11/02/07

a amiga pinguinha pediu-me para transmitir que está muito satisfeita com o seu cargo de recepcionista dos visitantes destas crónicas, e que só não o transmite ela própria, porque existe uma certa incompatibilidade entre o teclado e as barbatanas.
gosta principalmente quando cá vêm pela busca de "chamo-me dinis sou o rei dos botões", porque fica a cantarolar a música que, pelos vistos, foi das mais animadas a que fiz referência por aqui (embora só tenha deixado o refrão).
posto isto, e porque há que manter a pinguinha satisfeita, cá fica a letra desse clássico do luís portugal:

Esses teus olhos verde Benetton
Oh minha paixão vermelho Ferrari
O meu coração palpita ton-sur-ton
Ao ver-te sorrir Colgate anti-cárie
As tuas pernas-Dim, que sedução
Cobiço esse sexo Sloggi, sim
Ao teu Triumph(al) peito deito a mão
Mas levo um estalo e ainda te ris de mim

Chamo-me Dinis, sou o rei dos botões
Só as etiquetas me dão sensações
Deixa ver a marca da minha emoção
Não digas que não

Desejo esses teus lábios com Cibelle
Ah, delicados pulsos cartier
O cheiro do teu corpinho com Channel
Os teus bonitos ombros são Gaultier
As tuas pernas-Dim, que sedução
Cobiço esse sexo Sloggi, sim
Ao teu Triumph(al) peito deito a mão
Mas levo um estalo e ainda te ris de mim

Chamo-me Dinis, sou o rei dos botões
Só as etiquetas me dão sensações
Deixa ver a marca da minha emoção
Não digas que não

09/02/07


e em pleno fevereiro, lembrei-me de mais uma decisão de ano novo: vou tentar conquistar o mundo!
até me parece que regia bem ali, entre o pinky e o brain: acho que não sou tão cabeçuda como o brain, nem devo ser tão alta como o pinky (comparativamente falando, de corisca para rato de laboratório...).
NOTA - imagem habilmente surripiada algures na grande rede.

07/02/07

momentos altos do dia:

8:30 - descobri que a #$%&%$# do esquentador não estava a funcionar.
8:31 - duche extra-rápido de água gelada

9:05 - ao telefone para a firma onde o esquentador foi comprado e que devia prestar assistência técnica:
- minha senhora, só podemos ir aí na 6ª, pelas 14 horas...
- então vou tomar duche gelado até 6ª?!
- pois... (diz a pessoa naquele tom "antes-tu-que-eu")
- deve haver outra firma que faça essa assistência nesta ilha, não há?
- sim! e pode ser que tenham tempo para ir aí mais rápido, telefone antes para os não-sei-quantos!
(entretanto, deixei queimar as minhas torradas)

9:10 - ao telefone para a segunda firma:
- podemos ir aí hoje, para o fim da tarde, diga o seu contacto, e nós telefonamos!
(as segundas torradas sairam bem, mas o leitinho tinha arrefecido)

11 - chamada para o telemóvel:
- afinal, com o mau tempo, não posso ir para a obra que estava programada, porque é ao ar livre... tem gente em sua casa?
- neste momento não está lá ninguém, mas estou lá em menos de 10 minutos!!!

11-20 - o especialista olha para as entranhas do meu esquentador e declara:
- estas máquinas são muito modernas... mas não estão preparadas para este clima... isto está é tudo molhado! a senhora tem aí um secador de cabelo?

pelo que, 10 minutos depois, já tinha:
- parte das peças secas com o secador, uma das peças foi seca no lume do fogão;
- uma explicação completa sobre os malefícios da humidade nas modernices dos esquentadores;
- uma valiosa dica para o futuro ("a próxima vez que isto acontecer, dê-lhe um calorzinho com o secador, pode ser que resulte");
- más-línguas a propósito das outras firmas que trabalham com esquentadores ("mas não vou aqui dizer nomes, que não vale a pena...").

(intervalo para trabalhar)

18:30 - finalmente: o duche quente do dia!

06/02/07

13ª versão da morte de j. *

o dia começou com vários tons de cinzento e chuva torrencial, e ainda piorou durante o horário de expediente: j., por azar, não arranjou muitas desculpas para sair do gabinete onde trabalhava, e a d. luísa, que dividia o espaço com ele, estava muito indecisa sobre qual o sofá a iria comprar, mesmo assim, a escolha já estava reduzida a um kramfors e um lervik. aliás, desde que o ikea inaugurou em alfragide, todas as semanas havia o difícil processo de escolha de mais uma peça, que era discutido com todos os colegas do trabalho. ele não fazia ideia como ela conseguia guardar tanta coisa num t2 na baixa da banheira.
apesar disso, parecia que estava no bom caminho para melhorar, durante a tarde, a tatiana, a nova assistente social da instituição, foi-lhe pedir ajuda porque o portátil tinha “morrido” e ela estava desesperada a pensar em todos os documentos que teria perdido. é claro que j. se ofereceu logo para lhe tentar resolver o problema e, é claro, que a tatiana se ofereceu para lhe cozinhar o jantar enquanto ele lhe ressuscitava o portátil.
o serão correu muito bem, os documentos foram devidamente salvos, o jantar foram umas óptimas costeletas com batatas recheadas com brócolos, o gelado de chocolate para sobremesa também foi uma ideia simpática e ficaram a conversar durante umas horas. j. estava muito entusiasmado com esta nova colega, e ela também não lhe era indiferente. havia, definitivamente, um novo ânimo para ir trabalhar.
pelo caminho para casa, o mau tempo continuava e estava cada vez pior, ainda chovia, havia umas rajadas de vento muito fortes, e alguns relâmpagos e trovões, pôs o rádio mais alto, e deu por si a cantar “toda a gente sabe que te amo” do miguel ângelo a plenos pulmões… como detestava esta versão da música (de tal modo que defendia que o neil hannon devia ter processado o cançonetista de cascais pelo atrevimento), o entusiasmo estava a bater mesmo forte.
estava parado num sinal vermelho, a cantar alto de olhos fechados, quando caiu o semáforo em cima do seu renault 4l. a morte foi imediata, não se tendo percebido se foi do susto, do choque eléctrico provocado pelos cabos do semáforo e pela chuva ou de ter ficado espalmado na carroçaria do carro.


*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

05/02/07

Publicidad en los huevos de los supermercados japoneses
pois sim...
melhor que as notícias extraordinárias que se encontram pela grande rede, é encontrá-las em outras línguas, dá um ar de ficção acrescido à coisa.
de qualquer das maneiras, devo dizer aos senhores japoneses que, se não ligo aos autocolantes que põem na fruta, muito provavelmente, a publicidade nas cascas de ovos também não teria grande sucesso comigo.
já se fosse publicidade nos copinhos de iogurtes, era capaz de funcionar.

04/02/07

estranho sempre quando ouço esta frase:
"até a rita já me disse isso!"

por um lado não deixo de sentir um certo descrédito nos sábios conselhos que dou.
por outro, quer dizer que há gente que, realmente, ouve o que digo.

03/02/07

em feiras de livro o que mais me diverte é encontrar aquele livro que me emprestaram aqui há uns anos, e que nem sequer me lembro por que motivo me ficou na memória.
no caso, foi "e se tivesse a bondade de me dizer porquê?", uma novela em parceria de clara pinto correia e mário de carvalho, de 1986, em que cada capítulo é escrito por um deles. a folheá-lo, dei de caras com as 10 normas a que os autores se comprometeram a obedecer, entre as quais:

(...)
6. Proibido qualquer episódio em verso, em diagonal, em russo, em sualili, enfim...
7. As alusões à realidade portuguesa devem ser discretas (havendo-as). Caso a evitar com horror: « Cavaquisilov soergueu a sua figura esquálida e explicou, deitando muitos perdigotos...».
8. Inverosimilhanças do tipo:
«Essa medalha que trazes ao peito, quem te deu essa medalha? Oh, não quero acreditar... Afinal és tu... Vem a meus braços. Meu filho!»
Fazem sempre muito efeito mas deverão ser omitidos.
(...)

só estas normas - que deveriam ser seguidas por tantos escritores que por aí andam - já me valeram 1,95€.

01/02/07

sobre as dificuldades de tentar fazer receitas de cor:
já tinha o chocolate em pó, o açucar, as gemas, a bolacha maria partida em bocadinhos e a manteiga, só não me conseguia lembrar se o salame de chocolate leva vinho do porto nesta mistura ou se é só na prata untada de manteiga onde os rolos são enrolados*.

perante o dilema, e as mãos já sujas para telefonar a quem tem a receita por escrito, só me resta optar pelo seguro:
- que se lixe, um bocadinho de álcool nunca matou ninguém!
se bem o disse, melhor o fiz.

e não ficou nada mau. se não fazia parte da receita, vai passar a fazer.

