29/05/06

estou maravilhada com este nova ideia brilhante, a da avaliação dos professores pelos pais das crianças, e com as reacções que suscita:

parece que os pais estão encantados: Pais contentes por avaliarem professores, e prometem «ser justos e objectivos na avaliação que fizerem». calculo que estes sejam os pais dos grandes centros urbanos, com formação universitária.

por seu lado, numa óbvia demonstração de mau feitio: Professores não querem ser avaliados pelos pais. não percebo, como podem objectar a que a evolução na carreira esteja condicionada à avaliação dos pais? eles que conhecem, melhor que ninguém, os anjinhos sobredotados que têm em casa, e que vão, de certeza, ser o mais imparcial possível na avaliação que fizerem dos professores.

posto isto, restam-me umas dúvidas que as notícias não me esclarecem:
  • não arranjavam uma outra maneira, um pedacinho mais justa, para atrasar a progressão na carreira dos professores? (que, de qualquer modo, já está bastante atrasada logo para princípio, basta pensarmos na quantidade de tempo que eles ficam sujeitos a concursos estapafúrdios, a correr o país de lés a lés)
  • como será feita a avaliação pelos pais analfabetos, que não se apercebem, de todo, da progressão - ou não - dos estudos dos filhos? (lamento dar esta novidade, mas ainda existem bastantes)
  • (uma variante da anterior) e os pais que só obrigam os filhos a ir para a escola por causa dos acordos com as/os assistentes sociais, para garantirem o rendimento social de inserção, o voto deles conta o mesmo que um pai que também seja professor e que faça os trabalhos de casa todos os dias com a criança?
  • isto é suposto ser um sistema equitativo e justo?

2 comentários:

Roger disse...

Rita,
a questão que realmente se impõe é:
Para quando a avaliação dos Juízes feita pelos membros da sua vasta clientela.
Não sei se concordas comigo, mas que era giro era.

rita disse...

até hoje, confesso que só tinha acarinhado a ideia de um sistema de avaliação da magistratura pelos advogados (um pedacinho egocêntrica, admito).
mas esta tua ideia parece-me muito melhor, estou certa que os nossos arguidos seriam capazes de uma avaliação justa e imparcial, olvidando quaisquer eventuais consequências nefastas das decisões dos juízes nas suas vidas privadas.
havia de ser tão lindo...

a devida vénia, és muito bem vindo.