mas isto já foi a conversa entre a meia noite e a 1 da manhã... antes disso, na extraordinária reunião de condóminos:
- disseram que as moradoras, quando estivessem em casa, tinham de calçar pantufas para não incomodarem os vizinhos com o barulho dos seus tacões;
- mostraram-me diferentes tipos de borrachinhas autocolantes ("baratíssimas, façam favor de comprar") para colar em todos os meus móveis, para evitar o barulho terrível que os vizinhos têm de suportar de cada vez que fecho um armário ou uma gaveta ou, até, o tampo da sanita;
- explicaram-me que só posso fazer barulho entre as 7 e as 18 horas e que, a partir daí, corro o risco de chamarem a polícia para me calarem;
- fiquei com a impressão que também não posso dar festas na minha casa (pelo menos, sem a devida licença lavrada pela câmara municipal de ponta delgada);
- entre outras pérolas que incluiram insultos às dondocas que estacionam mal o carro para irem à loja de decoração no rés-do-chão (estranhamente, não insultaram os utentes do notário no outro rés-do-chão, esses devem ser da classe trabalhadora...);
- e insultos aos advogados das empresas de condomínios e de construção (essa máfia de porcos sem princípios, que só sabe prejudicar os inocentes e que ganha SEMPRE nas contendas contra o zé-povinho)...
no fim, ainda fiquei com a sensação de estar cheia de sorte por não me imporem recolher obrigatório, e por não me proibirem a ida à casa de banho a meio da noite (para não incomodar os vizinhos como o barulho horripilante do autocolismo - isto apesar, nos andares acima e abaixo, na zona da minha casa de banho só haver, pasme-se, casas de banho!).
além do que, a senhora que orientava a reunião era uma daquelas simpáticas pessoas do continente (lisboa, esse exemplo de civilização) que se mudam para as províncias ultramarinas ("gostas de viver nos açores?", "gosto, sei lá... é muito típico, e eles têm aquela maneira de falar, pronto, são um bocado brutos, e há imensas coisas que não há lá... mas temos imensa qualidade de vida... pronto, há umas coisas irritantes, uns quantos imbecis que insistem em parar em cima dos passeios..." - como se no resto do mundo não se parasse em cima dos passeios! não é preciso insultar os locais!), e que nos vêm trazer a luz do conhecimento.
obrigada, desculpe... não há pachorra! vão procurar qualidade de vida para trás-os-montes, zona que também tem ar puro, muita qualidade de vida, e podem ir comprar as mercearias a espanha que lhes sai muito mais barato.
posto isto, aqui fica lavrado, enquanto me lembrar desta triste cena, não volto a pôr os pés numa reunião destas!NOTA: eu não tenho nada contra os continentais em geral, muito pelo contrário, há cá muitos continentais impecáveis, além do que, morei em lisboa durante metade da minha vida e sempre me dei bem com toda a gente.
no entanto, já tenho muito contra os continentais que se instalam cá armados em carapaus de corrida.
é gente que é embirrenta em qualquer sítio que escolha para viver, os carapaus de corrida são uma raça terrível!
1 comentário:
Sou de Trás-os-Montes, já vivi em Lisboa (e espero voltar) e agora moro numa ilha. Tens algum insulto para mim? Conheço, por isso, várias realidades e pessoas assim como a tua querida vizinha há em todo o lado. Se ela é assim, não é por ser de Lisboa, é mesmo por ser uma...
Enfim, o meu conselho é, se ela for vizinha do andar de baixo, anda de tacões logo de manhã cedo e se for vizinha do andar de cima, pega numa vassoura e começa a bater no tecto.
E já agora, barulho só até às 18? Onde é que está a lei que diz isso? Claro que deve existir respeito entre vizinhos, mas as pessoas não podem deixar de fazer a sua vida e o que querem dentro das suas casas, dentro de certos limites, claro.
A esta altura, já me perdi no raciocínio e já não sei contra quem estava a protestar e o que queria dizer.
Bjs
Valter
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