*pleonasmo culinário.

31/01/07


o meu caminho a corta-mato de hoje, cheio de alternativas... mas todas a irem dar ao mesmo sítio.

30/01/07

12ª versão da morte de j.*

j. estava um bocado decepcionado consigo próprio… tinha concorrido ao “um contra todos”, com a grande fé que ia conseguir chegar à cadeira principal, fazer um brilharete e sair de lá com uns trocos acrescentados, e até já tinha preparado a frase final com que ia brindar o apresentador: “já posso dizer que fui tão feliz num programa de televisão”, e depois fazia o seu mais sedutor para a câmara.
realmente, chegou à cadeira principal, mas falhou logo na 5ª pergunta, sobre geografia de portugal - diga qual a ilha onde fica o concelho de santa cruz das flores: a) ilha das flores; b) ilha da madeira; c) ilha graciosa. achou que ilha das flores era uma resposta demasiado óbvia, mas tinha a ideia que não seria na madeira, não quis comprar a resposta, e apostou na ilha graciosa. afinal, era a resposta óbvia.
no caminho para casa, resolveu parar num café. estava um bocadinho em baixo, e sem saber bem como ia contar à mariana que afinal os seus planos para férias tinham de ser adiados quando, no momento em que ia pagar, reparou que tinha o talão do euromilhões na carteira e lembrou-se de confirmar se lhe teria saído pelo menos dinheiro para pagar a aposta.
de repente, o dono do café ficou muito vermelho e exaltado:
“óh amigo! óh amigo! saiu-lhe aqui um prémio de quase 5000 euros! parabéns!”
foi um alvoroço generalizado no café, j. viu mais pessoas a desejarem-lhe as felicidades do que em toda a sua vida. mas, de repente, num ímpeto para evitar mais um abraço, deu dois passos para trás, não reparou que se estava a pôr no caminho de um jogo de dardos e, lamentavelmente, levou com um dardo certo no olho direito. com a dor e com o susto, nem percebeu como tropeçou no gato do café (que, por acaso, estava bastante assustado com toda a agitação que se estava a viver), nem como acabou por cair em cima da arca dos gelados, com a veia jugular cortada pelos vidros.
o dono do café ainda hesitou um bocado antes de devolver o talão premiado à família de j., mas era um homem honesto e, além disso, conseguiu chegar a acordo para lhe pagarem os estragos: o vidro da arca dos gelados e super-maxi e magnuns (de diferentes qualidades), no valor de 340€, que ficaram incapazes de serem vendidos devido ao banho de sangue que levaram.
por sorte, o gato não teve nenhuma consequência de saúde que precisasse de acompanhamento veterinário.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

29/01/07

diz que Pata sobrevive a bala, geladeira, cirurgia e parada cardíaca.

desta notícia se conclui:
- da grande vontade de viver com que os patos são dotados - detalhe da vida animal nem sempre devidamente focado nos documentários da national geographic e outros canais que tal;
- que os americanos não devem ser grandes admiradores de arroz de pato - senão, não havia vontade de viver que resistisse;
- que a BBC Brasil continua a ser uma fonte sempre garantida de informação emocionante.

28/01/07

no chão do mini-terracinho da minha cozinha está uma moeda de 10 cêntimos. tenho a certeza que não é minha porque, como o tempo tem estado um bocado inconstante, não tenho sido frequentadora assídua do dito mini-terracinho, pelo que permanece a dúvida:

como é que uma moeda de 10 cêntimos consegue chegar a um mini-terracinho no 4º andar?

27/01/07

com as alterações à aparência destas minhas crónicas, distraí-me do meu pinguinho, e o mal-agradecido aproveitou para, à socapa, voltar lá para baixo, para zonas mais frias.
senti-me, pois, obrigada a colocar um anúncio no jornal:

procura-se pinguinho ou pinguinha afável, de esmerada educação para bem receber os visitantes de umas crónicas. dá-se preferência a quem tenha gosto pelo atlântico norte e por ilhas de bruma.

e não é que a primeira resposta que recebo é de uma simpática pinguinha, com umas penas para o rosado, que (qual jogador da bola) se afirma como sendo corisca* de coração desde a sua mais tenra infância?!
respondi logo: está contratada!

* corisco = quem nasce na ilha de s. miguel (isto numa versão mais popular, claro)

26/01/07

hoje foi um dia de experiências:

1º passei em revista várias alternativas para mudar a cara destas crónicas, e acho que me vou deixar ficar com este tom azulado durante uns tempos.
ouvi umas opiniões pertinentes sobre a "verticalidade" que os textos agora apresentam, sobre a dificuldade em separar postagens (acentuada pelo facto de eu não gostar de usar títulos), e sobre a ausência de cor-de-laranja...
desculpem, mas vai ter de ser, ao cabo deste tempo todo, impunha-se uma mudança (não garanto é que seja para durar muito, logo se vê).

2º fui, finalmente, ao mcdonald's de ponta delgada... aquilo já inaugurou há 26 dias, e eu não comia um daqueles hambúrgueres há uns 4 anos (e se estou a exagerar é por defeito), portanto achei que estava na altura de ir ver o que por lá se passa.
a curiosidade foi satisfeita, e quem viu um mcdonald's viu todos.
os preços estão bem mais caros do que me lembrava (e neste raciocínio confesso que quase tenho de fazer conversão de escudos para euros).
e a dúvida final: numa ilha onde há carne de vaca tão boa, porque é que vão comer aqueles hambúrgueres de faz de conta, em pão de faz de conta?

25/01/07

Look at you now, you've disenchanted,
can't believe how things can change.
Take a little out of life and things get strange.
And now you find the wishes you were granted,
things you thought were in your hands,
have slipped away.
How much can you withstand?

The wasted time, the money spent,
a sign that reads 'For Sale or Rent'.
And everything is at a standstill,
and where's someone who'll be on hand till
you're no longer disenchanted,
thinking everything is wrong?

You know you're not the only one to wait so long.
I wonder, can you try again?
Are you that strong?

disenchanted, Everything But The Girl

disenchanted/desencantado, cá está um conceito do mais perigoso que há...
o que sobra quando se perde o encanto?
pior ainda, e se a pessoa não é capaz de o reencontrar?

24/01/07

anos de esforço, dedicação, noites mal-dormidas, dioptrias acumuladas... e, finalmente, sinto que o reconhecimento está próximo, atentem:

"ah... a senhora sabe, eu até tenho cartões de vários advogados... mas parece que a senhora sabe do que 'tá a falar, acho que pode ficar a defender o meu colega."

23/01/07

11ª versão da morte de j. *

j. estava um bocadinho ansioso, desde o primeiro dia em que tinha começado a dar aulas naquela escola que tinha reparado na mélinha, uma tímida professora de português, com uns encantadores olhos azuis, e, ao cabo de uns meses de conversa de circunstância na sala dos professores (abençoada a problemática turma do 7.º G que tinham em comum), finalmente ela tinha aceite o seu convite para jantar, seguido de uma ida ao cinema – para que não duvidasse das suas melhores intenções, aproveitava o gosto que tinham em comum pelo cinema de ang lee, bem como a sorte de ter descoberto uma reposição de “banquete de casamento”, na sessão da meia noite, para dar tempo para uma boa conversa durante o jantar.
tinha preparado uma ementa simples, mas toda elaborada por ele: queijinhos recheados, um arroz de pato de se lhe tirar o chapéu, e uns morangos gratinados para sobremesa… o vinho também estava escolhido a rigor… tudo parecia bem encaminhado quando começou a preparar os queijinhos e acho que, se calhar, os pimentos do recheio seriam um bocadinho pesados para o jantar, e nada seria mais desagradável que ver a mélinha com um ar esverdeado, em plena paragem de digestão.
ainda tinha algum tempo, por isso achou melhor ir num instante ao supermercado ver se encontrava os ingredientes para fazer umas tostas de pêra e queijo.
enquanto estava na secção da frutaria à procura das pêras williams, passou, de repente uma criança a fugir da mãe, deu um encontrão contra o expositor das laranjas e derramou-as todas no chão, por sorte, j. estava atento, não escorregou em nenhuma delas, e ainda foi a tempo de apanhar a criança pelo braço e de a entregar à mãe que se desfez em desculpas.
já de saída, ao passar pelo corredor dos produtos de limpeza, também por sorte, reparou que o chão estava sujo com um líquido que se tinha derramado, e pensou que a ida ao supermercado estava a transformar-se numa corrida de obstáculos.
só não reparou, ao chegar à caixa para pagar as compras, que a senhora que estava à sua frente e que tinha acabado de comprar uma faca de trinchar, tinha tirado o invólucro protector e estava a explicar, efusivamente, à menina da caixa a boa qualidade da faca e como era aguçado o seu gume, nem teve tempo para se desviar quando a senhora se virou, de repente, e, inadvertidamente, lhe espetou a faca no abdómen, causando-lhe danos internos irreversíveis (nem sobreviveu à chegada da ambulância).

desde que descobriu o que se passou, no dia seguinte, a mélinha nunca mais aceitou convites de colegas para jantar, e reduziu a conversa com os professores de filosofia ao mínimo imprescindível.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

22/01/07

descobri hoje que 20 minutos de passadeira é quanto basta para assistir a um episódio inteiro da série Will & Grace.
por sorte, fiquei numa passadeira com televisão, pelo que até consegui ler as legendas.
lamentavelmente, enquanto estive nos restantes aparelhos com televisão não passou nada que mereça relato.

