sobre a decisão de o rivoli ser gerido pelo sr. la féria nos próximos anos (que parece ainda não ser definitiva, embora provavelmente seja), no telejornal da sic, um popular disse: "a cultura não é para dar lucro".
a jornalista em voz-off diz que, no porto, não querem uma cultura que seja comercial.
e eu digo:
1º:
a) porque é que a cultura não há-de ter algum lucro?
b) um espectáculo conseguir pagar-se - sala, salários, luz, figurinos... - é motivo de vergonha?
2º:
a) eu, francamente, acho que as produções do sr. lá féria não são más de todo, embora um bocadinho popularuchas;
b) durante décadas este foi o país da revista à portuguesa e toda a gente ia assistir (e havia aplausos, coisa que me escapa totalmente, mas nunca me viram a fazer mais comentários depreciativos), parece que agora é que estão na fase de exigir espectáculos para a elite cultural, mas pagos por todos (porque parece que não se pagam a si próprios porque "a cultura não é para dar lucro").
3º:
a) eu gosto de produções experimentais, mas é com conta peso e medida, lá de volta e meia, não é por mim que estes espectáculos estariam sempre cheios;
b) fui a um único espectáculo no politiema (my fair lady), e achei um espectáculo bonito (a parte pior era a sala a abarrotar de pessoas que insistiam em falar para o lado, lá está, a parte que dá lucro).
4º:
estes adeptos da cultura haviam de ter a oferta cultural que ponta delgada tem, para verem o que é bom para a tosse (bem sei que, para estes senhores, a importância cultural entre o porto e esta humilde cidade no meio do atlântico plantada não deve ser comparável... mas hoje estou opinativa).
mesmo assim, ponta delgada está bem melhor que aqui há uns anos, temos estas duas salas (embora com poucos espectáculos, mas isso é detalhe): Coliseu Micaelense e Teatro Micaelense, 6 salas de cinema, e umas 4 galerias de arte (que me lembre).
3 comentários:
Apenas para dizer:
se o equipamento é publico deve servir os interesses culturais da cidade. veremos se é isso o que vai acontecer. Naturalmente que não discuto gostos.
Existem equipamentos culturais no Porto abandonados à espera que privados os ocupem e dinamizem, mas ao senhor Lá Feria interessou-se mais pela versão arrendamento de equipamento de qualidade pronto a usar. Não é de hoje que se conhece a vontade do senhor La feria assentar arreias no Porto. Não tenho nada contra, mas espero em breve conhecer os pormenores do dito contracto.
Estou, naturalmente, curioso, embora não espere surpreender-me, com o cartaz.
Espero que no final a Câmara Municipal do Porto não se tenha demitido de uma das suas responsabilidades culturais em troca de menos despesa e às custas da diminuição da diversidade cultural.
Se querem fazer um parque Mayer, na Baixa do Porto, estão no bom caminho é que o Teatro Sá da Bandeira está mesmo ali ao lado.
Não estou com isto a defender a situação em que se mantinha o Rivoli, mas será esta a melhor solução? É esta a diversidade cultural que a C.M.P. pretende para os seus munícipes?
Já tínhamos corridas de calhambeques, agora existe um reforço do teatrinho ligeiro só espero que em breve se criem mais umas quantas casas de fado, patrocinadas com dinheiros públicos, para voltarmos ao “antigamente”.
Mas será que estes senhores acham que somos todos burros e que temos de estar a aturar a ditadura do “entretém-te e vê se esqueces”. Já não basta a televisão, o que este senhor e outros passam na televisão, não é mercado e tempo de antena que baste. Mais, mais, mais e mais do mesmo!!!
E andava eu a pensar eu que diversidade era principio de evolução.
Realmente é um problema tremendo. Eu prefiro que o pouco com que contribuo para o orçamento geral de estado não seja gasto em cultura. Se eu me quiser cultivar, pago o bilhete do teatro, do cinema ou vou ao museu. Não preciso de pagar por algo que não vou usufruir. Ou o discurso das SCTU's serve só para as estradas que alguns utilizam e outros não?
midas, concordo contigo, e sublinho que importa, nesta fase, aguardar pelas cláusulas do contrato e ver no que vai dar esta novidade.
dou de barato ter tido uma reacção um pouco simplista, e não retiro importância a quem pretende outros fins para o teatro rivoli, mas irritou-me a conversa do outro senhor que escrevi logo no princípio. se a saúde e a educação não são de graça, a cultura também não deve ser. parece-me de elementar justiça no actual estado do país.
já se me perguntarem se educação, saúde e cultura deviam ser de graça, pois deviam! (ou perto disso) mas temos o país que nos calhou na rifa, não o que queríamos.
Enviar um comentário