j. serviu-se do seu whisky preferido, carregou no play da aparelhagem, sem saber sequer que cd lá estava e deu por si a ouvir uns sons diferentes, provavelmente comunicação de baleias. soou-lhe estranhamente agradável, por isso, não trocou, e sentou-se no cadeirão a folhear a Automotor, com o firme propósito de perceber qual o carro que melhor combinava com a presidência de um instituto público. a vida, definitivamente, corria-lhe bem, não fora pelo atraso da isaurinha, que tinha ido visitar a mãe a sesimbra e tardava em voltar.
acabou por passar por umas brasas e, de repente, foi acordado pelo telemóvel, a isaurinha estava aflita, tinham-lhe batido no carro, estava à espera do reboque, e pediu-lhe para ir ter com ela.
j. resmungou um bocadinho, que estava frio na rua e tinha estado a chover, mas saiu de casa em direcção ao seu carro. pelo caminho, torceu o pé esquerdo numa falha do passeio, não chegou a cair, mas sentiu uma dor enorme, quase que desmaiava.
ainda estava a tentar equilibrar-se e a decidir se chamava um táxi para ir ter com a isaurinha ou se ia directamente para o hospital (o tornozelo latejava cada vez mais e conduzir estava fora de questão), quando uma criança a correr com um pastor alemão pela trela se desequilibrou e lhe deu um encontrão, que o derrubou em direcção à rua. desta vez desmaiou mesmo e a mãe da criança chamou prontamente uma ambulância. no hospital, enquanto esperava numa maca para ser atendido, tinha ao seu lado um preso, acompanhado por um guarda prisional, cuja doença j. não conseguia perceber, mas que não o impedia de gritar insultos a todos os presentes no serviço de urgências, bem como às respectivas famílias. quando j. conseguiu um momento de calma para pegar no telemóvel e avisar isaurinha do acidente, o preso numa desatenção do guarda, agarrou uma garrafa, partiu-a e tentou atacar o guarda que, no último instante, se desviou, não tendo j. percebido o perigo que corria até ter o pescoço rasgado pela garrafa.
os prontos cuidados médicos não conseguiram evitar a sua morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
2 comentários:
Vai dai, a sogra, conhecida Cinha Jardim, foi para o programa do goucha, toda vestida de preto, chorar baba e ranho. Afinal, J. já estava de casamento marcado com a sua mais nova, sendo a nova fonte de rendimento da familia Jardim Leitão. Lá terá a tia de regressar aos realitty shows...
parece-me é que andas a ler muita revista cor de rosa... e a misturar alhos com bogalhos.
o j. já morre todas as semanas, não lhe desejes convívios demasiados esquisitos, sff.
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