20/01/07

atenção!
atenção!
resolvam os vossos problemas!
nossos problemas?
sim! todos os vossos problemas!
mesmo saúde?
sim!
amor?
sim!
e se o marido ou mulher saiu de casa?
também!
mas como? e por quem?
com o prof. bambo! o grande e competente vidente em portugal!

assim vai a tsf-açores, à quinta à tarde, com repetição ao sábado de manhã.

19/01/07

desabafo de sexta-feira:

Sangue, sangue, sangue...

Chatterton suicidou
Kurt Cobain suicidou
Getúlio Vargas suicidou
Nietzsche Enlouqueceu
E eu não vou nada bem
Não vou nada bem

Chatterton suicidou
Cléopatra suicidou
Isocrátes suicidou
Goya enlouqueceu
E eu não vou nada bem
Não vou nada bem...
Não vou nada bem...

Chatterton suicidou
Marco Antonio suicidou
Cleópatra (foda-se) suicidou
Schumann enlouqueceu
E eu (Puta que pariu!)
Não vou nada bem
Não vou nada bem

Suicidou...

Todo mundo que vocês estão pensando aí...
Tiro no pé (suicidou) deram tiro no pé

Não vou nada bem...
Puta que pariu!!!!!

Chatterton
Ana Carolina e Seu Jorge

18/01/07

hoje estava parada num semáforo quando, de repente, me senti num regresso ao passado: à minha frente tinha um umm alter (esse clássico do todo terreno, e não era da gnr) e a rádio passava o grande david bowie, com o seu absolute beginners.

entretanto, o sinal ficou verde mesmo na altura certa para eu acordar deste disparate do fim dos anos 80 e trocar a estação do rádio, enquanto o umm virou à direita, e eu segui em frente.
foi a minha sorte, senão, acho que me iam voltar as crises todas da adolescência naquele instante.

17/01/07

aqui há uns anos emprestaram-me um livro que era "levezinho" e "simpático", que o leria num serão e ficava despachado.
confirmou-se esta recomendação, mas, do livro, ficou-me gravada esta máxima:

"convém é não confundir género humano com manuel germano"

no "casos do beco das sardinheiras", de Mário de Carvalho.
livro de que não sou feliz proprietária, apesar de já ter comprado uns 4, que ofereci a amigos.

16/01/07

10ª versão da morte de j.*

j. estava muito confiante com o seu novo emprego de agente imobiliário, sentia que esta era a sua verdadeira vocação. embora todos os seus empregos tivessem sido na área das vendas (com uma curta passagem pela loja de ferragens do avô – que agora era uma cabeleireiro com spa que certamente faria o senhor andar às voltas na sua urna, mas que pagava uma belíssima renda –, uns anos passados na fnac, e, uma passagem por uma perfumaria onde conseguiu vendas nunca vistas na área da cosmética masculina), quando começou a formação desta grande imobiliária percebeu que era a área de trabalho (e as comissões) para que estava verdadeiramente talhado.
apesar do seu optimismo, a sua primeira saída para avaliação de uma casa sozinho não correu tão bem como esperava. estava a tirar notas sobre o estado da casa de banho (tinha uns azulejos que precisavam mesmo de ser pintados antes da primeira visita) quando começou a ouvir uns gritos nas traseiras da casa, olhou pela janela e apanhou um susto enorme: era uma discussão entre vizinhos, e tinha quase a certeza de que tinham sido atiradas pedras.
achou por bem sair dali rapidamente, por um lado, temia pela sua integridade física, por outro, teve a sensação que aquele espectáculo não era único, o que iria dificultar grandemente a apresentação da casa a eventuais interessados... o melhor era pedir conselho ao chefe. desculpou-se pela saída apressada, que contactaria os senhores ainda naquela tarde e pôs-se a caminho de volta para o escritório.
na 2ª circular foi ultrapassado por um porsche cayman, distraiu-se a pensar que não se importava nada de ser apanhado em excesso de velocidade ao volante de um carro daqueles, sorriu enquanto estabeleceu como objectivo de vida a compra de um porsche (o modelo havia de ser o melhor da época), nem reparou que um camião de carga tinha tido de se desviar, repentinamente, para a sua faixa, e não deixou qualquer marca de travagem do seu ford fiesta (que ficou completamente desfeito) no asfalto.
os bombeiros que foram ao local há bastante tempo que não tinham tanto trabalho a desencarcerar um cadáver e, ainda por cima, tiveram de chamar um autotanque para limpar os restos das galinhas (a carga do camião) que ficaram espalhados pela estrada.

ao condutor do camião, além do susto, restou a esperança que o seguro de j. estivesse ordem, alguém ia ter de pagar todos aqueles danos.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

15/01/07

ver as páginas brasileiras das agências de notícias contribui, quase sempre, para a melhoria da cultura geral de qualquer um de nós.
andei a recolher exemplos:

Beckham quer ser ator, diz Giorgio Armani
Cientistas criam galinhas que botam ovos 'anti-câncer'
Cientistas tentam criar chiclete contra a obesidade

estou mesmo a ver que o jogador da bola vai ter uma carreira pejadinha de filmes, mas, estranhamente, no que diz respeito a qualidade e a bons resultados, acredito mais nas galinhas "anti-câncer" e no chiclete contra a obesidade...
é a minha fé na ciência, por oposição à minha falta de fé no narcisismo.

14/01/07

Bailarina britânica de extrema direita enfrenta protestos
hmmm...
dúvidas que se me ocorrem:
- se a senhora fosse bancária de extrema direita também enfrentaria protestos?
- e se, sendo bailarina, fosse adepta da extrema esquerda, também se levantariam protestos?
- e o que tem a ver ser bailarina com as convicções políticas?! a pessoa está lá para dançar ou para discursar?!
- já repararam que os bailarinos seguem coreografias, e que, no tempo de serviço enquanto bailarinos, não costumam apresentar manifestos políticos?
- enfim, quer-me parecer que, se a senhora quer ocupar o seu tempo livre com actividades de gosto duvidoso, e enquanto essas actividades não resultarem, só por si, em actos ilegais, a restante população não tem nada a ver com isso.

12/01/07

mudei-me do blogger antigo para o novo blogger, mas ainda não tive tempo para investigar as vantagens deste novo registo.

(pode ser que esta falta de tempo esteja aliada a falta de paciência e a uma nabice crónica para estas coisas dos computadores, mas, por enquanto, são boatos não fundamentados, que vou continuar a negar)

por enquanto, a coisa que mais me salta à vista, é o facto de poder acrescentar um marcador para cada postagem. gosto particularmente dos exemplos de marcadores dados: "patinetes", "férias", "outono".
e o que são "patinetes"? o dicionário da priberam não reconhece "patinete", mas uma busca no google esclarece-me que é a versão brasileira de trotinete.
não costumo falar muito de trotinetes, portanto, não me serve.

aliás, se eu, geralmente, não gosto de dar títulos aos posts (só o j. merece e é porque morre logo a seguir), será que me vai apetecer "marcar" cada postagem?
...
acho que não.

