23/05/06

parece que, afinal, «Ninguém é torturado em Guantanamo».
e eu até dou-de-barato esta bonita afirmação... tal como os americanos dão-de-barato uma extraordinária estadia aos muçulmanos que recrutaram para experimentar este inovador conceito de férias:
jovem, és muçulmano? escolheste frequentar companhias pouco recomendáveis (pelo menos, de acordo com os nossos arquivos)? sempre tiveste como sonho viver numa ilha verdejante?
então, vem daí! nós não te vamos torturar, só te vamos deter na simpática base de guantanamo enquanto acharmos pertinente para as nossas investigações.
ah! e também não te vamos aborrecer com detalhes legais, sei lá... levar-te a autoridade judiciária ou com os detalhes sisudos da tua acusação, está descansado ;)
e, apesar deste nosso telhadinho de vidro, vamos continuar a implicar com os outros países com ditadores, recurso à tortura, à censura e com ausência de respeito pelas leis.
que isto uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.

não podemos esperar que outras culturas aceitem os princípios dominantes na cultura ocidental se nós próprios os desrespeitamos desta maneira.
o direito a conhecer a acusação e a preparar a defesa é essencial e é para todos, desde quem lança uma injúria ao vizinho, a quem mata o vizinho ou a quem participa em actos terroristas para matar centenas de vizinhos.
depois segue-se um julgamento (de preferência de acordo com regras de legalidade), e a pena em conformidade (que se espero particularmente pesada nos casos de terrorismo, e sem direito a passagem directa para o paraíso e às ditas virgens que os aguardam - por falar em coisas, haverá algum destes incentivos paradisíacos para as mulheres terroristas?).

amanhã, a gerência pretende voltar às futilidades do costume.

Sem comentários: