17/08/17

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- como está o senhor, bem disposto?
- vou andando... a senhora é que está demasiado magra! essa mania das senhoras com as magrezas é muito triste, não se deviam deixar ficar assim!
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pedacinho de uma conversa trágica com a qual me cruzei muito rapidamente, sem que fosse chamada a intervir, graças a muita sorte.
a falta de filtro e de cortesia atingiu mínimos impressionantes.

15/08/17

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- no início mal podíamos esperar por ir para o fórum, lembra-se? o entusiasmo dialético apoderava-se de nós, éramos a equipa a derrotar e isso, minha querida, nunca aconteceu! acho que nunca verbalizei o orgulho que sinto na nossa dinâmica argumentativa e, em especial, na sua brilhante capacidade para fundamentar as mais extraordinárias relações causais. 
- meu caro, no início, como agora, uma senhora com a motivação certa defende convincentemente uma coisa e o seu contrário para se desembaraçar de situações desagradáveis. só aturava o possidonismo do fórum por saber que teria a recompensa das termas e a certeza de uns momentos de descanso, sem a presença de pedantes. julguei que já se teria apercebido desses factos, não se finja escandalizado. 

14/08/17

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andava a edp a insistir tanto comigo para trocar o contador da luz que, contrariadamente, acedi (o que tem de ser tem muita força e eu aprecio a comodidade da energia elétrica na minha casa, não quero estorvar quem a fornece).
posto isto, às 8 da madrugada, estava prontinha para receber o técnico (que eu não abro a porta a estranhos mal enjorcada), que chegou às 9 da matina (podia ter sido pior, podia ter chegado às 10.15, isso teria sido uma enorme contrariedade) e que, com a sua sóbria postura do leste da europa, me explicou que, a partir de agora, será excelente não ter de ser eu a comunicar leituras de luz, que a comunicação se faz automaticamente.
pus os óculos no nariz (para melhor apreciar a máquina e interiorizar o conceito) e, além de não ter percebido como é que o sistema poderá funcionar, fiquei a pensar que acabei de autorizar mais uma intromissão big brotheriana na minha vida.
isto não deixa de me fazer alguma espécie.

13/08/17

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recorda a nossa primeira casa, meu amor? era modesta, mas por dentro era confortável e acolhedora, numa daquelas ruas encantadoras de alfama. só era desagradável quando falhavam as pilhas do flutuador.
era a nossa versão de uma cabana à medida do nosso amor, depois o amor cresceu, diminuiu, voltou a crescer, minguou mais um pouco, mas isso agora não interessa... será que ainda existe o flutuador?