11/01/07

o neo-imperialismo americano finalmente chegou de armas e bagagens a ponta delgada.
não é que, nesta passagem de ano, abriu um mcdonald's em ponta delgada, e as pessoas ficaram tão satisfeitas, que parece que não saem de lá?

todas as pessoas da ilha? todas, todas... não.
parece que um Grupo moradores exige imediata suspensão de actividade de restaurante. o que eu até compreendo, vivi durante anos por cima de um restaurante chinês, e não podia abrir a janela da sala por causa do cheiro - situação que era particularmente dramática no verão - e só quando mudei de casa é que fechou a porcaria do restaurante... portanto, até sou solidária com a parte dos cheiros e da confusão de gentes à porta.

pois que eu ainda não lá fui (também eu cedo ao "poderio do gigante da restauração americano", confesso)... estou à espera que o efeito surpresa passe para ir comer um sunday de chocolate (ou de caramelo, não sei, na altura hei-de decidir, e é porque não gosto muito de hambúrgueres) com a devida calma, mas vou esperar que regularizem os acessos e que acalmem os ânimos dos vizinhos.

(e lamento não me lembrar de mais nenhuma frase pomposa para me referir a esta situação, mas o dia já vai longo, mesmo assim consegui umas palavras que me valeriam uns valentes pontos no scrabble)

09/01/07

9ª versão da morte de j.*

ao cabo de uma semana engripado, j. acordou muito bem disposto, vestiu o seu fato preferido, com a gravata azul claro que lhe realçava o tom dos olhos, e preparou a mochila para ir ao ginásio no intervalo para almoço.
era uma coisa que o divertia, ir na rua, todo bem vestido, com a mochila com o equipamento do ginásio às costas. além disso, ainda se lembrava que a sónia, uma das instrutoras, tinha sido particularmente simpática na última vez que lá tinha ido. ele até lhe tinha feito um convite para irem jantar, e ela tinha respondido com um “logo se vê”, j. estava convencido que com uma insistência agradável, era capaz de ter sorte e de ela concordar com o jantar. e depois logo se veria, como ela própria tinha dito…
sentiu-se um bocadinho contrariado quando chegou ao ginásio e percebeu que era o dia de folga de sónia, mesmo assim, fez todos os seus exercícios e adiou a intenção do convite para a próxima oportunidade.
já ia de volta para o escritório, quando passou por um prédio que estava em obras, com uns andaimes, estava a contornar a estrutura, quando, de repente, ouviu “ATEN…”, e levou com um bloco de cimento na cabeça, mesmo com a quina do bloco, que o deixou com a cabeça aberta, no meio das avenidas novas.
no ginásio estranharam que ele nunca mais lá tivesse ido, mas não era o primeiro sócio que pagava um ano inteiro, depois se fartava, sem dar satisfações, e nunca mais lá aparecia, portanto, deixaram por isso mesmo.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

08/01/07

haverá coisa melhor do que a pessoa estar a comer umas simpáticas (e muito doces) tangerinas apanhadas nas árvores de casa dos próprios dos pais, que se sabe que não teve qualquer contacto com químicos?
certamente, mas hoje apetece-me fazer este elogio às coisas simples da vida.

06/01/07

às vezes faço um pequeno jogo: quando chego ao carro, penso numa música que gostava de ouvir, e depois ligo o rádio na esperança que esteja a passar.
nunca aconteceu dar-se a coincidência… mas continuo a tentar, nunca se sabe quando vai resultar.

05/01/07

o público de hoje tinha esta sequência de títulos:

Voos da CIA: testemunhas viram "transferência de pessoas agrilhoadas" nos Açores
A eurodeputada Ana Gomes garante que existem testemunhos visuais da "transferência de pessoas agrilhoadas" e de "coisas estranhas" na Base das Lajes, nos Açores, que parecem confirmar a passagem de voos da CIA pelo arquipélago.
Voos da CIA: Governo reafirma falta de provas de ilegalidade
PCP: declarações de Ana Gomes são “mais uma acha para a fogueira”
CDS-PP recomenda a Ana Gomes “alguma seriedade e honestidade intelectual”

e o açoriano oriental relatou esta reacção do presidente do governo regional: César diz que declarações de Ana Gomes são uma questão de "fé"

as minhas dúvidas são:
- a estadia na indonésia não devia ter tornado a, agora, eurodeputada imune aos efeitos nocivos da humidade nos espíritos mais fantasiosos?
- finalmente a ilha terceira será assumida como um novo entroncamento (com direito aos respectivos fenómenos, e tudo)?

03/01/07

entusiasmada pelo espírito da época, esta tarde tentei fazer uma lista de objectivos para este ano novo:

- continuar a matar o j. todas as semanas - mas só enquanto conseguir arranjar mortes sangrentas e diferentes

(desconcentrei a escolher uma gabardine com 50% de desconto na mango)

- deixar o cabelo crescer, pelo menos o suficiente para fazer um rabo-de-cavalo

(desconcentrei a ouvir a bonita frase-chave "quem casa quer comprar, ao a. machado vai falar", seguida de "era para ouvir o sr. jorge ferreira, aquela que diz que a filha é muito linda, não sei como se chama, e dedicar a canção à minha família, à minha prima sãozinha, à minha vizinha rosárinho, e aos senhores que 'tão aí na rádio")

- tentar não comprar mais livros do que os que consigo realmente ler

(desconcentrei com um telefonema para falar de conversas de miúdas)

- esforçar-me por ser mais paciente no trânsito

(desconcentrei a pensar na passagem de ano)
finalmente, achei que a minha lista estava demasiado tonta, e que estava a sofrer demasiadas interrupções.
além disso, lembrei-me que, até agora, geri bem a minha vida seguindo princípios básicos como tentar divertir-me enquanto faço o que tenho obrigação de fazer, não fazer mal ao próximo, rir mais um bocado nos intervalos seja lá do que for, e tentar não cantar em público...
dei por mim a concluir que não há grande necessidade de listas que só me vão atrapalhar os planos que estão por fazer, vou antes começar mais um ano preparada para as surpresas, venham elas!

28/12/06

vou a banhos...
um bom ano para todas as pessoas de bem que são simpáticas o suficiente para passarem por aqui... e para os amiguinhos... e para as famílias... e para todos, que estou contra discriminações.

27/12/06

atendendo:
à época do ano...
à boa vontade reinante...
à esperança no novo ano que está mesmo aí à porta...

aparece mais uma notícia (pouco) entusiasmante:
Portugal é exemplo negativo para os futuros membros da Zona Euro
afinal, parece que portugal é "exemplo", ainda que negativo.


26/12/06

8ª versão da morte de j.*

o natal de j. foi calmo, frio, em família, na aldeia à beira de abrantes.
dia 25 guardou todos os seus presentes (cheques-oferta, meias, camisolas, um casacão, os dvds dos filmes alien - com direito à caixa com a cabeça do bicho e tudo) na bagageira e dirigiu-se de volta a lisboa, só os dois livros de auto-ajuda, ficaram distraidamente em casa da avó, achou que deviam servir de bom treino de leitura para os primos franceses quando viessem passar férias de verão.
pelo caminho apanhou alguns sustos com o trânsito, cruzou-se com uns condutores demasiado lentos, outros demasiado apressados, uns acidentes desagradáveis que conseguiu evitar (um mesmo em cima da hora), por sorte, o tempo estava seco e não havia nenhum animal perdido na auto-estrada, pelo que, apesar de cansado, chegou bem disposto a casa.
aliás, o dia estava a correr-lhe bem e até conseguiu um lugar para estacionar mesmo em frente à porta do prédio onde morava. só se atrapalhou um bocado à procura da chave da porta, porque já tinha pegado nos sacos da roupa, mais nos dos presentes, nesta altura, de repente, deu um passo ao lado e reparou que pisou uma poça de água (porque é que não tinha calçado uns sapatos com sola de borracha? este fim de dia estava a ficar azarado), desequilibrou-se, deixou cair o saco onde tinha os dvds, rogou uma praga em voz baixa, apoiou-se na parede mesmo antes de reparar que estava um cabo eléctrico com os fios à vista, sentiu um choque eléctrico e pensou que estava transformado numa árvore de natal iluminada.
a vizinha do 6º-C, ia tendo uma coisinha má quando encontrou o corpo mas, enquanto estava a ligar para o 112, lembrou-se que o apartamento que ele ocupava era maior que o dela, e do mesmo senhorio, agora era uma boa altura para mudar de apartamento, mesmo que a renda fosse um bocadinho mais alta, ia ser aumentada no princípio do ano.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

25/12/06

ensinamento culinário deste natal: na confecção da galantine de frutas* aconselha-se vivamente o reforço do cálice de vinho de porto e, em compensação, o uso de sumo de apenas 1 laranja, em vez de se usar o sumo de 2.
garante-se o ânimo das tias e avós que têm sempre cuidado para não abusar do álcool.


