a época balnear estava a chegar ao fim e os fins de tarde já eram bem mais frios. da sua cadeira de nadador-salvador, manel contemplava o mar, na esperança de não ter de fazer mais nenhum salvamento. por sorte, àquela hora, só havia uma rapariga a passear à beira-mar, e estava vestida com calças e t-shirt. não se devia aventurar na água, por isso, era deixá-la estar quieta no seu passeio, e esperar que chegasse à hora do fim do turno.
depois de um dia infernal no trabalho, maria resolveu ir passear à beira-mar, tão repentinamente que nem foi buscar o fato de banho a casa, mas, ao chegar à praia, viu que o mar estava demasiado agitado, portanto dispensava o banho. de repente, apercebeu-se que a praia estava quase deserta, definitivamente o tempo tornava-se outonal, apenas viu o nadador-salvador, na sua cadeira, com um ar ausente a olhar o mar. maria pensou como devem ser difíceis as horas em que o nadador tem de estar na praia, mesmo que não haja potenciais vidas a salvar. deixá-lo estar quieto, entregue aos seus pensamentos.
1 comentário:
Gostei muito desta tua dupla perspectiva do mesmo acontecimento. Já me ocorreu escrever algo do género (numa dimensão maior) mas nunca consegui concretizar.
Parabéns!
Enviar um comentário