25/04/08

É já sem esperança que retorno, enfim, à cabina telefónica, agora com menos gente. Passeio, de casaco na mão, faço as sete e trinta e cinco, as sete e quarenta. Ninguém. O meu contacto faltou. Não há lugar para dúvidas: o dia, a hora, o local, tudo era claro, inequívoco. Quinta-feira, vinte e cinco de Abril, às sete da manhã, junto à cabina telefónica do Caramão da Ajuda. A de cima. Nada mais tenho a fazer aqui.
Outra vez, pela minha frente, surge ameaçadora a espessura carregada do tempo. Visto o casaco e encabisbaixo-me vagaroso para o automóvel.
Tudo falha, tudo corre mal. Agora, que farei de mim?

"apuros de um pessimista em fuga", de mário de carvalho.
(o final de apenas 77 páginas de apuros)

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