*sobremesa que, na minha casa, é feita com bolacha maria esmigalhada, manteiga, cerejas e abóbora cristalizadas, nozes, pinhões, sultanas, amêndoas, sumo de laranja e vinho do porto.
como é bom de ver, aceitam-se receitas para a troca.
ensinamento culinário deste natal: na confecção da galantine de frutas* aconselha-se vivamente o reforço do cálice de vinho de porto e, em compensação, o uso de sumo de apenas 1 laranja, em vez de se usar o sumo de 2.
garante-se o ânimo das tias e avós que têm sempre cuidado para não abusar do álcool.


*sobremesa que, na minha casa, é feita com bolacha maria esmigalhada, manteiga, cerejas e abóbora cristalizadas, nozes, pinhões, sultanas, amêndoas, sumo de laranja e vinho do porto.
se souberem de mais variantes, aceitam-se receitas para a troca.

23/12/06

como é bom de ver, as minhas boas intenções natalícias vão suspender-se até ao próximo ano se mais alguém me mandar um mail de natal com a música happy christmas (war is over), de john lennon...

22/12/06

constato que ando a ser pouco imaginativa nos presentes de natal quando, ao entrar pela 4ª vez na The Body Shop, as funcionárias já me cumprimentam com um à-vontade e entusiasmo fora do normal...
ao menos hoje os presentes ficaram todinhos despachados, e desejei, pela última vez, espero, bom natal às ditas funcionárias.
agora já me posso dedidar à doçaria (para o jantar de festa) com a consciência descansada.

20/12/06

estava a fazer uma lista mental das coisas que me contrariam quando conduzo, que passo a partilhar:
- irrita-me quando há reentrância no passeio para os carros estacionarem e, mesmo assim, os condutores optam por estacionar nessa direcção, mas na faixa de rodagem (invalidando um lugar perfeitamente simpático e impedindo a circulação dos restantes);
- implico com os condutores que gostam de fazer as rotundas todinhas pela faixa de fora (deve ser para resguardar o asfalto das faixas de dentro);
- não acho nada civilizado os condutores que não se desviam das poças de água e que molham as pessoas propositadamente;
- e, acima de tudo, acho muito antipático quando vou a cantar a plenos pulmões a acompanhar a música da rádio, e olham para mim como se fosse maluquinha... há quem cante no duche, eu canto no carro, parece-me que se fizesse as coisas acima descritas, seria bem pior.

19/12/06

7ª versão da morte de j.*

j. estava ligeiramente apreensivo, era a noite do jantar de natal da empresa onde trabalhava desde março, portanto, era o primeiro jantar de natal a que ia na companhia dos restantes funcionários e, ao longo desses meses, já se tinha apercebido de algumas intrigas e inimizades entre os funcionários que procurava evitar.
nesse ano, ainda por cima, o chefe tinha-se esmerado nos preparativos, fez reservas num restaurante acabado de inaugurar, que ficava num 16º andar e que tinha uma vista soberba sobre o tejo e a margem sul… à última da hora não conseguiu arranjar nenhum argumento que pudesse justificar a sua ausência, e lá foi.
no decurso do jantar provou-se, mais uma vez, que o vinho (tinto ou branco, havia para os dois gostos) é o melhor meio de garantir amizades, de tornar as pessoas mais agradáveis e até mais atractivas, aliás, a solange (secretária do chefe) estava particularmente engraçada, era capaz de jurar que até tinha trocado a cor do cabelo, tinha um brilho acobreado diferente que lhe dava muita graça.
deu por si entusiasmado, a pensar que este jantar se estava a revelar uma belíssima ideia quando, de repente, os restantes convivas começaram a cantar “e se o j. quer ser cá da malta, tem de tomar o copo todo até ao fim, até ao fim…”, teve uma lembrança terrível do primeiro jantar de caloiro a que tinha ido (a pior carraspana da sua vida), levantou-se de supetão, desequilibrou-se, deu dois passos atrás, tentou equilibrar-se, mas a janela estava entreaberta e caiu do 16º andar, em cima do audi tt do chefe que tinha tido imensa sorte a parar o carro mesmo em frente ao restaurante.
a partir desse fatídico natal, nunca mais aquela empresa organizou jantares de natal.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas o acidentes acontecem…

18/12/06

sobre a decisão de o rivoli ser gerido pelo sr. la féria nos próximos anos (que parece ainda não ser definitiva, embora provavelmente seja), no telejornal da sic, um popular disse: "a cultura não é para dar lucro".
a jornalista em voz-off diz que, no porto, não querem uma cultura que seja comercial.
e eu digo:
1º:
a) porque é que a cultura não há-de ter algum lucro?
b) um espectáculo conseguir pagar-se - sala, salários, luz, figurinos... - é motivo de vergonha?
2º:
a) eu, francamente, acho que as produções do sr. lá féria não são más de todo, embora um bocadinho popularuchas;
b) durante décadas este foi o país da revista à portuguesa e toda a gente ia assistir (e havia aplausos, coisa que me escapa totalmente, mas nunca me viram a fazer mais comentários depreciativos), parece que agora é que estão na fase de exigir espectáculos para a elite cultural, mas pagos por todos (porque parece que não se pagam a si próprios porque "a cultura não é para dar lucro").
3º:
a) eu gosto de produções experimentais, mas é com conta peso e medida, lá de volta e meia, não é por mim que estes espectáculos estariam sempre cheios;
b) fui a um único espectáculo no politiema (my fair lady), e achei um espectáculo bonito (a parte pior era a sala a abarrotar de pessoas que insistiam em falar para o lado, lá está, a parte que dá lucro).
4º:
estes adeptos da cultura haviam de ter a oferta cultural que ponta delgada tem, para verem o que é bom para a tosse (bem sei que, para estes senhores, a importância cultural entre o porto e esta humilde cidade no meio do atlântico plantada não deve ser comparável... mas hoje estou opinativa).

mesmo assim, ponta delgada está bem melhor que aqui há uns anos, temos estas duas salas (embora com poucos espectáculos, mas isso é detalhe): Coliseu Micaelense e Teatro Micaelense, 6 salas de cinema, e umas 4 galerias de arte (que me lembre).

16/12/06

um sábado de chuva lamentável...
um lamentável sábado de chuva...

um sábado lamentável de chuva...

15/12/06

abateu-se um mau tempo nesta ilha (e nas restantes do arquipélago, ao que me parece).
esta tarde, contei 12 guarda-chuvas estragados em caixotes de lixo e deixados no passseio, perdi a conta ao número de pessoas com quem me cruzei e que se renderam aos fortes argumentos do vento e acabaram por levar o guarda-chuva fechado na mão, apanhando chuva com toda a dignidade.
eu acabei por achar melhor nem levar o guarda-chuva, enterrei o chapéu impermeável na cabeça e enfrentei o vento e a chuva. consequência directa, ou não, acho que estou com um princípio de constipação.

14/12/06

eu conhecia o clássico que são aquelas senhoras que usam tantas jóias e brilhos que mais parecem árvores de natal... hoje, vi essa ideia a ser levada a um extremo: cruzei-me com uma senhora que, não só estava cheia de bugigangas douradas, como, na gola da sua camisola de gola alta preta, tinha um alfinete que era uma árvore de natal cheia de vidrinhos brilhantes!
achei muito divertido e adequado à época.

13/12/06

a evolução da ciência permite coisas extraordinárias: Espanhola é primeira a receber duas mãos, depois de (segundo a notícia) ter vivido os últimos 28 dos seus 47 anos sem mãos, recebeu um transplante de ambas as mãos.
o sorriso da senhora, na fotografia dessa notícia do diário de notícias, é lindo.

