras trouxessem mais luz ao seu cabelo castanho. também havia que procurar um novo apartamento em telheiras, numa primeira fase (morar nos olivais é que não podia continuar a ser), e depois arranjar uma casa no estoril, pelo menos.
no entanto, enquanto ainda moravam nos olivais, j. aproveitava para continuar a ir aos campo de jogos do prior velho, encontrava-se com os antigos amigos que continuavam nas suas futeboladas de fim-de-semana e ainda incentivava os miúdos à boa prática desportiva.
até ao dia em que estava a falar com os amigos sobre como o bairro andava muito mais calmo, com menos criminalidade, quando, de repente, surgiram 2 carros em grande velocidade, com os ocupantes a trocarem tiros. todos se baixaram rapidamente, devia ser um ajuste de contas entre traficantes de droga, esperam que passasse rápido. mas, quando passou, j. não se levantou, tinha sido apanhado por uma bala perdida na cabeça e teve morte instantânea.
voltou a fazer notícia e os governantes aproveitaram para apresentar novas medidas para tentar aumentar a segurança e de combate ao banditismo e ao tráfico de droga.
soraia teve de continuar a trabalhar como caixa no continente do vasco da gama.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
as câmaras dos jornalistas apanharam este seu momento de emoção, fizeram-lhe as perguntas da praxe (sim, sempre tinha sonhado jogar pelo benfica; havia que ter humildade e trabalhar muito para conseguir a titularidade; ainda não pensava em idas para o estrangeiro, estava concentrado em dar o seu melhor pelo glorioso) e quase todos os noticiários e jornais foram unânimes em vaticinar-lhe os melhores sucessos.
a sua namorada soraia encarregou-se de fazer os recortes de todas estas noticias enquanto sonhava em ir às compras com as mulheres dos outros craques, finalmente era o fim das idas à Zara… Louis Vuitton, Gucci, Prada, haviam de ser as suas marcas de eleição, e já tinha marcado cabeleireiro para começar uma mudança de visual, talvez umas madeixas louras trouxessem mais luz ao seu cabelo castanho. também havia que procurar um novo apartamento em telheiras, numa primeira fase (morar nos olivais é que não podia continuar a ser), e depois arranjar uma casa no estoril, pelo menos.
no entanto, enquanto ainda moravam nos olivais, j. aproveitava para continuar a ir aos campo de jogos do prior velho, encontrava-se com os antigos amigos que continuavam nas suas futeboladas de fim-de-semana e ainda incentivava os miúdos à boa prática desportiva.
até ao dia em que estava a falar com os amigos sobre como o bairro andava muito mais calmo, com menos criminalidade, quando, de repente, surgiram 2 carros em grande velocidade, com os ocupantes a trocarem tiros. todos se baixaram rapidamente, devia ser um ajuste de contas entre traficantes de droga, esperam que passasse rápido. mas, quando passou, j. não se levantou, tinha sido apanhado por uma bala perdida na cabeça e teve morte instantânea.
voltou a fazer notícia e os governantes aproveitaram para apresentar novas medidas para tentar aumentar a segurança e de combate ao banditismo e ao tráfico de droga.
soraia teve de continuar a trabalhar como caixa no continente do vasco da gama.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
20/02/07
15ª versão da morte de j.*
j. tinha acabado de aterrar no aeroporto da portela vindo da tailândia e era o fim do seu 1º turno como assistente de bordo. tudo tinha corrido bem: os colegas tinham-se revelado bastante cordiais, não tinha havido nenhuma situação de praxe mais desagradável, só tinha passado um dia em bangkok, mas iria ter muitas oportunidades para ver o que lhe faltava.
ia bastante satisfeito com este seu emprego, ele que sempre havia sido gozado pelos seus amigos que não tinham esta profissão em grande conta (já tinha perdido a conta à quantidade de vezes que lhe perguntavam "chá? café? laranjada?"), tinha conseguido realizado o seu sonho, com a sorte acrescida de ter começado logo nos voos internacionais. mal podia esperar para voltar para casa e fazer o relato de toda a viagem à sua concha, a grande responsável pelo seu actual domínio do castelhano.
no entanto, ao chegar a casa, percebeu que, afinal, o relato da viagem teria de ficar para outra altura, a concha recebeu-o com o recado que a mãe tinha ligado a lembrar que era o aniversário da avó gertrudes e que toda a família estava confirmada para o jantar desse dia. não podia faltar de modo nenhum, a avó gertrudes fazia 95 anos e tinha-lhe oferecido todos os cursos de línguas que tinha frequentado ao longo dos anos... não lhe podia fazer a desfeita de não lhe dar os parabéns.
trocou de roupa e meteu-se sozinho ao caminho, porque a concha tinha de ficar a acabar umas traduções que tinha de entregar no dia seguinte e não podia ir passar umas horas a castro verde.
