tentar descrever o ruído que a carruagem de metro faz entre estações, quando o motorista se lembra que afinal o metro também tem horários e resolve acelerar, é difícil. a maior parte das vezes acho que será uma espécie de guincho profundo que impede qualquer pessoa de aceder aos próprios pensamentos, mas também pode ser um apelo desesperado de uma baleia, algures no meio do oceano, que se propaga por artes mágicas e que ninguém consegue verdadeiramente compreender.
o que me causa espécie é como e que a miúda que vai a discutir com o namorado ao telemóvel não parece estar incomodada. o estardalhaço exterior é-lhe indiferente, o monólogo é de tal modo forte que ela não precisa que ele ouça e nem sequer se põe em causa a possibilidade de ela o ouvir. apenas pretende lavrar as suas frustrações à frente de uma plateia de desconhecidos.
a dúvida que me fica é: o que será que se passou com a baleia no meio do oceano?
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