29/08/07

manel ia pela rua, quando, de repente, se apercebeu da presença de maria. a princípio, chamou-lhe a atenção pelo modo elegante com que andava e pela sua altura, um bocado acima da média mas, depois, a sua cara pareceu-lhe vagamente familiar, e isso fazia-lhe espécie.
ao cabo de um bocado a pensar no assunto, conseguiu localizá-la, tinham sido colegas de curso, mas ela, na altura, era muito menos interessante, com um ar muito mais gorducho e infantil, pelo que manel não tinha feito qualquer esforço para manterem contacto, apesar de ainda se terem cruzado nuns jantares de curso.
finalmente, ganhou coragem para a interpelar, “olá, como estás, maria? lembraste, fomos colegas de curso?”
maria estranhou a interpelação, respondeu que não se lembrava dele.
“pois é… mudamos com a idade, tu também me pareces muito mais alta, aliás, foi isso que me fez demorar mais tempo para te reconhecer”, respondeu ele com um sorriso que pretendia sedutor.
maria respondeu que a altura se devia às suas socas*, que, de facto, não se conseguia lembrar de manel, e ainda que, lamentavelmente, estava com pressa para um compromisso. estugou o passo e deixou manel parado no meio do passeio.



*fantásticas, de sola de cortiça, com 2,5 cm de altura na parte dos dedos, 6 cm de altura na zona do calcanhar, e com uma simples tira de couro castanho no peito do pé... daquelas que custam os olhos da cara, mas que compensam no aumento da auto-estima provocado.

2 comentários:

Rui Silva disse...

Cheira-me que esta história se passou depois de senhora dona Rita ter visto umas socas fantásticas e ter ficado escandalizada com o preço das mesmas.

rita disse...

nope... esta história foi inspirada a olhar para os meus próprios pézinhos.
o escândalo com o preço foi superado pelo conforto das ditas socas conjugado com o facto de me porem à volta do metro e 75.
nem esperei pelos saldos, para ter a certeza que o meu número não desaparecia... shame on me...