apesar do cansaço, a viagem não correu mal, só teve mesmo um grande azar quando já estava a chegar perto de casa da avó, numa estrada secundária que era atravessada pela linha férrea o carro parou de repente. devia ser só um pneu furado, j. lembrou-se que lhe tinham dito que aquela linha já não era usada, portanto não se preocupou muito, tinha a música muito alta, baixou-se no banco do lado para ir buscar o telemóvel que, ao começar a vibrar com uma chamada, tinha escorregado do assento para o chão, e não se apercebeu do comboio de mercadorias que não teve tempo de abrandar, porque o maquinista estava a ter uma discussão conjugal ao telemóvel, e não viu o citroen saxo encarnado no meio da linha, do qual não sobrou nenhuma peça que se aproveitasse, sequer para ferro velho.
ao telefone era a mãe, a avisar que a avó gertrudes havia morrido naquela tarde, pacificamente e sem qualquer sofrimento, durante a sua sesta, pelo que já não havia muita pressa na sua ida a casa.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
ia bastante satisfeito com este seu emprego, ele que sempre havia sido gozado pelos seus amigos que não tinham esta profissão em grande conta (já tinha perdido a conta à quantidade de vezes que lhe perguntavam "chá? café? laranjada?"), tinha conseguido realizado o seu sonho, com a sorte acrescida de ter começado logo nos voos internacionais. mal podia esperar para voltar para casa e fazer o relato de toda a viagem à sua concha, a grande responsável pelo seu actual domínio do castelhano.
no entanto, ao chegar a casa, percebeu que, afinal, o relato da viagem teria de ficar para outra altura, a concha recebeu-o com o recado que a mãe tinha ligado a lembrar que era o aniversário da avó gertrudes e que toda a família estava confirmada para o jantar desse dia. não podia faltar de modo nenhum, a avó gertrudes fazia 95 anos e tinha-lhe oferecido todos os cursos de línguas que tinha frequentado ao longo dos anos... não lhe podia fazer a desfeita de não lhe dar os parabéns.
trocou de roupa e meteu-se sozinho ao caminho, porque a concha tinha de ficar a acabar umas traduções que tinha de entregar no dia seguinte e não podia ir passar umas horas a castro verde.
apesar do cansaço, a viagem não correu mal, só teve mesmo um grande azar quando já estava a chegar perto de casa da avó, numa estrada secundária que era atravessada pela linha férrea o carro parou de repente. devia ser só um pneu furado, j. lembrou-se que lhe tinham dito que aquela linha já não era usada, portanto não se preocupou muito, tinha a música muito alta, baixou-se no banco do lado para ir buscar o telemóvel que, ao começar a vibrar com uma chamada, tinha escorregado do assento para o chão, e não se apercebeu do comboio de mercadorias que não teve tempo de abrandar, porque o maquinista estava a ter uma discussão conjugal ao telemóvel, e não viu o citroen saxo encarnado no meio da linha, do qual não sobrou nenhuma peça que se aproveitasse, sequer para ferro velho.
ao telefone era a mãe, a avisar que a avó gertrudes havia morrido naquela tarde, pacificamente e sem qualquer sofrimento, durante a sua sesta, pelo que já não havia muita pressa na sua ida a casa.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
13/02/07
14ª versão da morte de j.*
o inverno estava a ser rigoroso, com muito frio, chuva, nevoeiro, e não havia maneira de chegar a primavera. mesmo assim, j. estava confiante e bem disposto no seu novo emprego: era inspector de qualidade numa fábrica de iogurtes, e tinha uma fé renovada nos lacticínios nacionais.
o seu novo ambiente de trabalho era em tons de branco, a higiene imperava, e as pessoas eram estranhamente divertidas, aliás, j. desconfiava que a equipa de investigação de novos sabores andava a fazer mais experiências do que era suposto, mas lembrou-se que só tinha de averiguar da qualidade da elaboração dos iogurtes, se os ingredientes estavam todos em condições, as experiências eram lá com a equipa. além disso, trabalhava nessa equipa uma nutricionista que lhe estava a chamar a atenção, não convinha mesmo nada ser picuinhas logo de princípio.
depois de mais um dia de experiências animadas, em que ele insistiu que iogurte de alface não havia de ser uma boa aposta, mesmo que com um leve aroma a baunilha, reparou que não estava a chover, pelo que resolveu dar um passeio de bicicleta, que se revelou bastante atribulado, ainda havia umas poças de água que encobriam perigosas falhas de asfalto e chegou a cair e a arranhar uma perna e um braço.
voltou para casa contrariado, com a bicicleta pela mão, deixou-a na arrecadação, e descobriu que o elevador estava avariado, antes de amaldiçoar a sua má sorte, teve a presença de espírito de se lembrar que a arrecadação ficava no rés-do-chão e, ao menos, não tinha de subir até ao 6º andar, pelas escadas, com a bicicleta pela mão. pôs-se a subir as escadas, e, apesar das dores no corpo por causa da queda, deu por si a pensar se a nutricionista lhe atenderia o pedido de companhia para o jantar, era uma boa maneira de rentabilizar os arranhões.
