detesto processos por injúrias.
- então, ouviu o arguido a dizer, exactamente, "tens olhos de boi"?
- a que distância estava? daqui até à porta da sala? até onde está sentada a senhora com a camisola verde?
- e chamar "atoleimado" não é uma expressão usual? importa-se de explicar em que sentido é que considera esta palavra injuriosa?
e tal e coisa...
até que assisti a um julgamento em que o arguido é gago, mas o homem mais gago que já ouvi na minha vida... as alegações finais foram divertidíssimas (a devida vénia ao coleguinha que adoro e por quem tenho a maior consideração) e concluiu que era impossível aquele homem dizer de uma assentada só uma frase inteira cheia de insultos (qualquer coisa como: "és um banana! um parvo! um tolo!", escusado será dizer que não me lembro dos insultos, mas acho que não estão muito longe destes) sem ter sido interrompido pelo ofendido.
e parece-me bem verdade, a tentação de acabar o que um gago não consegue dizer é tanta, que acredito que a pessoa dê por si a completar o insulto que lhe é dirigido, só para ver se a discussão termina mais rapidamente.
e neste caso não há crime, porque a auto-injúria não está prevista.
3 comentários:
Extra…or...diná…á…á…á..rio.
ossos do oficio...
e a pessoa foi absolvida.
esta brilhante argumentação colheu ;)
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