12/12/06

6ª versão da morte de j. *

j. andava desanimado, estava cansado do burburinho, da excitação natalícia em lisboa… portanto, decidiu fazer um fim-de-semana diferente de toda a gente, completamente contra a maré: foi para faro. caramba, o algarve não havia de ser só para férias de verão! mal por mal, também devia ter comércio para tentar despachar as poucas ofertas de natal que era obrigado a fazer, e sempre variava na paisagem.
quando lá chegou ficou bastante satisfeito, havia um movimento diferente e muita animação de rua divertida, incluindo neve na baixa de faro todos os dias, entre as 16 e as 18 horas. estava mesmo convencido que ia voltar para lisboa com muito melhor disposição, e uma nova vontade de enfrentar as festas mas, de repente, ouviu o grito:
Menino Jesus foi «raptado» do presépio!
a princípio não percebeu o que se estava a passar, no entanto, quando se virou na direcção do grito, viu um vulto a correr na sua direcção carregando um objecto estranho. ainda tentou desviar-se, mas a neve artificial dificultou-lhe os movimentos, ele escorregou e acabou com o tronco atravessado por uma árvore de natal que estava a decorar a entrada de uma loja de porcelanas, onde pretendia comprar uma caixa com motivos natalícios para oferecer à sua mãe. os danos internos revelaram-se irreversíveis, e os externos também, já que foi bem atravessado pela árvore e havia pessoas mais sensíveis a assistir (ainda que involuntariamente) ao episódio.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

11/12/06

andei a informar-me do que se passa no mundo e:
- por um lado, parece que Pirataria na China é "inaceitavelmente alta", dizem EUA... pois sim... haverá pirataria "aceitavelmente alta" ou "inaceitavelmente baixa" ou "medianamente aceitável"? (mas a pirataria não é, à partida, uma coisa má que os governos deveriam combater?! - está, obviamente, a dar-me um ataque de ingenuidade...)

- por outro, Caso Litvinenko supera a ficção, dizem escritores... é bem verdade, eu ainda não me tinha lembrado de matar o j. com uma dose reforçada de uma substância radioactiva (especialmente porque não percebo nada de substância radioactivas e ia ter de fazer uma pesquisa reforçada sobre a matéria), mas, seja como for, agora já vou tarde demais! já morreu o senhor espião russo desse malzinho, o meu j. vai ter de se reduzir a mortes mais prosaicas e, com um bocadinho de sorte, mais sangrentas.

10/12/06

porque o desporto nacional não é só bola, nem só o livro da sra. d. carolina salgado (cumpre-me sublinhar que, ultimamente, ando com muito melhor feitio nem vou fazer piadas a este extraordinário fenómeno no panorama literário nacional - pelo menos, enquanto não folhear o livro em alguma livraria...), cá ficam boas notícias deste fim-de-semana:

Mónica Rosa: «Estou feliz com a medalha de ouro»
Europeus Crosse: Fernando Silva conquista prata
Natação: dois recordes em Helsínquia

09/12/06

constatação:
basta-me querer distrair o pensamento do que não tem remédio, para me dar o frenesim das arrumações: a casa está toda em ordem, e até a minha secretária se aproxima da arrumação total... tenho de abrandar o ritmo, senão deixo que ter com que me ocupar e volta a fugir o pensamento para o disparate.

07/12/06

descobertas do mundo dos leilões:
Leiloada múmia egípcia de três mil anos (por 750 mil euros)
Preço recorde por vestido de Audrey Hepburn (por 608 mil euros)

o que me contraria é que na notícia não explica que fim vai ser dado à múmia, já a receita da venda do vestido usado em breakfast at tiffany's destina-se à organização humanitária «cidade da alegria», que se ocupa dos filhos dos leprosos de calcutá e, só por isso, até acho que foi vendido por pouco.

além disso, estas notícias deram-me a boa ideia (especialmente dirigida a quem se esqueceu dos meus anos, e ainda vai a tempo de me compensar no natal) de recomendar esta página como simpática para me escolherem alguma oferta:
A Private Collection of G. Argy Rousseau and Rene Lalique Masters of French Design

é só uma ideia... se me quiserem oferecer antes uma t-shirt com macaquins, também podem.

06/12/06

suor e fantasia
(quinteto tati)

6 da tarde e já está sol lá fora.
fico só mais meia hora,
numa pétala de sono insolente.
os teus pés ainda dançam,
vão andando assim tão delicados pelo dia adolescente,
dedo a dedo,
doces.
ai, a graça do amor!
já não vou trabalhar!
as tuas olheiras de cansaço dão um traço bem preciso ao sorriso que preenche todo o vasto espaço.
ai, a graça do amor!
já não vou trabalhar!

todo o dia e toda a noite só suor e fantasia,
quem julga que é fácil que experimente levitar sobre o tejo:
a vida é difícil, sempre foi.

meia noite e café da manhã:
esse teu rosto é o meu dilema e despimo-nos à pressa para ir ao cinema.
ai, a graça do amor!
já não vou trabalhar!

todo o dia e toda a noite só suor e fantasia,
quem julga que é fácil que experimente levitar sobre o tejo:
a vida é difícil, sempre foi.

(foi um daqueles dias em que, quando a pessoa dá por si, está a trautear o refrão...)

05/12/06

5ª versão da morte de j.*

j. acordou bem disposto, o que não era muito comum nele, geralmente acordava rabugento, e demorava, pelo menos, meia hora até conseguir articular qualquer palavra, mas era feriado, estava sol e, na véspera, o patrão tinha-lhe dito que lhe ia aumentar o salário no ano seguinte, considerando que já estava em dezembro, esta notícia agradou-lhe bastante.
resolveu ir dar um passeio a pé, aproveitar a cidade quase vazia, tentar encontrar um vendedor de castanhas assadas, gostava imenso e já não comia há tanto tempo…
estava em pleno chiado e, de repente, tocou-lhe o telemóvel, abrandou o passo e sorriu quando viu o nome no visor: ana, a veterinária que ele julgava que o andava a ignorar e que, afinal, tinha estado de urgência na clínica (tinha tido uns partos de cadelas particularmente complicados), mas que já estava descansada, e desafiava-o para ir ao cinema nessa mesma tarde.
não teve tempo sequer para chegar a acordo sobre qual o filme a ver, desequilibrou-se quando levou com uma bola que fugiu ao controlo de um malabarista e caiu mesmo debaixo do eléctrico, que já estava com 20 minutos de atraso.
ana não percebeu o que se tinha passado, porque o telemóvel partiu-se quando caiu ao chão, e acabou por ir ao cinema com uma colega de curso.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

04/12/06

fui, num instante, comprar caramelos a badajoz, na melhor das companhias.
entre várias constatações essenciais para a continuação da raça humana como a conhecemos, decidimos que os 3 primeiros filmes da guerra das estrelas são os melhores e que, pese embora o novo actor se apresente um bocadinho mais musculado do que o que seria desejável, o novo 007 não está mauzinho de todo.

e agora, back to life as we know it...

28/11/06

4ª versão da morte de j. *

o seu primeiro congresso… e em são tomé e príncipe!
j. tinha visto, havia pouco tempo, um documentário sobre as suas roças e praias paradisíacas, tinha tido uma namorada que tinha lido o "equador" de fio a pavio, e que lhe descrevia, animadíssima, os detalhes da viagem de luís bernardo (pensando nela, que seria feito da angelina? nunca mais tinha sabido dela), e estava, definitivamente, a precisar de apanhar uns raios de sol que lhe tirassem a tez amarelada provocada por demasiadas horas de estudo em cima dos manuais.
era um congresso de reabilitação cardiovascular, não era propriamente a matéria que mais curiosidade lhe provocasse, mas decidiu que ia mesmo assim.
no dia da partida, acordou particularmente bem-disposto, acabou de preparar a mala, fez o check-in com tempo, e até conseguiu um lugar à janela, para poder apreciar melhor a aterragem… nem a segurança do aeroporto, nem as hospedeiras souberam explicar como é que j. caiu entre a escada e o avião, e se esparramou no chão do aeroporto da portela.

ainda por cima, nunca chegou a sair de solo nacional e atrasou a saída do voo em 2 horas.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

27/11/06

ia começar a semana a fazer uma piada fácil sobre uma eventual disputa entre o grupo desportivo os minhocas (ilha das flores) e o grupo desportivo dos biscoitos (ilha terceira), mas depois lembrei-me que também existe o clube desportivo rabo de peixe (ilha de s. miguel), e achei por bem meter a viola no saco, e não me meter com estes clubes, que até têm bastante mérito.

pergunto-me, no entanto, se o fenómeno toponímico e dos nomes dados à agremiações* desportivas neste arquipélago está devidamente estudado... valia a pena.

*bonita palavra, acho que ainda não a tinha usado por aqui.

26/11/06

há que saber interpretar sinais:
quando é mais fácil ir procurar um requerimento de apoio judiciário na página da Segurança Social do que na pasta dos meus documentos (onde eu tenho quase a certeza que o tinha guardado), é altura para rever a (des)organização dos documentos guardados no meu computador e tentar dar-lhe um jeito.

