24/02/15

...

os meus botins pretos precisavam de umas capas novas* e resolvi experimentar um sapateiro novo. o senhor foi simpático, despachou os botins no prazo combinado e, quando os fui levantar, seguiu-se a seguinte conversa:

- trouxe-os com saco?
- sim, deixei aqui com um saco do continente**.
- humm... não tenho aqui do continente. serve do corte inglès?

(eu já pronta para levar os botins na mão até casa, que a conversa aqui transcrita está muiiiito abreviada)

- serve qualquer saco, não se preocupe.
- a menina sabe, esta coisa de o estado não me deixar sequer dar sacos não me parece decente, o que acha?
- não pensei no assunto***...
- eu cá tenho de me debruçar sobre o assunto, não me parece que seja uma opção legal.

com isto o sapateiro ganhou uma cliente, apreciei-lhe o trabalho nos botins e a sensibilidade jurídica.



* especialmente porque faziam imenso barulho a cada passada, que era coisa que me dava cabo dos nervos.
** esta minha capacidade para decorar informação inútil não cessa de me assustar.
*** por acaso, pensei só um bocadinho e achei que, no mínimo, o período transitório foi ridículo. além disso, constou-me que no canadá uma medida semelhante não teve grandes efeitos, pelo que os efeitos práticos são muito discutíveis, mas a conversa já estava demasiado comprida.

Sem comentários: