31/10/06

à minha volta anda tudo entusiasmadíssimo com o halloween (assim mesmo, em inglês e tudo), e é coisa que me contraria...
pois, se já temos um carnaval, porque não desenvolver antes a tradição do pão por deus, pôr as crianças a pedir doces de porta em porta (mas a horas normais para as próprias crianças e não à noite) e incentivá-las a criar os poeminhas da praxe (não precisam de ser muito elaborados, qualquer criança sabe fazer rimas pobres, mas divertidas), em vez de absorvermos acriticamente a cultura americana?

entretanto, encontrei que, no brasil, o Pão-por-Deus (tal como foi levado pelos emigrantes açorianos - sim, houve um fluxo migratório destas ilhas para o sul do brasil de grande relevo) teve um desenvolvimento engraçado, passaram a ser os namorados a pedir amor - calculo que a esta altura, também seja tradição a cair em desuso, se houver alguém mais informado, faça favor de se acusar.
não deixa de ser uma ideia engraçada, e desde que haja para dar, acho brilhante pedir, não só guloseimas como amor.

6 comentários:

Midas disse...

pensava, num destes dias de sol, nessa ideia, que surge das novas fobias de nos americanizarmos, de sermos americanos de uma forma não forçada, porque gostamos de adquirir as práticas daqueles que para muitos são o expoente máximo da sociedade ocidental.
mesmo que não se perceba grande coisa do significado do dito ritual é de convir que encaixa quase na perfeição nosso calendário das festas pagãs. e acabou por ser uma forma de tornar o dia mais festivo.
Pois que seja, divirtam-se, se também faz parte da formula...

Quanto às práticas que os açorianos transportaram para o sul do Brasil... não tenho qualquer conhecimento*.Mas deve ser caldo cultural bonito de se ver. O que o "portuga" tem de fazer para levar a água ao moinho (nova aplicação de um ditado popular para passar a mais popular das ideias).

*Cá está mais uma vez patenteada a minha ignorância acerca das praticas culturais "além metrópole".

Midas disse...

Aviso:
o comentário que acabou de ser publicado neste blog foi redigido por um cidadão que momentaneamente perdeu os seus valores de referencia cultural.
È um vírus que anda a proliferar por ai e que não ataca aves.

melena disse...

aqui em casa Halloween não levam nada.

Pão por Deus, levam milho cozido

rita disse...

eu sabia que o trabalhito para relações culturais internacionais havia de me vir a ser muito útil na vida, portanto, cá fica a informação de utilidade pública:
(...) se tivermos em conta a provisão real de 9 de Agosto de 1747, estavam autorizados pelo rei a emigrar para o Brasil 4000 casais açorianos que, sendo compostos por uma média de 5 elementos, daria um total de 20000 pessoas a sairem do arquipélago. O grande interesse desta política partia do interesse real em promover o desenvolvimento e protecção do sul do Brasil que se via constantemente atacado pelas tropas espanholas, para isso eram necessários emigrantes em idades capazes de integrar os regimentos militares do Brasil bem como de contribuir para o desenvolvimento económico da zona sul do país que não tinha sido ainda sistematicamente ocupada.
Passados 11 anos, em 1758, a Coroa Portuguesa vê-se obrigada a estancar a emigração açoriana, impondo a obrigatoriedade do uso de passaporte e pesadas penas para emigrantes clandestino. Durante o século XIX a emigração para o Brasil vai decrescendo lenta e gradualmente, dando lugar à emigração para a América do Norte.
(...)
salvo erro, só me valeu um 15 (injusto).

e os miúdos ainda não aprenderam a vir bater às portas dos prédios, portanto, nem halloween, nem pão por deus (e ainda bem, que me esqueci de arranjar provisões adequadas à ocasião).

Anónimo disse...

Sugiro a celebração do 4 de Julho e o Dia de Acção de Graças.

Mais uns feriados´são sempre bons para a economica portuguesa.

rita disse...

ah... então se é para ter mais feriados pode ser...
mas, sempre me parece preferível, assim de repente, celebrarmos o dia em que a padeira atirou com os espanhóis para o forno, o dia em que camões apresentou os lusíadas a d. sebastião, o dia em que nasceu eça de queirós.
são só umas datas avulso, mas a história portuguesa está pejadinha de boas datas.