o noticiário da tvi (fonte infinita de informação útil e fidedigna) abriu com o major valentim loureiro a reclamar, a propósito do metro do porto que alargou mais um bocado da linha até à maia, que o porto não pode ser menos que lisboa, na linha de: esses-governantezinhos-de-lisboa-que-se-livrem-de-cortar-a-corrente-de-euros-que-alimenta-esta-obra-que-vem-beneficiar-o-norte-tão-prejudicado-ao-longo-de-tantos-séculos-pelos-porcos-do-sul.
geralmente, quando vejo o major à frente das câmaras de televisão, vou-me preparando para algo de emocionante (não só com ele, o presidente do arquipélago vizinho, por exemplo, também já me arrancou algumas sonoras gargalhadas) mas, desta vez, fiquei a pensar mais um bocado sobre o direito que todos nós (portugueses em geral) temos de ter um metro à mão de semear.
é verdade... depois de 10 anos a viver em lisboa e a usar o metro quase diariamente, nestes 8 meses em que voltei a morar em s. miguel, o belo do metro é das coisas de que sinto falta (o metro... o almoço, ao domingo, na cafetaria do museu das janelas verdes; acordar cedo para ir à feira da ladra; os insultos dos velhos nos autocarros da carris - quando não me eram dirigidos, eram divertidos e educativos... enfim, emoções que não há nesta ilha pacata).
posto isto, e considerando a proximidade do período eleitoral tenho uma proposta a apresentar ao município de ponta delgada, com a possibilidade de haver cooperação com os restantes municípios, e o apoio económico do governo central: porque não construir um metro em s. miguel?
admiremos as potencialidades da coisa, não só tem a utilidade prática de não ter de subir a cidade a pé, com chuva e ventos fortes que partem até os guarda-chuvas mais resistentes, o que é um bocado desagradável, como tem a vantagem turística de mostrar o admirável mundo subterrâneo a todos os interessados.
sim, cá vai o meu arrojado plano: os túneis seriam de um material transparente, e altamente resistente, de modo a permitir que se admirasse devidamente o fundo da doca, os cascos dos barcos na marina, a maravilhosa fauna marítima rente à costa, mais para a terra, os túneis seriam profundos o suficiente para que se pudesse ver um bocadinho de magma aqui, outro ali mais à frente, podiam passar por algumas das nossas bonitas grutas, de que poucos têm conhecimento... era juntar o bem-estar da nossa população, às inovadoras vantagens turísticas (não me consta que plano tão escanifobético já tenha sido posto em prática).
se o nosso governo quer construir o aeroporto da ota e um tgv entre localidades que nem permitem que se atinja a velocidade máxima, e franzem o nariz a uma obra que me parece útil e que serve muita gente na sua vida diária (como é o metro do porto), porque não partir para este projecto perfeitamente viável?
empregavam-se engenheiros e comissões de estudos várias durante décadas, havia lugar para operários imigrantes do leste, africanos e, até, açorianos. consigo mesmo um tacho para os amigos advogados, a resolver todos os problemas de expropriações, com os vários contratos de trabalho, responsabilidades por danos, sei lá que mais... um poço sem fundo de intervenções jurídicas.
quer-me parecer que esta é uma obra faraónica, mas inovadora; arrojada, mas possível; inútil e, portanto, perfeitamente aceitável pelos actuais padrões da política nacional; logo, uma ideia a considerar seriamente.
e agora, o telejornal do canal 1 informa que os cientistas estão histéricos com uma lagosta azul... já não se pode tentar ser diferente!
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