10/10/16

...

lá estava eu na plataforma do metro, um pedacinho fora de horas, como de costume, mas ainda dentro da margem de segurança, esperei um minutinho apenas, chegou o dito, sentei-me, abri o livro sobre o estado islâmico que me emprestaram, acho que quem me rodeia acha que estou a abusar dos policiais, só pode, como se alterasse a minha maneira prática de ver a vida, ainda pensei, assim de raspão, que era capaz de haver mais gente que o costume por causa da manifestação dos taxistas, na paragem seguinte sentaram-se à minha frente duas amostras de gente, com uns 5 anos, mais coisa menos coisa, os gémeos mário e márcio, que me impediram de ler fosse o que fosse, pois que primeiro custou muito ao mário sentar-se com as costas bem apoiadas, depois constatou que tinha as calças com rasgões nos joelhos, altura em que o márcio aproveitou para sublinhar que as suas calças não tinham rasgões, abençoada esta constante comparação entre irmãos, depois o márcio esteve a preparar papas na beira da janela da carruagem, comeram e estavam boas, mas precisavam de mais alguma coisa, portanto, ainda preparou um pãozinho com manteiga, mas o mário reclamou que queria antes com fiambre, nada que não se arranjasse, que a imaginação nunca deixa acabar as coisas verdadeiramente importantes, finalmente cheguei ao destino e separei-me dos dois metralhas, com alguma pena, mas foi tempo muito melhor empregado do que se estivesse estado atenta à leitura.

2 comentários:

euexisto disse...

beijinho, Rita

rita disse...

para ti também, miúdo. aposto que os meninos também partilhavam o pãozinho imaginário contigo.