j. estava ligeiramente apreensivo, era a noite do jantar de natal da empresa onde trabalhava desde março, portanto, era o primeiro jantar de natal a que ia na companhia dos restantes funcionários e, ao longo desses meses, já se tinha apercebido de algumas intrigas e inimizades entre os funcionários que procurava evitar.
nesse ano, ainda por cima, o chefe tinha-se esmerado nos preparativos, fez reservas num restaurante acabado de inaugurar, que ficava num 16º andar e que tinha uma vista soberba sobre o tejo e a margem sul… à última da hora não conseguiu arranjar nenhum argumento que pudesse justificar a sua ausência, e lá foi.
no decurso do jantar provou-se, mais uma vez, que o vinho (tinto ou branco, havia para os dois gostos) é o melhor meio de garantir amizades, de tornar as pessoas mais agradáveis e até mais atractivas, aliás, a solange (secretária do chefe) estava particularmente engraçada, era capaz de jurar que até tinha trocado a cor do cabelo, tinha um brilho acobreado diferente que lhe dava muita graça.
deu por si entusiasmado, a pensar que este jantar se estava a revelar uma belíssima ideia quando, de repente, os restantes convivas começaram a cantar “e se o j. quer ser cá da malta, tem de tomar o copo todo até ao fim, até ao fim…”, teve uma lembrança terrível do primeiro jantar de caloiro a que tinha ido (a pior carraspana da sua vida), levantou-se de supetão, desequilibrou-se, deu dois passos atrás, tentou equilibrar-se, mas a janela estava entreaberta e caiu do 16º andar, em cima do audi tt do chefe que tinha tido imensa sorte a parar o carro mesmo em frente ao restaurante.
a partir desse fatídico natal, nunca mais aquela empresa organizou jantares de natal.
* eu posso ser contra a pena de morte, mas o acidentes acontecem…
5 comentários:
Com um bocadinho de sorte ainda encontrou pelo caminho o Homem-Aranha francês, Alain Robert.
Já agora qual terá sido a ideia de por um Francês a fazer um anuncio destinado a Portugueses e falar Inglês???
Quanto ao J. Paz à sua alma!
Estás a ficar sublime. Começo a ficar teu fã, para alem de o ser do J.
Estas pouco impiedosa.
Já agora; o carro ficou muito estragado?
raquel, não sei se o j. se terá cruzado com o tal francês, como era só um 16º andar, se calhar não era muito apelativo para o senhor.
rui, o j. agradece mais uma vez a tua simpatia, e eu também :)
midas, o carro ficou bastante amolgado, e ficaram visceras espalhadas pelos destroços e no passeio, e um dos seus sapatos acertou num velho que estava a passear o cão e que aproveitou a boleia da ambulância que a solange chamou para o j., para ir ao hospital ver se não ficou com nenhum traumatismo craniano.
desde essa altura, os funcionários da empresa também passaram a ser obrigados a usar sapatos de atacadores (just in case).
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