07/03/08

a propósito do miúdo de 8 anos que quer estudar direito e do comentário feito por um anónimo (apesar de ser anónimo, agradeço, já que me fez pensar no assunto, embora ainda muito pela rama), e tendo em conta que na notícia se relata que a mãe da criança diz que ele não é sobredotado:

impressiona-me especialmente uma criança de 8 anos querer estudar direito não por duvidar da capacidade de estudo e memorização da criança (se passou no vestibular, deve ter as duas coisas), mas pela brutalidade de algumas matérias a ser aprendida: entrando a criança para a universidade com 8 anos, sendo o curso de 4 a 5 anos, pressupondo que nunca chumbe, acaba o curso com uns 13, até lá, teve de marrar vários clássicos de filosofia de direito e teve de estudar direito penal e crimes contra as pessoas nas suas variantes mais sinistras (para dar só dois exemplos). não é pretender proteger a criança a todo o custo, mas duvido bastante que tenha maturidade para apreender, realmente, algumas das matérias.
pensando bem, impressiona-me ainda mais uns pais que queiram isso para o filho...

que lhe dêm uma colecção de livros de direito, sendo essa uma matéria da sua preferência, acho bem, e deixem-no amadurecer ao seu ritmo.
que o incentivem à entrada na faculdade e alimentem o sonho tão precoce de ser juiz federal acho excessivo, especialmente porque ele não vai poder ser juiz nem tão cedo, o que só vai causar mais ansiedade e contrariedades na criança (na minha opinião, e sem fundamento científico).

no entanto, se a criança for sobredotada, encontrei este excerto muito curioso:
(...)
Sobredotação, no entanto, não é um indicador de alta maturidade e sim de alta habilidade em certo contexto. Verifica-se, por exemplo, que é preciso dar atenção especial ao sobredotado, ou à sobredotada, pois pode ocorrer de esta personalidade, às vezes brilhante em alguma área de actuação intelectual, viver com carências afectivas e dificuldades no convívio social. Na história da humanidade encontram-se casos de personalidade com altos potenciais e genialidade em certa área e grandes "brechas na maturidade" em outros contextos, como por exemplo estes 4:
Albert Einstein é conhecido pela desorganização pessoal (por exemplo a financeira); tabagista, afirma-se que chegava a pegar pontas de cigarro na rua para cultivar o vício.
Charles Darwin, o pai da Teoria da Evolução das Espécies, era considerado tímido (acanhamento), talvez pelo receio quanto à exposição de suas idéias, evitando-se assim indispor-se junto à Igreja.
Isaac Newton, criado sem pai e longe da mãe, era considerado de personalidade fechada e agressiva.
Sigmund Freud, em função do seu vício (tabagismo), desactivou o corpo físico devido a um câncer na boca (efeito) com o qual conseguiu conviver por algum tempo graças ao uso da cocaína como analgésico.
Também é comum encontrar sobredotados que creditam seus potenciais a um "dom" oferecido por uma entidade fora e si mesmo.
Uma outra possibilidade, a nosso ver mais interessante, é buscar o estudo a respeito da quantidade de vidas dispensadas ao desenvolvimento daquela habilidade específica. E mais, verificar se a facilidade em determinada área não está causando acomodação evolutiva.
Afinal, a evolução pessoal consiste, ente outros aspectos, em aprender e melhorar-se naquilo que não se sabe bem ainda, e não apenas em repetir o que já se sabe".
Texto de Daniel Muniz
Jornalista e professor


e também descobri do advogado mais novo do mundo, também brasileiro (se não tiver sido destronado entretanto):
O brasileiro Ricardo Tadeu Cabral de Soares começou a ler aos 3 anos de idade, escreveu um livro aos 9 e aos 11 desenvolveu um programa de computador complexo. Com 12 anos de idade, foi o primeiro colocado no curso de Direito numa faculdade particular do Rio de Janeiro. Depois de uma batalha judicial o pai de Ricardo, o advogado e arquiteto José Paulo Soares, para conseguir uma autorização que permitisse ao menino freqüentar a universidade à noite e a escola de manhã, teve de convencer o juiz de que o filho era sobredotado.
E, assim, em 1988, Ricardo tornou-se no mais jovem universitário brasileiro. Quatro anos depois, entrou para o Livro Guiness dos Recordes como o mais jovem advogado do mundo. Aos 18, concluiu o mestrado em Direito na renomadíssima universidade norte-americana de Harvard. E tornou-se no mais jovem mestrando em Ciências Jurídicas em 362 anos de história daquela famosa universidade.

(há mais textos sobre sobredotação em http://www.mentessobredotadas.blogspot.com/)

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