10/08/05

ontem apercebi-me de como, fazer zapping depressa é, realmente, uma maneira eficaz de (con)fundir pensamentos e de ter ideias extraordinárias.
num momento estava a ver imagens dos incêndios que atacam o continente, no momento seguinte estava a ver o querido, mudei a casa.

e, de repente, tudo fez sentido!

estando o país na confusão governativa em que está (e não me parece que seja só a minha má vontade a falar, acho que esta é a percepção generalizada da coisa), por que não aproveitar o modelo do querido e aplicá-lo ao governo, em vez de aplicar às cozinhas das senhoras da zona do saldanha?

passo a explicar: tomemos, por exemplo, a necessidade de uma política de combate aos incêndios (nem percebi se existe, mas vou dar de barato) enérgica e com resultados eficazes.
chamavam-se uns 4 peritos (assim, do pé p'rá mão, podiam ser: bombeiro, economista, engenheiro do ambiente, jurista – mas está aberto a discussão), mais que isso é má ideia, começava a ser muita gente a falar de muitos assuntos paralelos, não interessa. é preciso é serem pessoas que tivessem trabalho reconhecido nesta área, e que levassem o trabalho de casa bem preparado, que temos de agir bem rápido.
eram postos num bom ambiente de trabalho e, durante 5 dias úteis (só o fim-de-semana, como no querido, parece-me pouco) e eram obrigados a sair dali com uma solução infalível para o problema.
volta e meia, aparecia lá a apresentadora, a perguntar se estava tudo a correr bem, se estavam a deparar-se com alguns problemas inesperados, a explicar as linhas gerais ao povo, e a relembrar quanto tempo faltava para o final do programa.
esta surpresa seria preparada pelo povo português, para os políticos, por ele, eleitos. em vez de os pormos num hotel pelo fim-de-semana, podíamos mandá-los todos fazer um safari no quénia, ou um cruzeiro nas caraíbas, nem iam dar por nada.
depois quando chegassem, lá estava a apresentadora a recebê-los na base das escadinhas do falcon (é para isso que serve este avião, para passear políticos, não é?) e a dizer-lhes “então, correu bem o descanso? estavam bem precisados, não era? olhem que, enquanto estiveram fora, os portugueses resolveram fazer-lhes uma surpresa e chamaram os queridos. ponham lá a venda cor-de-laranja e venham daí comigo!”.
já lhes estou a imaginar a lágrima ao canto do olho quando vissem os meios aéreos contratados atempadamente e pelo preço normal (em vez dos valores que se têm de pagar quando se faz ajuste directo à última empresa que, por algum motivo estranho, ainda não tinha contratado os seus serviços); quando se apercebessem que as polícias finalmente tinham meios para investigar, como deve de ser, as actividades dos madeireiros, caçadores e os estupores dos pirómanos profissionais, e que já estavam previstas umas penas mais duras para quem andasse envolvido neste crime; quando vissem os planos para envolver as forças militares no combate aos incêndios (já que agora são profissionais, e não estamos em guerra, podem trabalhar em favor de todos nós), em conjunto com bombeiros bem apetrechados e preparados.
"era mesmo o que estávamos para fazer há anos, mas meteu-se uma coisa, meteu-se outra e nunca conseguimos... obrigado queridos! pá, obrigado mesmo!"

era assim, agradeciam imenso aos queridos e aos portugueses por serem tão boas pessoas, que, não só os elegem e não são muito exigentes com o trabalho prestado, como, ainda por cima, lhes preparam destas surpresas.
parece-me um programa votado ao sucesso, então se for a tvi a mostrar os cojones de aproveitar esta ideia já estou a imaginar as audiências a subirem em flecha.
como é a bem da nação, nem peço direitos de autor por esta ideia, apenas o reconhecimento e a fama.

4 comentários:

hayden_fahrenheit disse...

hey, i linked you...

Anónimo disse...

Ora ai está uma bela ideia. Fazia-se um programa de tv e ainda se ajudava a política nacional. Rita que tal, no sentido de desfrutares da fama e do sucesso que reclamaste por esta ideia brilhante, ires apresentar o programa? e ao mesmo tempo fazias de jurista para pouparmos nas despesas, uma vez que o país não está a ir para melhor em termos de controlo das despesas públicas. É só mais uma ideia!

rita disse...

caro paulo, pois que não me nego à apresentação do programa.
num acesso de imodéstia (pouco comum em mim...), até te digo que me parece que as câmaras hão-de ser minhas amigas (especialmente agora que o ginásio começa a mostrar resultados satisfatórios), mas, num momento de pura loucura gastadora, por que não ser v. exa., meu douto colega, o jurista residente?
estou em crer que a população feminina não se queixaria...

Anónimo disse...

Bom...postas as coisas nesses termos e como jamais gostaria de ser eu o obstáculo para que a população feminina fosse mais feliz e atendendo também que tu, como criadora do conceito, não te importas - aliás, foste tu que sugeriste - apesar de sentir que não estaria à altura de tão elevadas exigências, mas a bem do "mulherio", lá me via forçado a aceitar o cargo. O que um Homem tem de fazer...