ao cabo de uma semana engripado, j. acordou muito bem disposto, vestiu o seu fato preferido, com a gravata azul claro que lhe realçava o tom dos olhos, e preparou a mochila para ir ao ginásio no intervalo para almoço.
era uma coisa que o divertia, ir na rua, todo bem vestido, com a mochila com o equipamento do ginásio às costas. além disso, ainda se lembrava que a sónia, uma das instrutoras, tinha sido particularmente simpática na última vez que lá tinha ido. ele até lhe tinha feito um convite para irem jantar, e ela tinha respondido com um “logo se vê”, j. estava convencido que com uma insistência agradável, era capaz de ter sorte e de ela concordar com o jantar. e depois logo se veria, como ela própria tinha dito…
sentiu-se um bocadinho contrariado quando chegou ao ginásio e percebeu que era o dia de folga de sónia, mesmo assim, fez todos os seus exercícios e adiou a intenção do convite para a próxima oportunidade.
já ia de volta para o escritório, quando passou por um prédio que estava em obras, com uns andaimes, estava a contornar a estrutura, quando, de repente, ouviu “ATEN…”, e levou com um bloco de cimento na cabeça, mesmo com a quina do bloco, que o deixou com a cabeça aberta, no meio das avenidas novas.
no ginásio estranharam que ele nunca mais lá tivesse ido, mas não era o primeiro sócio que pagava um ano inteiro, depois se fartava, sem dar satisfações, e nunca mais lá aparecia, portanto, deixaram por isso mesmo.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
3 comentários:
Foi morte imediata ou ainda ficou em sofrimento estatelado no meio do chão? :P
rui, as mortes são sempre imediatas.
a minha crueldade tem conta, peso e medida, contento-me em matar o j. de maneiras rebuscadas, ele não precisa de sofrer demais no momento do triste pio (pelo menos, por enquanto).
Pois, la estou eu a ver a coisa pelo meu prisma sádico. Enfim...
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