01/05/07

23ª versão da morte de j.*

j. estava estourado, mas satisfeito como há muito tempo não acontecia. depois de umas semanas de trabalho intensivo, em que nem tinha conseguido sair com os amigos, ir ao cinema com a zézinha, ou sequer folhear uma revista de carros que fosse, no dia do trabalhador conseguiu acabar os relatórios dos três anos de trabalho como consultor com que já contava, e estava convencido que ia conseguir a promoção que lhe tinha sido negada no ano anterior.
a ensombrar-lhe o dia, estava a descoberta de que o carro tinha sido rebocado por ter ficado estacionado em frente a uma boca de incêndio (quem diria que a polícia havia de estar tão atenta? ele, de certeza, estava bastante distraído quando lá tinha deixado o carro), mas, mesmo assim, decidiu que havia coisas piores na vida, e achou que era boa ideia usar o metro para ir ter com a zézinha (que havia de o levar ao parque para levantar o carro), tinha receio de ficar preso no trânsito com manifestações do dia do trabalhador.
na plataforma, aproximou-se do traço amarelo quando sentiu que se aproximava o metro, de repente, gerou-se uma confusão enorme, e logo percebeu que eram pessoas que regressavam da manifestação. distraiu-se com as bandeiras e animação gerais, deu um passo em falso, e caiu na linha mesmo quando o comboio ia a abrandar, mas sem tempo para o motorista evitar a tragédia.
os manifestantes perderam alguma da boa disposição quando perceberam que a linha ia ter de fechar um bocado para limpeza, e acabaram por ir apanhar autocarros da carris.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

1 comentário:

Rui Silva disse...

j. a empatar a mobilidade dos Lisboetas. Vai passar de amado a odiado. É bom estar de volta :P