j. acordou bem disposto, o que não era muito comum nele, geralmente acordava rabugento, e demorava, pelo menos, meia hora até conseguir articular qualquer palavra, mas era feriado, estava sol e, na véspera, o patrão tinha-lhe dito que lhe ia aumentar o salário no ano seguinte, considerando que já estava em dezembro, esta notícia agradou-lhe bastante.
resolveu ir dar um passeio a pé, aproveitar a cidade quase vazia, tentar encontrar um vendedor de castanhas assadas, gostava imenso e já não comia há tanto tempo…
estava em pleno chiado e, de repente, tocou-lhe o telemóvel, abrandou o passo e sorriu quando viu o nome no visor: ana, a veterinária que ele julgava que o andava a ignorar e que, afinal, tinha estado de urgência na clínica (tinha tido uns partos de cadelas particularmente complicados), mas que já estava descansada, e desafiava-o para ir ao cinema nessa mesma tarde.
não teve tempo sequer para chegar a acordo sobre qual o filme a ver, desequilibrou-se quando levou com uma bola que fugiu ao controlo de um malabarista e caiu mesmo debaixo do eléctrico, que já estava com 20 minutos de atraso.
ana não percebeu o que se tinha passado, porque o telemóvel partiu-se quando caiu ao chão, e acabou por ir ao cinema com uma colega de curso.
* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...
2 comentários:
Esta está catita. Para a próxima versão, presumo o envolvimento com um cacilheiro, ou qualquer tipo de transporte público aquático!
agora sim, começa a ter requintes de sentimentos verdadeiramente pouco nobres.
estás no bom caminho. mais umas quantas versões e terás material suficiente para editar um livro de contos que se poderá intitular: " Os dias felizes de j.", ou podes optar por uma edição verdadeiramente popular" 1001 maneiras de acabar com o j. e seus similares..."
Qual será a moral da próxima história?
Enviar um comentário