j. estava a começar a desesperar, na véspera, quando finalmente arranjou coragem para pedir a nelinha em casamento ela, depois de muito chorar, disse-lhe que não podia aceitar, que já havia dias que tentava dizer-lhe que sentia que aquela relação estava estagnada e que achava que um afastamento entre os dois era a única solução.
nessa manhã o despertador não tinha tocado. teria ficado mal programado? teria faltado a luz durante a noite? não fazia diferença, o que interessava é que ele só tinha acordado mais de uma hora depois do que era necessário e, ao chegar ao carro, descobriu que estava com um pneu em baixo. como tinha uma reunião importantíssima e já ia atrasado, correu para apanhar um táxi, tropeçou, caiu e fez um rasgão nas calças do seu fato boss. mesmo assim, o taxista foi simpático, esperou por ele e já iam a caminho do escritório, quando veio um carro de instrução contra o táxi. com o impacto, bateu com a cabeça contra o assento da frente… definitivamente, este não era um dia de sorte.
quando, finalmente, chegou ao escritório, a reunião já tinha acabado, o chefe estava furioso, “que raio é que lhe aconteceu, j., mais à porcaria do seu telemóvel da empresa, que é suposto andar sempre consigo?!”, nessa altura é que reparou que tinha saído de casa com tanta pressa que se tinha esquecido do telemóvel ao lado da televisão, estava mesmo a vê-lo... e o chefe continuava, “e aparece nessa triste figura! deve ter uma história de desgraçadinho para contar! quer saber de mais? não quero saber!!!! acabamos de perder a conta do almeida! os sabonetes que nos iam salvar as contas deste ano foram à vida, porque você não estava cá para apresentar a nossa proposta e o seu estagiário é uma lástima! assim, há que começar a cortar custos: você está despedido!”.
j. nunca tinha esperado por nada disto, não teve sequer oportunidade para se tentar defender. a bem da verdade, sentia que não tinha forças para conseguir ripostar fosse o que fosse.
sentiu o olhar de escárnio e satisfação da secretária. desde que ele tinha resistido aos seus avanços ela revelara-se constantemente antipática e tinha chegado a esconder-lhe recados e informações importantes, portanto, não esperava grande apoio da sua parte. passou para o seu gabinete, com a intenção de pegar nas suas coisas e nunca mais lá pôr os pés, ainda teve de correr com o estagiário que já lhe tinha ocupado a secretária… caramba, era demais!
sentou-se extenuado, o estupor do estagiário estava a ver-lhe a caixa de correio… ia começar a insultá-lo, quando chegou um mail novo, do secretariado da universidade paris 8, tinha sido admitido no mestrado de artes e tecnologia de imagem, era uma mudança do seu trabalho em publicidade, bem sabia, mas se quando se tinha candidatado não tinha grandes esperanças de conseguir ser aceite, agora começava a parecer-lhe a melhor ideia que alguma vez tinha tido.
releu o mail e tomou, com extraordinária calma, uma decisão importantíssima, pegou no copo dos lápis e depois pensou que não queria levar nada daquela vida passada, ainda olhou para a fotografia em que estava com a nelinha, mas achou que também já não precisava dela, levantou-se e dirigiu-se para a porta. foi, de novo, interceptado pelo chefe, que já estava mais calmo mas, desta vez, foi j. quem não lhe deu oportunidade para falar, “pois é chefe, trabalhar aqui foi muito bom, agora vou para paris, adeus”.
3 comentários:
Hmm, novidades. Será que agora vamos ter desenvolvimentos do J. em Paris, ou é episódio sem seguimento?
Finalmente estes homicídios em série terminaram.
Pobre j, o que sofreu. Ninguém merece.
Mas por outro lado, já sinto saudades de uma bela saga.
Por isso trata de pôr a cabeça a funcionar e arranjar um substituto.
Bjs enormes
não eram homicídios, eram acidentes...
e sim, acabaram, vamos a ver se arranjo novidade para substituir ou não ;)
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