26/05/07

As crianças acabavam por se desinteressar de Ngunga. Afinal era um menino como eles, não um herói à altura de Mavinga. Iam-se afastando, uma a uma, ou para brincarem ou para observarem o comandante. E Ngunga ficava só. Encolhia os ombros. Aproximava-se também do comandante, para o ouvir contar as suas aventuras, mil vezes ouvidas. Mas Mavinga não se cansava de as repetir. Ficava contente, orgulhoso, quando lia admiração nos olhos dos que o escutavam. E Ngunga notou que a mesma história não era sempre contada da mesma maneira. De dia para dia, Mavinga aumentava um pouco ou o número de inimigos mortos ou a dificuldade da operação. Os que iam com ele parecia que não reparavam.

Pepetela, As aventuras de Ngunga

Sem comentários: