29/03/06

a provar que eu ando mais cansada que o costume, ontem escapou-me esta notícia extraordinária:
Margarida Rebelo Pinto tenta impedir crítica. aparentemente, a escritora e a sua editora interpuseram uma providência cautelar para impedir a venda de um livro («couves & alforrecas: os segredos da escrita de margarida rebelo pinto») que faz uma análise crítica da obra da escritora.

importante ressalva preliminar: nunca li nenhum livro da senhora. lembro-me de ter lido uma crónica numa revista qualquer, e serviu-me de emenda. posto isto, não posso fazer qualquer análise da obra (bem... se insistirem muito, até sou capaz de inventar qualquer coisinha).
quanto à atitude, já acho mal pensada. não me parece boa ideia tentar calar à força - e, ainda por cima, com tanta publicidade - uma crítica a obra publicada há bastante tempo. só traz mais curiosidade para as tais couves & alforrecas, quando finalmente forem publicadas, e faz o resto das pessoas pensarem no conteúdo (ou falta dele) da obra da senhora, e o seu receio em vê-lo analisado, porventura com algum humor mais corrosivo.

esta notícia fez-me lembrar que, algures na minha carreira académica (sim, eu tenho disso...), fiz uma cadeira de "análise de conteúdo" em que parte da avaliação consistia em apresentar uma análise do conteúdo de uma obra à nossa escolha, tínhamos de analisar o(s) tema(s) central(is) da obra, fazer quadros com as suas repetições, quais as personagens que se relacionavam com que tema, com que tipo de expressões, em quantos capítulos, e assim por diante.
será que também se desencantava um processo judicial contra um trabalho universitário, se me tivesse lembrado de analisar um dos livros da senhora?... - em vez de ter analisado o livro adam (de brian basset), uma compilação de tirinhas de banda desenhada.

1 comentário:

Midas disse...

Isto só acontece porque a senhora tem noção da qualidade do trabalho que faz.
Não deve estar com vontade de passar por mais uma vergonha e depois ter de utilizar o discurso da liberdade, do coração, da alegria, da amizade e dos rouxinóis a cantarem nos beirais.
A editora só não quer deixar de vender centenas de milhares de exemplares.
Provincianismo é o que é.
O que posso dizer mais… Sei lá.