26/12/06

8ª versão da morte de j.*

o natal de j. foi calmo, frio, em família, na aldeia à beira de abrantes.
dia 25 guardou todos os seus presentes (cheques-oferta, meias, camisolas, um casacão, os dvds dos filmes alien - com direito à caixa com a cabeça do bicho e tudo) na bagageira e dirigiu-se de volta a lisboa, só os dois livros de auto-ajuda, ficaram distraidamente em casa da avó, achou que deviam servir de bom treino de leitura para os primos franceses quando viessem passar férias de verão.
pelo caminho apanhou alguns sustos com o trânsito, cruzou-se com uns condutores demasiado lentos, outros demasiado apressados, uns acidentes desagradáveis que conseguiu evitar (um mesmo em cima da hora), por sorte, o tempo estava seco e não havia nenhum animal perdido na auto-estrada, pelo que, apesar de cansado, chegou bem disposto a casa.
aliás, o dia estava a correr-lhe bem e até conseguiu um lugar para estacionar mesmo em frente à porta do prédio onde morava. só se atrapalhou um bocado à procura da chave da porta, porque já tinha pegado nos sacos da roupa, mais nos dos presentes, nesta altura, de repente, deu um passo ao lado e reparou que pisou uma poça de água (porque é que não tinha calçado uns sapatos com sola de borracha? este fim de dia estava a ficar azarado), desequilibrou-se, deixou cair o saco onde tinha os dvds, rogou uma praga em voz baixa, apoiou-se na parede mesmo antes de reparar que estava um cabo eléctrico com os fios à vista, sentiu um choque eléctrico e pensou que estava transformado numa árvore de natal iluminada.
a vizinha do 6º-C, ia tendo uma coisinha má quando encontrou o corpo mas, enquanto estava a ligar para o 112, lembrou-se que o apartamento que ele ocupava era maior que o dela, e do mesmo senhorio, agora era uma boa altura para mudar de apartamento, mesmo que a renda fosse um bocadinho mais alta, ia ser aumentada no princípio do ano.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

5 comentários:

Rui Silva disse...

E eu que pensava que o gajo morria na viagem!

rita disse...

deixa estar que ainda há-de morrer num acidente de carro... dá-lhe tempo ;)

Midas disse...

já o estou a imaginar morto nas furnas... quem sabe se não vai cair do Pico...
Pois que morra. O que não queremos é ver extinta a tua criatividade.

Anónimo disse...

E diz-me lá a que propósito é que conheces Abrantes? Eu passei o meu Natal muito pertinho de lá....

Beiijinhos,

Vera

rita disse...

verinha, confesso que não conheço abrantes, mas talvez tenha tirado a ideia de uma conversa qualquer no msn ;)