quando chegou a casa já ia bem mais animado, resolveu, logo na entrada, acender uma vela perfumada com cheiro a jasmim, um resto da última visita que a irmã lhe fizera, mas que até era capaz de lhe melhorar o ânimo enquanto fazia os curativos e procurava o número da nutricionista, não deu pelo cheiro a gás que estava na casa, nem pela explosão que se seguiu e destruiu completamente o seu apartamento.
por sorte, os restantes vizinhos cujos apartamentos tiveram danos estavam em reunião de condóminos, e não se magoaram.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
o seu novo ambiente de trabalho era em tons de branco, a higiene imperava, e as pessoas eram estranhamente divertidas, aliás, j. desconfiava que a equipa de investigação de novos sabores andava a fazer mais experiências do que era suposto, mas lembrou-se que só tinha de averiguar da qualidade da elaboração dos iogurtes, se os ingredientes estavam todos em condições, as experiências eram lá com a equipa. além disso, trabalhava nessa equipa uma nutricionista que lhe estava a chamar a atenção, não convinha mesmo nada ser picuinhas logo de princípio.
depois de mais um dia de experiências animadas, em que ele insistiu que iogurte de alface não havia de ser uma boa aposta, mesmo que com um leve aroma a baunilha, reparou que não estava a chover, pelo que resolveu dar um passeio de bicicleta, que se revelou bastante atribulado, ainda havia umas poças de água que encobriam perigosas falhas de asfalto e chegou a cair e a arranhar uma perna e um braço.
voltou para casa contrariado, com a bicicleta pela mão, deixou-a na arrecadação, e descobriu que o elevador estava avariado, antes de amaldiçoar a sua má sorte, teve a presença de espírito de se lembrar que a arrecadação ficava no rés-do-chão e, ao menos, não tinha de subir até ao 6º andar, pelas escadas, com a bicicleta pela mão. pôs-se a subir as escadas, e, apesar das dores no corpo por causa da queda, deu por si a pensar se a nutricionista lhe atenderia o pedido de companhia para o jantar, era uma boa maneira de rentabilizar os arranhões.
quando chegou a casa já ia bem mais animado, resolveu, logo na entrada, acender uma vela perfumada com cheiro a jasmim, um resto da última visita que a irmã lhe fizera, mas que até era capaz de lhe melhorar o ânimo enquanto fazia os curativos e procurava o número da nutricionista, não deu pelo cheiro a gás que estava na casa, nem pela explosão que se seguiu e destruiu completamente o seu apartamento.
por sorte, os restantes vizinhos cujos apartamentos tiveram danos estavam em reunião de condóminos, e não se magoaram.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
06/02/07
13ª versão da morte de j. *
o dia começou com vários tons de cinzento e chuva torrencial, e ainda piorou durante o horário de expediente: j., por azar, não arranjou muitas desculpas para sair do gabinete onde trabalhava, e a d. luísa, que dividia o espaço com ele, estava muito indecisa sobre qual o sofá a iria comprar, mesmo assim, a escolha já estava reduzida a um kramfors e um lervik. aliás, desde que o ikea inaugurou em alfragide, todas as semanas havia o difícil processo de escolha de mais uma peça, que era discutido com todos os colegas do trabalho. ele não fazia ideia como ela conseguia guardar tanta coisa num t2 na baixa da banheira.
apesar disso, parecia que estava no bom caminho para melhorar, durante a tarde, a tatiana, a nova assistente social da instituição, foi-lhe pedir ajuda porque o portátil tinha “morrido” e ela estava desesperada a pensar em todos os documentos que teria perdido. é claro que j. se ofereceu logo para lhe tentar resolver o problema e, é claro, que a tatiana se ofereceu para lhe cozinhar o jantar enquanto ele lhe ressuscitava o portátil.
o serão correu muito bem, os documentos foram devidamente salvos, o jantar foram umas óptimas costeletas com batatas recheadas com brócolos, o gelado de chocolate para sobremesa também foi uma ideia simpática e ficaram a conversar durante umas horas. j. estava muito entusiasmado com esta nova colega, e ela também não lhe era indiferente. havia, definitivamente, um novo ânimo para ir trabalhar.
pelo caminho para casa, o mau tempo continuava e estava cada vez pior, ainda chovia, havia umas rajadas de vento muito fortes, e alguns relâmpagos e trovões, pôs o rádio mais alto, e deu por si a cantar “toda a gente sabe que te amo” do miguel ângelo a plenos pulmões… como detestava esta versão da música (de tal modo que defendia que o neil hannon devia ter processado o cançonetista de cascais pelo atrevimento), o entusiasmo estava a bater mesmo forte.
estava parado num sinal vermelho, a cantar alto de olhos fechados, quando caiu o semáforo em cima do seu renault 4l. a morte foi imediata, não se tendo percebido se foi do susto, do choque eléctrico provocado pelos cabos do semáforo e pela chuva ou de ter ficado espalmado na carroçaria do carro.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
apesar disso, parecia que estava no bom caminho para melhorar, durante a tarde, a tatiana, a nova assistente social da instituição, foi-lhe pedir ajuda porque o portátil tinha “morrido” e ela estava desesperada a pensar em todos os documentos que teria perdido. é claro que j. se ofereceu logo para lhe tentar resolver o problema e, é claro, que a tatiana se ofereceu para lhe cozinhar o jantar enquanto ele lhe ressuscitava o portátil.
o serão correu muito bem, os documentos foram devidamente salvos, o jantar foram umas óptimas costeletas com batatas recheadas com brócolos, o gelado de chocolate para sobremesa também foi uma ideia simpática e ficaram a conversar durante umas horas. j. estava muito entusiasmado com esta nova colega, e ela também não lhe era indiferente. havia, definitivamente, um novo ânimo para ir trabalhar.
pelo caminho para casa, o mau tempo continuava e estava cada vez pior, ainda chovia, havia umas rajadas de vento muito fortes, e alguns relâmpagos e trovões, pôs o rádio mais alto, e deu por si a cantar “toda a gente sabe que te amo” do miguel ângelo a plenos pulmões… como detestava esta versão da música (de tal modo que defendia que o neil hannon devia ter processado o cançonetista de cascais pelo atrevimento), o entusiasmo estava a bater mesmo forte.
estava parado num sinal vermelho, a cantar alto de olhos fechados, quando caiu o semáforo em cima do seu renault 4l. a morte foi imediata, não se tendo percebido se foi do susto, do choque eléctrico provocado pelos cabos do semáforo e pela chuva ou de ter ficado espalmado na carroçaria do carro.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
30/01/07
12ª versão da morte de j.*
j. estava um bocado decepcionado consigo próprio… tinha concorrido ao “um contra todos”, com a grande fé que ia conseguir chegar à cadeira principal, fazer um brilharete e sair de lá com uns trocos acrescentados, e até já tinha preparado a frase final com que ia brindar o apresentador: “já posso dizer que fui tão feliz num programa de televisão”, e depois fazia o seu mais sedutor para a câmara.
realmente, chegou à cadeira principal, mas falhou logo na 5ª pergunta, sobre geografia de portugal - diga qual a ilha onde fica o concelho de santa cruz das flores: a) ilha das flores; b) ilha da madeira; c) ilha graciosa. achou que ilha das flores era uma resposta demasiado óbvia, mas tinha a ideia que não seria na madeira, não quis comprar a resposta, e apostou na ilha graciosa. afinal, era a resposta óbvia.
no caminho para casa, resolveu parar num café. estava um bocadinho em baixo, e sem saber bem como ia contar à mariana que afinal os seus planos para férias tinham de ser adiados quando, no momento em que ia pagar, reparou que tinha o talão do euromilhões na carteira e lembrou-se de confirmar se lhe teria saído pelo menos dinheiro para pagar a aposta.
de repente, o dono do café ficou muito vermelho e exaltado:
“óh amigo! óh amigo! saiu-lhe aqui um prémio de quase 5000 euros! parabéns!”
foi um alvoroço generalizado no café, j. viu mais pessoas a desejarem-lhe as felicidades do que em toda a sua vida. mas, de repente, num ímpeto para evitar mais um abraço, deu dois passos para trás, não reparou que se estava a pôr no caminho de um jogo de dardos e, lamentavelmente, levou com um dardo certo no olho direito. com a dor e com o susto, nem percebeu como tropeçou no gato do café (que, por acaso, estava bastante assustado com toda a agitação que se estava a viver), nem como acabou por cair em cima da arca dos gelados, com a veia jugular cortada pelos vidros.
o dono do café ainda hesitou um bocado antes de devolver o talão premiado à família de j., mas era um homem honesto e, além disso, conseguiu chegar a acordo para lhe pagarem os estragos: o vidro da arca dos gelados e super-maxi e magnuns (de diferentes qualidades), no valor de 340€, que ficaram incapazes de serem vendidos devido ao banho de sangue que levaram.
por sorte, o gato não teve nenhuma consequência de saúde que precisasse de acompanhamento veterinário.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
realmente, chegou à cadeira principal, mas falhou logo na 5ª pergunta, sobre geografia de portugal - diga qual a ilha onde fica o concelho de santa cruz das flores: a) ilha das flores; b) ilha da madeira; c) ilha graciosa. achou que ilha das flores era uma resposta demasiado óbvia, mas tinha a ideia que não seria na madeira, não quis comprar a resposta, e apostou na ilha graciosa. afinal, era a resposta óbvia.
no caminho para casa, resolveu parar num café. estava um bocadinho em baixo, e sem saber bem como ia contar à mariana que afinal os seus planos para férias tinham de ser adiados quando, no momento em que ia pagar, reparou que tinha o talão do euromilhões na carteira e lembrou-se de confirmar se lhe teria saído pelo menos dinheiro para pagar a aposta.
de repente, o dono do café ficou muito vermelho e exaltado:
“óh amigo! óh amigo! saiu-lhe aqui um prémio de quase 5000 euros! parabéns!”