23/11/06

há umas novidades que, simplesmente, não são novidades, por exemplo: Cantinas não passam no exame.
ora, algures na minha longínqua adolescência, lembro-me bem, a cantina da escola onde estudei chegou a ser fechada uma semana inteirinha por falta de condições.
escusado será dizer que eu comia lá antes de ter sido fechada, passei uma semana a comer no bar, voltei a comer na cantina quando reabriu e, francamente, não dei por diferença nenhuma da qualidade.
acho que só por sorte não apanhei nenhuma coisinha má e, pelos vistos, assim continuam as escolas.

22/11/06

fui, mais uma vez, à biblioteca pública de ponta delgada em busca do que não se encontra em mais nenhum sítio (a colecção completa do diário da república desde que começou a ser publicado, no caso, um jornal de 92), mesmo perto da hora do fecho - às 19 horas, este conceito de horário alargado é uma enorme vantagem - os funcionários continuavam bem dispostos e simpáticos!

e, enquanto estive à espera que a senhora que me atendeu encontrasse o jornal de que precisava, reparei que ela estava a ler um livro de receitas, aberto na página em que explicavam a fazer gomos de laranja em calda, aproveitei para ver que são precisas 9 laranjas grandes, 1/2 kg de açucar e um copo de água.
confesso que, como não havia chocolate na lista, não tentei ler como se manipulam estes ingredientes para chegar ao resultado final (que, de acordo com a fotografia, até nem tinha mau aspecto), o pecado da gula é muito limitativo das receitas de sobremesas que se aprendem...
encontrei o despacho de que precisava, agradeci aos senhores e desejei-lhes boa tarde, ao passar pela cafetaria, comprei um snickers. mais uma vez, a gula levou a melhor.

21/11/06

3ª versão da morte de j.*

pela primeira vez nos 4 anos em que j. trabalhou para a empresa do tio alves, a venda de guarda-chuvas fluorescentes aumentou de modo considerável, e tornaram-se responsáveis por 1/5 dos lucros no final do ano.
o tio alves até aquela altura não tinha gostado muito de ter família a trabalhar na sua empresa, mas tinha sido um pedido desesperado da sua irmã mais nova que não tinha podido recusar. apesar disso, era um homem justo, chamou o j. à sua sala, e ofereceu-lhe um cheque com uma bonificação extra, e desejou que, no próximo ano, j. tivesse ainda mais sucesso, quem sabe se não chegaria a sócio, se trabalhasse com afinco suficiente?
já estava mesmo no fim do dia de trabalho, j. só teve tempo de agradecer comovido, e saiu a correr para marcar mesa no restaurante da moda, não podia perder esta oportunidade de celebrar com a sua marlene.
e que bem estava a correr a refeição, finalmente podia comprovar que o xl era um restaurante e pêras, a sua marlene estava encantadora com um discreto vestido preto, e ele olhava-a em silêncio e pensava se seria esta uma boa altura para a pedir em casamento.
- então querido, vais deixar arrefecer a tua lasanha à bolonhesa… és mesmo tonto, quem é que se lembra de pedir lasanha num restaurante destes…
j. sorriu e experimentou uma garfada. de repente, o restaurante todo só ouvia os gritos de marlene a perguntar quais os ingredientes da lasanha, para saber qual das alergias alimentares de j. tinha dado origem a esta aflição, mas já era tarde demais, j. só teve tempo de levar a mão ao bolso, e agarrar o cheque do tio alves, que não tinha tido tempo para depositar.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

20/11/06

mais uma notícia interessante, daquelas que aumentam a cultura geral dos leitores: Camundongos vão testar comida dos Jogos de Pequim.

depois de uma busca rápida na grande rede, descobri que os camundongos são uns ratinhos de laboratório (aqui há mais informação sobre os ditos: COBEA - Animais de Laboratório), e não acho nada simpático que os chineses os usem para experimentar a comida dos atletas.
outra ideia chinesa mesmo no fim da notícia também me parece um bocado estranha: "cães e gatos de rua vão ser recolhidos e artilharia será usada para dispersar nuvens, garantindo um céu azul durante a duração do evento, diz o correspondente da BBC em Pequim, Quentin Sommerville."
nem quero imaginar o que vão fazer aos bichos (embora também calcule que os podem querer usar para mais experiências de laboratório) e vão ter bom tempo, nem que seja à força...
acho que estão a levar isto dos jogos olímpicos demasiado a sério.

19/11/06

desde hoje à tarde, foi destacado na minha lista de palavras preferidas o verbo catrapiscar.

eu catrapisco
tu catrapiscas
ele catrapisca
nós catrapiscamos
vós catrapiscais
eles catrapiscam

e todos nós ficamos mais bem dispostos.

16/11/06

e para este meu fim-de-semana, que começa mais cedo, prevê-se uma visita à Igreja de S. Roque e ao Museu Nacional do Traje e da Moda.
vai ser animado, muito animado.
posto isto, até ao meu regresso.

15/11/06

e hoje, dedico-me a títulos simpáticos:
- boas notícias para os residentes no arquipélago dos açores:
Preço das gasolinas baixa dois cêntimos na sexta-feira
- boas notícias para todos os que adoram chocolate:
Saúde: Chocolate preto ajuda a prevenir problemas cardíacos - estudo
- boas notícias para as enfermeiras inglesas admiradoras de george michael:
George Michael fará show só para enfermeiras
- boas notícias para quem tem excesso de fios eléctricos espalhados à volta:
Cabos e tomadas podem virar coisa do passado
- boas notícias para a noiva de tom cruise, katie holmes:
No casamento, Cruise deve prometer panela e gato para noiva

14/11/06

2ª versão da morte de j. *

finalmente j. tinha encontrado a edição perfeita do POC: com capa dura, azul e letras douradas… de luxo.
além disso, o natal estava próximo e já tinham começado a chegar circos à cidade. estava radiante, adorava os palhaços, os trapezistas, os malabaristas… só as feras é que lhe criavam algum receio mas, mesmo assim, não havia ano em que não tivesse ido assistir a, pelo menos, um espectáculo.
de repente, sentiu uma nova força interior e, depois de quase um ano a ganhar coragem para demonstrar o interesse que sentia pela zézinha, sua colega de open space, no escritório de contabilidade onde trabalhava, decidiu convidá-la para o acompanhar à matiné do circo no domingo seguinte.
a zézinha achou a ideia enternecedora, apesar de preferir as feras e de só recentemente ter ultrapassado o seu medo de palhaços (especialmente do palhaço rico), e aceitou prontamente, aliás, já andava há uns tempos com vontade de privar mais perto com j. mas, por um lado, era tímida e, por outro, não queria parecer demasiado atiradiça.
mesmo perto da hora da saída, j. foi chamado ao gabinete do chefe para falarem sobre um cliente que atrasava sistematicamente a entrega dos documentos para o IVA. ao voltar para o open space, para ir buscar o POC (que até já considerava ofertar à zézinha pelo natal), ia distraido a pensar em como a vida lhe estava a correr bem, não viu o fio de um telefone que tinha sido levado de uma secretária para outra, tropeçou e bateu com a cabeça contra a quina da sua própria secretária com tal força que o POC até caiu no chão.
quando o chefe o encontrou já nada havia a fazer, mas resolveu guardar o POC para si, realmente era uma bela edição.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

13/11/06

por um lado, devemos estar na época de acordar da hibernação, não faz muito sentido, bem sei que devia ser lá mais para o quentinho da primavera, mas acho que podemos culpar as alterações climáticas por estas notícias:
PND prepara eleições
Santana atribui queda do seu Governo a “conjugação de interesses”

por outro lado, os Estados Unidos acreditam que Fidel morre em 2007.
- ora, se em cuba a esperança média de vida é de 77,23 anos (de acordo com a wikipédia, nem sempre muito precisa), e se o senhor fez 80 anos neste mês de agosto (dia 13, para o mais curiosos), estatisticamente falando, não me parece que seja tão garantido como isso a sua morte, ainda está muito perto da média;
- além do mais, cuba é conhecida pelos seus bons serviços médicos;
assim, com base em que adivinhos é que fizeram esta previsão?

não terão os americanos um equivalente ao sábio provérbio "morte desejada, vida acrescentada"? é que, se continuam a agoirar desta maneira, e o senhor fica por cá mais uma década ou duas só para os chatear, ainda dá para mais 1 ou 2 presidentes americanos, nas calmas e a rir de gozo.

11/11/06

dia de s. martinho dá azo a uns poucos provérbios, por exemplo:

Dia de São Martinho, castanhas e vinho.
Dia de São Martinho, comem-se as castanhas e bebe-se o vinho.
Dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho.
Dia de São Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
Dia de São Martinho, prova o teu vinho.
Dia de São Martinho, vai à tua adega e prova o teu vinho.

