j. estava muito confiante com o seu novo emprego de agente imobiliário, sentia que esta era a sua verdadeira vocação. embora todos os seus empregos tivessem sido na área das vendas (com uma curta passagem pela loja de ferragens do avô – que agora era uma cabeleireiro com spa que certamente faria o senhor andar às voltas na sua urna, mas que pagava uma belíssima renda –, uns anos passados na fnac, e, uma passagem por uma perfumaria onde conseguiu vendas nunca vistas na área da cosmética masculina), quando começou a formação desta grande imobiliária percebeu que era a área de trabalho (e as comissões) para que estava verdadeiramente talhado.
apesar do seu optimismo, a sua primeira saída para avaliação de uma casa sozinho não correu tão bem como esperava. estava a tirar notas sobre o estado da casa de banho (tinha uns azulejos que precisavam mesmo de ser pintados antes da primeira visita) quando começou a ouvir uns gritos nas traseiras da casa, olhou pela janela e apanhou um susto enorme: era uma discussão entre vizinhos, e tinha quase a certeza de que tinham sido atiradas pedras.
achou por bem sair dali rapidamente, por um lado, temia pela sua integridade física, por outro, teve a sensação que aquele espectáculo não era único, o que iria dificultar grandemente a apresentação da casa a eventuais interessados... o melhor era pedir conselho ao chefe. desculpou-se pela saída apressada, que contactaria os senhores ainda naquela tarde e pôs-se a caminho de volta para o escritório.
na 2ª circular foi ultrapassado por um porsche cayman, distraiu-se a pensar que não se importava nada de ser apanhado em excesso de velocidade ao volante de um carro daqueles, sorriu enquanto estabeleceu como objectivo de vida a compra de um porsche (o modelo havia de ser o melhor da época), nem reparou que um camião de carga tinha tido de se desviar, repentinamente, para a sua faixa, e não deixou qualquer marca de travagem do seu ford fiesta (que ficou completamente desfeito) no asfalto.
os bombeiros que foram ao local há bastante tempo que não tinham tanto trabalho a desencarcerar um cadáver e, ainda por cima, tiveram de chamar um autotanque para limpar os restos das galinhas (a carga do camião) que ficaram espalhados pela estrada.
ao condutor do camião, além do susto, restou a esperança que o seguro de j. estivesse ordem, alguém ia ter de pagar todos aqueles danos.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
3 comentários:
+ 1a vez BRILHANTE. Um grande bem haja à saga de J. que nos diverte todas as semanas.
Jocas
sabado começam os passeios
Desta vez superaste-te! Está mesmo mesmo fixe!
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