foi um alvoroço generalizado no café, j. viu mais pessoas a desejarem-lhe as felicidades do que em toda a sua vida. mas, de repente, num ímpeto para evitar mais um abraço, deu dois passos para trás, não reparou que se estava a pôr no caminho de um jogo de dardos e, lamentavelmente, levou com um dardo certo no olho direito. com a dor e com o susto, nem percebeu como tropeçou no gato do café (que, por acaso, estava bastante assustado com toda a agitação que se estava a viver), nem como acabou por cair em cima da arca dos gelados, com a veia jugular cortada pelos vidros.
o dono do café ainda hesitou um bocado antes de devolver o talão premiado à família de j., mas era um homem honesto e, além disso, conseguiu chegar a acordo para lhe pagarem os estragos: o vidro da arca dos gelados e super-maxi e magnuns (de diferentes qualidades), no valor de 340€, que ficaram incapazes de serem vendidos devido ao banho de sangue que levaram.
por sorte, o gato não teve nenhuma consequência de saúde que precisasse de acompanhamento veterinário.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
23/01/07
11ª versão da morte de j. *
j. estava um bocadinho ansioso, desde o primeiro dia em que tinha começado a dar aulas naquela escola que tinha reparado na mélinha, uma tímida professora de português, com uns encantadores olhos azuis, e, ao cabo de uns meses de conversa de circunstância na sala dos professores (abençoada a problemática turma do 7.º G que tinham em comum), finalmente ela tinha aceite o seu convite para jantar, seguido de uma ida ao cinema – para que não duvidasse das suas melhores intenções, aproveitava o gosto que tinham em comum pelo cinema de ang lee, bem como a sorte de ter descoberto uma reposição de “banquete de casamento”, na sessão da meia noite, para dar tempo para uma boa conversa durante o jantar.
tinha preparado uma ementa simples, mas toda elaborada por ele: queijinhos recheados, um arroz de pato de se lhe tirar o chapéu, e uns morangos gratinados para sobremesa… o vinho também estava escolhido a rigor… tudo parecia bem encaminhado quando começou a preparar os queijinhos e acho que, se calhar, os pimentos do recheio seriam um bocadinho pesados para o jantar, e nada seria mais desagradável que ver a mélinha com um ar esverdeado, em plena paragem de digestão.
ainda tinha algum tempo, por isso achou melhor ir num instante ao supermercado ver se encontrava os ingredientes para fazer umas tostas de pêra e queijo.
enquanto estava na secção da frutaria à procura das pêras williams, passou, de repente uma criança a fugir da mãe, deu um encontrão contra o expositor das laranjas e derramou-as todas no chão, por sorte, j. estava atento, não escorregou em nenhuma delas, e ainda foi a tempo de apanhar a criança pelo braço e de a entregar à mãe que se desfez em desculpas.
já de saída, ao passar pelo corredor dos produtos de limpeza, também por sorte, reparou que o chão estava sujo com um líquido que se tinha derramado, e pensou que a ida ao supermercado estava a transformar-se numa corrida de obstáculos.
só não reparou, ao chegar à caixa para pagar as compras, que a senhora que estava à sua frente e que tinha acabado de comprar uma faca de trinchar, tinha tirado o invólucro protector e estava a explicar, efusivamente, à menina da caixa a boa qualidade da faca e como era aguçado o seu gume, nem teve tempo para se desviar quando a senhora se virou, de repente, e, inadvertidamente, lhe espetou a faca no abdómen, causando-lhe danos internos irreversíveis (nem sobreviveu à chegada da ambulância).
desde que descobriu o que se passou, no dia seguinte, a mélinha nunca mais aceitou convites de colegas para jantar, e reduziu a conversa com os professores de filosofia ao mínimo imprescindível.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
tinha preparado uma ementa simples, mas toda elaborada por ele: queijinhos recheados, um arroz de pato de se lhe tirar o chapéu, e uns morangos gratinados para sobremesa… o vinho também estava escolhido a rigor… tudo parecia bem encaminhado quando começou a preparar os queijinhos e acho que, se calhar, os pimentos do recheio seriam um bocadinho pesados para o jantar, e nada seria mais desagradável que ver a mélinha com um ar esverdeado, em plena paragem de digestão.
ainda tinha algum tempo, por isso achou melhor ir num instante ao supermercado ver se encontrava os ingredientes para fazer umas tostas de pêra e queijo.
enquanto estava na secção da frutaria à procura das pêras williams, passou, de repente uma criança a fugir da mãe, deu um encontrão contra o expositor das laranjas e derramou-as todas no chão, por sorte, j. estava atento, não escorregou em nenhuma delas, e ainda foi a tempo de apanhar a criança pelo braço e de a entregar à mãe que se desfez em desculpas.
já de saída, ao passar pelo corredor dos produtos de limpeza, também por sorte, reparou que o chão estava sujo com um líquido que se tinha derramado, e pensou que a ida ao supermercado estava a transformar-se numa corrida de obstáculos.
só não reparou, ao chegar à caixa para pagar as compras, que a senhora que estava à sua frente e que tinha acabado de comprar uma faca de trinchar, tinha tirado o invólucro protector e estava a explicar, efusivamente, à menina da caixa a boa qualidade da faca e como era aguçado o seu gume, nem teve tempo para se desviar quando a senhora se virou, de repente, e, inadvertidamente, lhe espetou a faca no abdómen, causando-lhe danos internos irreversíveis (nem sobreviveu à chegada da ambulância).
desde que descobriu o que se passou, no dia seguinte, a mélinha nunca mais aceitou convites de colegas para jantar, e reduziu a conversa com os professores de filosofia ao mínimo imprescindível.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
16/01/07
10ª versão da morte de j.*
j. estava muito confiante com o seu novo emprego de agente imobiliário, sentia que esta era a sua verdadeira vocação. embora todos os seus empregos tivessem sido na área das vendas (com uma curta passagem pela loja de ferragens do avô – que agora era uma cabeleireiro com spa que certamente faria o senhor andar às voltas na sua urna, mas que pagava uma belíssima renda –, uns anos passados na fnac, e, uma passagem por uma perfumaria onde conseguiu vendas nunca vistas na área da cosmética masculina), quando começou a formação desta grande imobiliária percebeu que era a área de trabalho (e as comissões) para que estava verdadeiramente talhado.
apesar do seu optimismo, a sua primeira saída para avaliação de uma casa sozinho não correu tão bem como esperava. estava a tirar notas sobre o estado da casa de banho (tinha uns azulejos que precisavam mesmo de ser pintados antes da primeira visita) quando começou a ouvir uns gritos nas traseiras da casa, olhou pela janela e apanhou um susto enorme: era uma discussão entre vizinhos, e tinha quase a certeza de que tinham sido atiradas pedras.
achou por bem sair dali rapidamente, por um lado, temia pela sua integridade física, por outro, teve a sensação que aquele espectáculo não era único, o que iria dificultar grandemente a apresentação da casa a eventuais interessados... o melhor era pedir conselho ao chefe. desculpou-se pela saída apressada, que contactaria os senhores ainda naquela tarde e pôs-se a caminho de volta para o escritório.
na 2ª circular foi ultrapassado por um porsche cayman, distraiu-se a pensar que não se importava nada de ser apanhado em excesso de velocidade ao volante de um carro daqueles, sorriu enquanto estabeleceu como objectivo de vida a compra de um porsche (o modelo havia de ser o melhor da época), nem reparou que um camião de carga tinha tido de se desviar, repentinamente, para a sua faixa, e não deixou qualquer marca de travagem do seu ford fiesta (que ficou completamente desfeito) no asfalto.
os bombeiros que foram ao local há bastante tempo que não tinham tanto trabalho a desencarcerar um cadáver e, ainda por cima, tiveram de chamar um autotanque para limpar os restos das galinhas (a carga do camião) que ficaram espalhados pela estrada.
ao condutor do camião, além do susto, restou a esperança que o seguro de j. estivesse ordem, alguém ia ter de pagar todos aqueles danos.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
apesar do seu optimismo, a sua primeira saída para avaliação de uma casa sozinho não correu tão bem como esperava. estava a tirar notas sobre o estado da casa de banho (tinha uns azulejos que precisavam mesmo de ser pintados antes da primeira visita) quando começou a ouvir uns gritos nas traseiras da casa, olhou pela janela e apanhou um susto enorme: era uma discussão entre vizinhos, e tinha quase a certeza de que tinham sido atiradas pedras.
achou por bem sair dali rapidamente, por um lado, temia pela sua integridade física, por outro, teve a sensação que aquele espectáculo não era único, o que iria dificultar grandemente a apresentação da casa a eventuais interessados... o melhor era pedir conselho ao chefe. desculpou-se pela saída apressada, que contactaria os senhores ainda naquela tarde e pôs-se a caminho de volta para o escritório.
na 2ª circular foi ultrapassado por um porsche cayman, distraiu-se a pensar que não se importava nada de ser apanhado em excesso de velocidade ao volante de um carro daqueles, sorriu enquanto estabeleceu como objectivo de vida a compra de um porsche (o modelo havia de ser o melhor da época), nem reparou que um camião de carga tinha tido de se desviar, repentinamente, para a sua faixa, e não deixou qualquer marca de travagem do seu ford fiesta (que ficou completamente desfeito) no asfalto.
os bombeiros que foram ao local há bastante tempo que não tinham tanto trabalho a desencarcerar um cadáver e, ainda por cima, tiveram de chamar um autotanque para limpar os restos das galinhas (a carga do camião) que ficaram espalhados pela estrada.
ao condutor do camião, além do susto, restou a esperança que o seguro de j. estivesse ordem, alguém ia ter de pagar todos aqueles danos.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
09/01/07
9ª versão da morte de j.*
ao cabo de uma semana engripado, j. acordou muito bem disposto, vestiu o seu fato preferido, com a gravata azul claro que lhe realçava o tom dos olhos, e preparou a mochila para ir ao ginásio no intervalo para almoço.
