depois de ter passado umas horas um bocado desiludido, após o desembarque do avião, porque não parava de chuviscar e o céu estava completamente cinzento, j. nem queria acreditar como o tempo tinha ficado tão bonito, com o céu completamente descoberto e o sol quente e agradável.
decidiu que, afinal, esta visita a s. miguel prometia ser um sucesso, estava com mais 4 amigos da faculdade, acantonados na casa de férias dos pais de um deles, com um carro à disposição e, finalmente, viu que era possível haver bom tempo na ilha de bruma, mal podia esperar para poder experimentar a temperatura da água do mar.
mas, entretanto, tinham começado por uma visita às furnas, e estavam bastante impressionados com as caldeiras vulcânicas que lá há: água e lama a escaldar numa zona e terra absolutamente normal, onde se podia andar sem problema nenhum, mesmo ao lado. uma das coisas em que repararam foi que aquela zona não estava muito bem protegida, e um vendedor de milho cozido nas caldeiras (outro grande mistério para ele: como é que era possível cozer comida na terra?, e o que tinha levado a primeira pessoa a experimentar semelhante coisa?) assustou-os dizendo que já tinha acontecido turistas distraídos caírem nas caldeiras e “morrerem a morte dos infernos”.
j. ficou sem saber se tinha percebido bem a história (afinal o vendedor tinha uma pronúncia cerrada), e se este seria um mito local para assustar turistas, mas achou por bem tirar fotografias a uma distância segura, e experimentar antes as várias nascentes de água, enquanto os amigos se aproximavam mais das zonas de perigo.
finalmente conseguiu convencer os amigos a voltarem para ponta delgada, para tentarem apreciar um pouco da paisagem ainda antes de o sol se por, afinal no caminho de ida, como o tempo estava cinzento, não tinham conseguido ver muito, e pôs-se ao volante de um suzuki maruti azul berrante (o carrito mais em conta que o rent-a-car tinha à disposição), enquanto os restantes faziam troça por ele não se ter aproximado das caldeiras.
já iam a meio caminho de vila franca do campo, quando reparam que havia uma sombra no horizonte e estavam a discutir se seria a ilha de santa maria. j. também teve de desviar o olhar da estrada para ver se a sombra parecia uma ilha, mesmo na altura em que saiu uma vaca a correr de um pasto e j. não conseguiu evitar atropelá-la.
os amigos saíram do suzuki completamente atordoados, sem quererem acreditar como é que o carro não tinha ficado mais desfeito e como é que eles não tinham ficado magoados, quando repararam que o j. não tinha saído.
no entanto, mesmo que não tivesse tido morte imediata não podia sair do carro, os cornos da vaca tinham atravessado o seu tronco e ele tinha ficado preso ao assento do carro.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
4 comentários:
Minha nossa, desta vez até me arrepiei!!! olha lá e o Boi sobreviveu?
Gostei, o toque regionalista dá-lhe outro sabor, deve ser do rossio do mar, da humidade da terra, ou do enxofre que sai da terra
Jocas
Bem nesta tua versão da morte do j. fico seriamente triste com a discriminação da vaca.
É explicado o estado físico de todos os intervenientes/ animais de duas patas e não explicas como é que ficou a pobre vaquita.
Está certo que esta é a morte de j., mas e então a vaca, não tem também direito?
E mais uma coisa. Esta tua história assemelha-se muito a uma tourada, mas em vez da espada, temos o carro! ABAIXO AS TOURADAS!
Já agora, fica-me a dúvida. O j. morreu ou não? Pk pode ter ficado preso pelos cornos da vaca, mas isso até nem é novidade. Veja-se o Pinto da Costa... Se calhar tb vai preso por ter posto os... Ah desculpa, não é disso que estamos a falar.
Bjs
humm... ó danny! eu digo que o homem teve morte imediata, aliás, ele tem sempre morte imediata.
no entanto, reconheço que não fui clara em relação ao triste fim da vaca. também se finou, essa é que é essa.
acho, honestamente, que embora atente contra os direitos dos bovinos micaelenses, foi uma morte necessária para um fim mais nobre.
Realmente discriminar a vaca devia ser pecado. Mas a morte, inequívoca, na minha opinião, está genial.
Enviar um comentário