20/02/17

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ontem vi a 1.ª semifinal do festival da canção, que é como quem diz, mudei o canal para  rtp1 já no final e fiz uso das gravações para ver tudo em velocidade da luz, já que o espetáculo preparado não me mereceu muito carinho, mas teve a virtude de me fazer investigar o que este salvador sobral canta.

não se perdeu tudo.








18/02/17

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acrescentai umas tentativas engraçadas de dizer alguma coisa em português (substituindo as mesmas tentativas em francês) e ficais com uma ideia muito próxima do que foi o mais divertido concerto a que já assisti.

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serei só eu quem acha que as referências napoleónicas entusiasmam o uso da segunda pessoa do plural?

17/02/17

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ia na converseta com uma amiga, passeio fora, eis senão quando olho para dentro de uma pastelaria e vejo uma cara que reconheço. tive a nítida sensação que a cara me viu e que também me reconheceu, afinal foi um conhecimento de algum tempo, interrompido apenas há um ano, graças a um acumular de pequenas coisas extraordinariamente imbecis que corroem as relações com fundações frágeis e desnecessárias teias de enganos. aliás, que corroem qualquer tipo de relação, independentemente da sua natureza. além de eu ter feito uma careta enquanto tentava reconhecer a cara, não esbocei qualquer cumprimento. a cara também não me acenou sequer. desatei a rir e a amiga perguntou-me se me tinha caído alguma gota de água de um ar condicionado na cabeça.
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saltei um batimento cardíaco com o susto do encontro inesperado, mas a gargalhada foi a confirmação da total ausência de saudades.
e seguimos para comprar uns livros, que estas raparigas não perdem as suas listas de prioridades.

16/02/17

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a ligeira chuva já cansava a minha alma citadina, o frio pouco intenso também, e todos os dias consultava compulsivamente a previsão do tempo...
com a promessa de 18.ºc e um dia de sol, aperaltei-me com um esvoaçante vestido e sapatos primaveris e, à hora do almoço, fui até ao jardim ver os patos.
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depois os patos ficaram a aproveitar o sol e eu voltei para a secretária.
 

14/02/17

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manel dizia a maria, deveras enternecido, que nem conseguia imaginar como seria a vida sem a sua companhia, que o sol abria caminho por entre qualquer tempestade para iluminar os seus passos e que as rosas coravam de vergonha perante a sua beleza.
maria, no início, achou graça à coleção de clichés mas, com o tempo, percebeu que manel não conseguia produzir uma única frase original, já que até nos restaurantes repetia o pedido dela. farta, escolheu um dia de chuva para lhe oferecer um dicionário de lugares-comuns (na esperança que a próxima vítima se deparasse com um reportório mais variado) e acabar o namoro.
quando ele lhe perguntou como iria viver sem ela, maria pediu-lhe o telemóvel com um ar cúmplice, apagou o seu número da memória, deu-lhe um beijo e saiu da pastelaria sem nunca olhar para trás.

13/02/17

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o que faço eu após dias de frio e chuva? por um lado, agradeço não haver também neve na minha vizinhança, que não me dou com essas coisas; por outro lado, comecei a fazer pesquisa sobre as modas que a próxima primavera vai trazer.
e suspiro por sandálias, enquanto preparo o saco de água quente.

12/02/17

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esta rapariga foi, juntamente com duas amigas, a um concerto temático dedicado ao canto gregoriano. era de entrada livre e, à primeira vista, estava bastante desorganizado. quando chegamos à sala, já não havia cadeiras vazias, ficamos numa antecâmara, juntamente com os senhores do canto gregoriano que se preparavam para entrar, enquanto iam abanicando o incenso e intoxicando, sem misericórdia, quem ali estava pacatamente. finalmente foram cantar e abriu-se a janela para arejar. no breve intervalo do concerto, a doutora (só ouvi as pessoas a dirigir-se-se a ela desta maneira) que estava deseparadamente a tentar organizar a multidão em fúria que queria assistir a canto gregoriano sentada (ou seja, todos menos nós as três, que tínhamos decidido que a antecâmara era ótima para garantir uma saída estratégica) chega-se à nossa beira e confidencia que está desolada, porque um colega decidiu sabotar toda a sua (dela) organização e trocou a disposição das cadeiras, conseguindo subtrair 100 assentos. para confirmar, ela iria contá-las todas, uma por uma! mas não vou conseguir agora porque estava assoberbada... não faz mal, diz uma das amigas, a rita é ótima para contas e não se importa nada. foi assim que dei por mim a contar cabeças numa sala com uma média de idades à volta dos 60 anos. ia na cabeça 32 (uns 64 anos, cabelo pintado de castanho demasiado escuro e batom escarlate), quando essa senhora se vira para mim e me pediu o programa (assumindo que eu também seria uma organizadora). fui buscar o programa, delicadamente dei à senhora, recomecei a contagem. na minha metade da sala estavam 151 cabeças sentadas. a doutora da organização voltou à nossa companhia, perguntou-me qual era o meu número e, inconformada, informou que ia ver como estava a preparação do champanhe para, no final, se celebrar a música e a amizade.
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há muito tempo que não me ria com situações tão disparatadas, fiquei com a ideia que a doutora não tinha contado as cadeiras na sua metade e escapuli-me ao champanhe em copinho de plástico.