12/09/16

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um ponto de situação, a justificar o meu mau humor que espero para os tempos que se seguem:
na minha lista de coisas desprezíveis na vida consta o exercício físico.
passei a minha adolescência como a última a ser escolhida para as equipas que se formavam nas aulas de educação física e isso nunca me preocupou, era inversamente proporcional ao meu sucesso nas restantes disciplinas. não se pode ser bom a tudo. (um bocado convencida, admito, mas tinha de me convencer de que não era um fracasso a toda a linha).
se posso estar refastelada a ler um livro, nunca vi grande vantagem em estar a fazer 15 minutos de remo ou de elíptica (ou outra coisa qualquer que não me permita segurar e ler um livro. ou pelo menos uma revista).
o ambiente motivado, com sorrisos irritantemente artificiais e «vá lá, mais um esforço! vai conseguir!» dá-me cabo do nervoso miudinho.
posto isto, depois de algumas tentativas e largos interregnos, por motivos cá da minha vida, voltei a inscrever-me num ginásio.
está feito o compromisso de pagamento durante um ano.
doze meses inteirinhos.
isto é dinheiro que não vou gastar em livros, em passeios de fim de semana ou em cremes para lá de espetaculares que me permitem ter uma pele que se possa mostrar ao mundo.
já tive um animado telefonema da nutricionista para ter a minha alimentação devidamente acompanhada.
já tive um equivocado telefonema do pt para confirmar a data da avaliação física. estava tão motivado que até queria antecipar uma semana.
o meu cartão ostenta uma fotografia com cara-de-nenhum-amigo.
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isto tem tudo para dar certo. obviamente.

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