Em dia de São Martinho, semeia os teus alhos e prova o teu vinho.

não percebo é o que está ali a fazer a referência à matança do porco, e não tenho espaço para plantações na minha mini-varanda... na minha ideia, bastam as castanhas (algumas das quais tinham bicho, o que é sempre bom sinal, porque, como se sabe, o bicho escolhe o melhor fruto), e o vinho abafado também não estava nada mau (daqui por umas semanas, mais calminho, ainda estará melhor, já me fiz convidada para mais um almoço).

nesta busca de provérbios, encontrei outros assustadores:
Dia de Santo André, quem não tem porco, mata a mulher.
Em dia de Santo André, quem não tem porco que mate, amarra a mulher pelo pé.
eles a darem-lhe outra vez com o porco, quem diria que até serve para justificar violância conjugal...

10/11/06

ia eu distraidamente pela rua fora, eis senão quando... sou interpelada por um adolescente sorridente (que estava na companhia de outros adolescentes também muito sorridentes, eu é que não tinha reparado):
- ó senhora, não quer comprar uma rifa para ajudar na nossa viagem de finalistas?
- hmmm... e qual é a escola?
- a melhor! antero de quental!
- ahn... eu andei na domingos rebelo...
- e foi muito boa escolha! mas os da domingos rebelo não estão aqui a apanhar chuva como nós, a tentar vender rifas!

como achei que estava bem visto, lá dei 50 cêntimos por uma rifa, e arrisco-me a ganhar um fim-de-semana na residencial goretti que, segundo informações desse finalista, "fica mesmo ali em santa clara, e é muito boa".

09/11/06

Governo diz que adesão à greve foi de 11,74 por cento e, calhando, deve ter sido só por causa das Greves no Metro e na Soflusa atingem 530 mil passageiros, porque estes 11,74 % não conseguiram transportes alternativos para chegarem às respectivas repartições a tempo...

por cá (onde não somos servidos nem pelo metro, nem pela soflusa), e não desmerecendo no direito à greve, os funcionários da secção central do tribunal de ponta delgada devem ter feito mais uns quantos amigos (pelo menos de manhã, altura em que tive de ir ao tribunal), pelo menos as pessoas que deram com o nariz na porta fechada, sem qualquer aviso, e que, enquanto lá estive à espera, foram umas poucas.
e para não sair deste espírito, até o arguido do meu julgamento não apareceu.

08/11/06

Imelda Marcos, a senhora que foi 1ª dama das filipinas, que tinha uma colecção extraordinária de sapatos, que foi mais o seu ferdinand de fugida para passar uma temporada para o hawaii e que voltou para as filipinas para se candidatar em eleições presidenciais, arranjou um novo entretenimento: fazer bugigangas (confirma-se nesta notícia: Imelda Marcos lança grife de moda com coleção de bijuterias), e parece que ainda tem tempo para considerar candidatar-se, de novo, à eleições presidenciais de 2007.
alguém que lhe arranje mais bugigangas, por favor, parece que a senhora ainda tem é muito tempo vago nas suas mãos.

07/11/06

1ª versão da morte de j.*

j. estava radiante, nessa manhã, tinha garantido mais um cliente e, finalmente, todo o seu esforço tinha sido recompensado com o convite feito pelo dr. alves para se tornar associado da sociedade de advogados onde ambos trabalhávamos.
aliás, estava de tal maneira que até me convidou para almoçar: “santos, é naquele restaurantezinho que tem os jaquinzinhos… por minha conta!”, gritou-me enquanto eu tentava falar com um cliente espanhol ao telefone, e lhe fazia sinais para se calar.
pela 1 da tarde, íamos a subir a avenida da república, já perto do cruzamento com a avenida de berna, em direcção ao restaurante, quando toca o meu telefone, abrandei um bocado o passo para ver quem era, atendi e, de repente ouço uma travagem brusca e um barulho de uma pancada seca, quando levantei os olhos, vi um 56 mal parado, as pessoas lá dentro em pânico, e uma perna do j. para cá da roda dianteira direita, quanto ao resto do corpo, já era uma mistura com o autocarro.
dei por mim a pensar no azar do j., nem sequer era um percurso completo, aquele 56 ia só até ao areeiro, não ia para as olaias.


* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

06/11/06

Sentença de morte de Saddam divide países, por exemplo:

por acaso, e ressalvando que o senhor saddam hussein merece ser julgado e condenado por todas as enormidades que lhe são imputadas, preocupa-me que o presidente dos estados unidos ache que condenar uma pessoa à morte é um feito positivo, além disso, também me preocupa dar por mim de acordo com o nosso próprio presidente.

se a primeira preocupação não me espanta (em 38 dos 50 estados dos estados unidos a pena de morte é oficialmente permitida, de acordo com a wikipédia, por isso, é normal que o presidente bush ache que o estado mandar matar pessoas é boa ideia), a segunda é assustadora... eu não estava preparada para isto.

preocupações à parte, nunca percebi o que é que a pena de morte resolve, parece-me uma saída fácil para o criminoso e uma triste consolação para os que ficam. arranjem penas mais criativas, se não acham a cadeia suficiente, no caso da pessoa saddam hussein, talvez o encarceramento em prisão solitária, com uma televisão a passar discursos do senhor bush as 24 horas do dia, agora condená-lo à morte por 5859 crimes diferentes (mais crime, menos crime), e depois ele morrer só uma vez... é que não me consigo convencer da utilidade prática, até para ele que há-de arranjar maneira de se convencer que vai morrer como mártir da perseguição do grande satã.

04/11/06

hoje, apeteceu-me comer gelado, como é coisa que não tinha em casa, e que demora um bocado para fazer, resolvi ir ao supermercado mais próximo, onde me cruzei com um amigo com quem já não estava há imenso tempo.
ora, em 5 minutos de conversa:
- consegui que ficasse horrorizado porque não sou feliz proprietária de nenhum leitor de dvd's (aliás, a própria da televisão que tenho em casa é emprestada...);
- consegui que ficasse escandalizado porque fui de carro (apesar de o supermercado ficar a 10 minutos da minha casa, já estava de noite, e o gelado ainda derretia todo pelo caminho...);
- fui obrigada a comprar iogurtes e queijo fresco para disfarçar, com algo de remotamente saudável, a caixa enorme de gelado de chocolate (a vergonha pela gula...);
- arranjei companhia para ir ver o filme Marie Antoinette, quando finalmente estrear nesta ilha...

03/11/06

em véspera de fim-de-semana, um elogio às pequenas coisas da vida de miúda:

é muito melhor fazer um vestido na costureira (modelo único e ao meu gosto, daqueles "chiques a valer"), do que comprar feito, ter de mandar acertar para o meu corpo, e ainda cruzar-me com mais modelos iguais na mesma festa.

02/11/06

não é que eu ache má ideia receber correio electrónico do senhor director-geral dos impostos, especialmente porque o senhor se esforça por me mandar informação útil sobre esta coisa dos impostos e da página das finanças (a última é que há uma nova funcionalidade que permite a emissão, consulta e validação de certidões), mas já não gosto que se dirija a mim como sendo "Ex.mo. Senhor".

bem sei que os contribuintes devem ser todos iguais aos olhos do senhor director-geral, mas parece-me que devia ser na questão de rendimentos, ou seja, todas as pessoas dentro de uma categoria de rendimentos devem ser tratadas de igual forma.
definitivamente, não acho nada simpático saber que na direcção-geral das finanças não se dão ao trabalho de distinguir contribuintes-homens de contribuintes-mulheres, e que acham que uma rita merece ser tratada por "senhor"... é que podiam ter arranjado uma fórmula neutra, por exemplo, tratando só a pessoa por "contribuinte", se não querem pôr o mais comprido (mas abrangente) "exmo.(a.) senhor(a)".

01/11/06

pois que o Google Analytics dá muita informação útil sobre as minhas visitas e acusou que, nesta última semana, estes devaneios tiveram mais visitas vindas da ilha terceira que da minha própria ilha, portanto, cá deixo um grande bem-haja para os terceirenses que têm paciência para aqui vir, e para os restantes também, que estou mãos-largas.

e, já agora, cá fica um elogio ao jornal a união (http://www.auniao.com/), tem muito bom ar, não lhe encontrei zonas restritas e, quando não tenho paciência para ver o noticiário da rtpaçores nem para ler o jornal no café (o que acontece com alguma frequência, confesso), costumo ir dar uma passagem de olhos por lá.