na sua infância, artur inventou o amigo imaginário perfeito chamado aníbal, que estava sempre pronto para jogar à bola e a concordar com as suas opiniões. ao entrar na adolescência, passou as horas das aulas (e os minutos dos intervalos) a tentar criar a namorada ideal: o corpo de uma colega, a habilidade para desporto de outra, a inteligência de outra... chegado à idade adulta, entretinha-se a conjeturar sobre qual seria o seu emprego de sonho, a casa à sua altura (um 12.º andar com vista desafogada, obviamente), enfim, todo o estatuto que merecia.
até ao dia em que deu por si a contar a aníbal que havia passado grande parte da vida a sonhar com a perfeição, em vez de aproveitar as pequenas oportunidades.
o sempre presente aníbal concordou e deu-lhe uma palmadinha no ombro. a solidariedade também era imaginária e, naquele momento, era o melhor a que podia aspirar já que todo o resto havia sido desaproveitado.
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