era uma coisa que o divertia, ir na rua, todo bem vestido, com a mochila com o equipamento do ginásio às costas. além disso, ainda se lembrava que a sónia, uma das instrutoras, tinha sido particularmente simpática na última vez que lá tinha ido. ele até lhe tinha feito um convite para irem jantar, e ela tinha respondido com um “logo se vê”, j. estava convencido que com uma insistência agradável, era capaz de ter sorte e de ela concordar com o jantar. e depois logo se veria, como ela própria tinha dito…
sentiu-se um bocadinho contrariado quando chegou ao ginásio e percebeu que era o dia de folga de sónia, mesmo assim, fez todos os seus exercícios e adiou a intenção do convite para a próxima oportunidade.
já ia de volta para o escritório, quando passou por um prédio que estava em obras, com uns andaimes, estava a contornar a estrutura, quando, de repente, ouviu “ATEN…”, e levou com um bloco de cimento na cabeça, mesmo com a quina do bloco, que o deixou com a cabeça aberta, no meio das avenidas novas.
no ginásio estranharam que ele nunca mais lá tivesse ido, mas não era o primeiro sócio que pagava um ano inteiro, depois se fartava, sem dar satisfações, e nunca mais lá aparecia, portanto, deixaram por isso mesmo.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
era uma coisa que o divertia, ir na rua, todo bem vestido, com a mochila com o equipamento do ginásio às costas. além disso, ainda se lembrava que a sónia, uma das instrutoras, tinha sido particularmente simpática na última vez que lá tinha ido. ele até lhe tinha feito um convite para irem jantar, e ela tinha respondido com um “logo se vê”, j. estava convencido que com uma insistência agradável, era capaz de ter sorte e de ela concordar com o jantar. e depois logo se veria, como ela própria tinha dito…
sentiu-se um bocadinho contrariado quando chegou ao ginásio e percebeu que era o dia de folga de sónia, mesmo assim, fez todos os seus exercícios e adiou a intenção do convite para a próxima oportunidade.
já ia de volta para o escritório, quando passou por um prédio que estava em obras, com uns andaimes, estava a contornar a estrutura, quando, de repente, ouviu “ATEN…”, e levou com um bloco de cimento na cabeça, mesmo com a quina do bloco, que o deixou com a cabeça aberta, no meio das avenidas novas.
no ginásio estranharam que ele nunca mais lá tivesse ido, mas não era o primeiro sócio que pagava um ano inteiro, depois se fartava, sem dar satisfações, e nunca mais lá aparecia, portanto, deixaram por isso mesmo.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
26/12/06
8ª versão da morte de j.*
o natal de j. foi calmo, frio, em família, na aldeia à beira de abrantes.
dia 25 guardou todos os seus presentes (cheques-oferta, meias, camisolas, um casacão, os dvds dos filmes alien - com direito à caixa com a cabeça do bicho e tudo) na bagageira e dirigiu-se de volta a lisboa, só os dois livros de auto-ajuda, ficaram distraidamente em casa da avó, achou que deviam servir de bom treino de leitura para os primos franceses quando viessem passar férias de verão.
pelo caminho apanhou alguns sustos com o trânsito, cruzou-se com uns condutores demasiado lentos, outros demasiado apressados, uns acidentes desagradáveis que conseguiu evitar (um mesmo em cima da hora), por sorte, o tempo estava seco e não havia nenhum animal perdido na auto-estrada, pelo que, apesar de cansado, chegou bem disposto a casa.
aliás, o dia estava a correr-lhe bem e até conseguiu um lugar para estacionar mesmo em frente à porta do prédio onde morava. só se atrapalhou um bocado à procura da chave da porta, porque já tinha pegado nos sacos da roupa, mais nos dos presentes, nesta altura, de repente, deu um passo ao lado e reparou que pisou uma poça de água (porque é que não tinha calçado uns sapatos com sola de borracha? este fim de dia estava a ficar azarado), desequilibrou-se, deixou cair o saco onde tinha os dvds, rogou uma praga em voz baixa, apoiou-se na parede mesmo antes de reparar que estava um cabo eléctrico com os fios à vista, sentiu um choque eléctrico e pensou que estava transformado numa árvore de natal iluminada.
a vizinha do 6º-C, ia tendo uma coisinha má quando encontrou o corpo mas, enquanto estava a ligar para o 112, lembrou-se que o apartamento que ele ocupava era maior que o dela, e do mesmo senhorio, agora era uma boa altura para mudar de apartamento, mesmo que a renda fosse um bocadinho mais alta, ia ser aumentada no princípio do ano.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
dia 25 guardou todos os seus presentes (cheques-oferta, meias, camisolas, um casacão, os dvds dos filmes alien - com direito à caixa com a cabeça do bicho e tudo) na bagageira e dirigiu-se de volta a lisboa, só os dois livros de auto-ajuda, ficaram distraidamente em casa da avó, achou que deviam servir de bom treino de leitura para os primos franceses quando viessem passar férias de verão.
pelo caminho apanhou alguns sustos com o trânsito, cruzou-se com uns condutores demasiado lentos, outros demasiado apressados, uns acidentes desagradáveis que conseguiu evitar (um mesmo em cima da hora), por sorte, o tempo estava seco e não havia nenhum animal perdido na auto-estrada, pelo que, apesar de cansado, chegou bem disposto a casa.
aliás, o dia estava a correr-lhe bem e até conseguiu um lugar para estacionar mesmo em frente à porta do prédio onde morava. só se atrapalhou um bocado à procura da chave da porta, porque já tinha pegado nos sacos da roupa, mais nos dos presentes, nesta altura, de repente, deu um passo ao lado e reparou que pisou uma poça de água (porque é que não tinha calçado uns sapatos com sola de borracha? este fim de dia estava a ficar azarado), desequilibrou-se, deixou cair o saco onde tinha os dvds, rogou uma praga em voz baixa, apoiou-se na parede mesmo antes de reparar que estava um cabo eléctrico com os fios à vista, sentiu um choque eléctrico e pensou que estava transformado numa árvore de natal iluminada.
a vizinha do 6º-C, ia tendo uma coisinha má quando encontrou o corpo mas, enquanto estava a ligar para o 112, lembrou-se que o apartamento que ele ocupava era maior que o dela, e do mesmo senhorio, agora era uma boa altura para mudar de apartamento, mesmo que a renda fosse um bocadinho mais alta, ia ser aumentada no princípio do ano.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
19/12/06
7ª versão da morte de j.*
j. estava ligeiramente apreensivo, era a noite do jantar de natal da empresa onde trabalhava desde março, portanto, era o primeiro jantar de natal a que ia na companhia dos restantes funcionários e, ao longo desses meses, já se tinha apercebido de algumas intrigas e inimizades entre os funcionários que procurava evitar.
nesse ano, ainda por cima, o chefe tinha-se esmerado nos preparativos, fez reservas num restaurante acabado de inaugurar, que ficava num 16º andar e que tinha uma vista soberba sobre o tejo e a margem sul… à última da hora não conseguiu arranjar nenhum argumento que pudesse justificar a sua ausência, e lá foi.
no decurso do jantar provou-se, mais uma vez, que o vinho (tinto ou branco, havia para os dois gostos) é o melhor meio de garantir amizades, de tornar as pessoas mais agradáveis e até mais atractivas, aliás, a solange (secretária do chefe) estava particularmente engraçada, era capaz de jurar que até tinha trocado a cor do cabelo, tinha um brilho acobreado diferente que lhe dava muita graça.
deu por si entusiasmado, a pensar que este jantar se estava a revelar uma belíssima ideia quando, de repente, os restantes convivas começaram a cantar “e se o j. quer ser cá da malta, tem de tomar o copo todo até ao fim, até ao fim…”, teve uma lembrança terrível do primeiro jantar de caloiro a que tinha ido (a pior carraspana da sua vida), levantou-se de supetão, desequilibrou-se, deu dois passos atrás, tentou equilibrar-se, mas a janela estava entreaberta e caiu do 16º andar, em cima do audi tt do chefe que tinha tido imensa sorte a parar o carro mesmo em frente ao restaurante.
a partir desse fatídico natal, nunca mais aquela empresa organizou jantares de natal.
* eu posso ser contra a pena de morte, mas o acidentes acontecem…
nesse ano, ainda por cima, o chefe tinha-se esmerado nos preparativos, fez reservas num restaurante acabado de inaugurar, que ficava num 16º andar e que tinha uma vista soberba sobre o tejo e a margem sul… à última da hora não conseguiu arranjar nenhum argumento que pudesse justificar a sua ausência, e lá foi.
no decurso do jantar provou-se, mais uma vez, que o vinho (tinto ou branco, havia para os dois gostos) é o melhor meio de garantir amizades, de tornar as pessoas mais agradáveis e até mais atractivas, aliás, a solange (secretária do chefe) estava particularmente engraçada, era capaz de jurar que até tinha trocado a cor do cabelo, tinha um brilho acobreado diferente que lhe dava muita graça.
deu por si entusiasmado, a pensar que este jantar se estava a revelar uma belíssima ideia quando, de repente, os restantes convivas começaram a cantar “e se o j. quer ser cá da malta, tem de tomar o copo todo até ao fim, até ao fim…”, teve uma lembrança terrível do primeiro jantar de caloiro a que tinha ido (a pior carraspana da sua vida), levantou-se de supetão, desequilibrou-se, deu dois passos atrás, tentou equilibrar-se, mas a janela estava entreaberta e caiu do 16º andar, em cima do audi tt do chefe que tinha tido imensa sorte a parar o carro mesmo em frente ao restaurante.
a partir desse fatídico natal, nunca mais aquela empresa organizou jantares de natal.
* eu posso ser contra a pena de morte, mas o acidentes acontecem…
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