18/01/07

hoje estava parada num semáforo quando, de repente, me senti num regresso ao passado: à minha frente tinha um umm alter (esse clássico do todo terreno, e não era da gnr) e a rádio passava o grande david bowie, com o seu absolute beginners.

entretanto, o sinal ficou verde mesmo na altura certa para eu acordar deste disparate do fim dos anos 80 e trocar a estação do rádio, enquanto o umm virou à direita, e eu segui em frente.
foi a minha sorte, senão, acho que me iam voltar as crises todas da adolescência naquele instante.

17/01/07

aqui há uns anos emprestaram-me um livro que era "levezinho" e "simpático", que o leria num serão e ficava despachado.
confirmou-se esta recomendação, mas, do livro, ficou-me gravada esta máxima:

"convém é não confundir género humano com manuel germano"

no "casos do beco das sardinheiras", de Mário de Carvalho.
livro de que não sou feliz proprietária, apesar de já ter comprado uns 4, que ofereci a amigos.

16/01/07

10ª versão da morte de j.*

j. estava muito confiante com o seu novo emprego de agente imobiliário, sentia que esta era a sua verdadeira vocação. embora todos os seus empregos tivessem sido na área das vendas (com uma curta passagem pela loja de ferragens do avô – que agora era uma cabeleireiro com spa que certamente faria o senhor andar às voltas na sua urna, mas que pagava uma belíssima renda –, uns anos passados na fnac, e, uma passagem por uma perfumaria onde conseguiu vendas nunca vistas na área da cosmética masculina), quando começou a formação desta grande imobiliária percebeu que era a área de trabalho (e as comissões) para que estava verdadeiramente talhado.
apesar do seu optimismo, a sua primeira saída para avaliação de uma casa sozinho não correu tão bem como esperava. estava a tirar notas sobre o estado da casa de banho (tinha uns azulejos que precisavam mesmo de ser pintados antes da primeira visita) quando começou a ouvir uns gritos nas traseiras da casa, olhou pela janela e apanhou um susto enorme: era uma discussão entre vizinhos, e tinha quase a certeza de que tinham sido atiradas pedras.
achou por bem sair dali rapidamente, por um lado, temia pela sua integridade física, por outro, teve a sensação que aquele espectáculo não era único, o que iria dificultar grandemente a apresentação da casa a eventuais interessados... o melhor era pedir conselho ao chefe. desculpou-se pela saída apressada, que contactaria os senhores ainda naquela tarde e pôs-se a caminho de volta para o escritório.
na 2ª circular foi ultrapassado por um porsche cayman, distraiu-se a pensar que não se importava nada de ser apanhado em excesso de velocidade ao volante de um carro daqueles, sorriu enquanto estabeleceu como objectivo de vida a compra de um porsche (o modelo havia de ser o melhor da época), nem reparou que um camião de carga tinha tido de se desviar, repentinamente, para a sua faixa, e não deixou qualquer marca de travagem do seu ford fiesta (que ficou completamente desfeito) no asfalto.
os bombeiros que foram ao local há bastante tempo que não tinham tanto trabalho a desencarcerar um cadáver e, ainda por cima, tiveram de chamar um autotanque para limpar os restos das galinhas (a carga do camião) que ficaram espalhados pela estrada.

ao condutor do camião, além do susto, restou a esperança que o seguro de j. estivesse ordem, alguém ia ter de pagar todos aqueles danos.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

15/01/07

ver as páginas brasileiras das agências de notícias contribui, quase sempre, para a melhoria da cultura geral de qualquer um de nós.
andei a recolher exemplos:

Beckham quer ser ator, diz Giorgio Armani
Cientistas criam galinhas que botam ovos 'anti-câncer'
Cientistas tentam criar chiclete contra a obesidade

estou mesmo a ver que o jogador da bola vai ter uma carreira pejadinha de filmes, mas, estranhamente, no que diz respeito a qualidade e a bons resultados, acredito mais nas galinhas "anti-câncer" e no chiclete contra a obesidade...
é a minha fé na ciência, por oposição à minha falta de fé no narcisismo.

14/01/07

Bailarina britânica de extrema direita enfrenta protestos
hmmm...
dúvidas que se me ocorrem:
- se a senhora fosse bancária de extrema direita também enfrentaria protestos?
- e se, sendo bailarina, fosse adepta da extrema esquerda, também se levantariam protestos?
- e o que tem a ver ser bailarina com as convicções políticas?! a pessoa está lá para dançar ou para discursar?!
- já repararam que os bailarinos seguem coreografias, e que, no tempo de serviço enquanto bailarinos, não costumam apresentar manifestos políticos?
- enfim, quer-me parecer que, se a senhora quer ocupar o seu tempo livre com actividades de gosto duvidoso, e enquanto essas actividades não resultarem, só por si, em actos ilegais, a restante população não tem nada a ver com isso.

12/01/07

mudei-me do blogger antigo para o novo blogger, mas ainda não tive tempo para investigar as vantagens deste novo registo.

(pode ser que esta falta de tempo esteja aliada a falta de paciência e a uma nabice crónica para estas coisas dos computadores, mas, por enquanto, são boatos não fundamentados, que vou continuar a negar)

por enquanto, a coisa que mais me salta à vista, é o facto de poder acrescentar um marcador para cada postagem. gosto particularmente dos exemplos de marcadores dados: "patinetes", "férias", "outono".
e o que são "patinetes"? o dicionário da priberam não reconhece "patinete", mas uma busca no google esclarece-me que é a versão brasileira de trotinete.
não costumo falar muito de trotinetes, portanto, não me serve.

aliás, se eu, geralmente, não gosto de dar títulos aos posts (só o j. merece e é porque morre logo a seguir), será que me vai apetecer "marcar" cada postagem?
...
acho que não.

11/01/07

o neo-imperialismo americano finalmente chegou de armas e bagagens a ponta delgada.
não é que, nesta passagem de ano, abriu um mcdonald's em ponta delgada, e as pessoas ficaram tão satisfeitas, que parece que não saem de lá?

todas as pessoas da ilha? todas, todas... não.
parece que um Grupo moradores exige imediata suspensão de actividade de restaurante. o que eu até compreendo, vivi durante anos por cima de um restaurante chinês, e não podia abrir a janela da sala por causa do cheiro - situação que era particularmente dramática no verão - e só quando mudei de casa é que fechou a porcaria do restaurante... portanto, até sou solidária com a parte dos cheiros e da confusão de gentes à porta.

pois que eu ainda não lá fui (também eu cedo ao "poderio do gigante da restauração americano", confesso)... estou à espera que o efeito surpresa passe para ir comer um sunday de chocolate (ou de caramelo, não sei, na altura hei-de decidir, e é porque não gosto muito de hambúrgueres) com a devida calma, mas vou esperar que regularizem os acessos e que acalmem os ânimos dos vizinhos.

(e lamento não me lembrar de mais nenhuma frase pomposa para me referir a esta situação, mas o dia já vai longo, mesmo assim consegui umas palavras que me valeriam uns valentes pontos no scrabble)

09/01/07

9ª versão da morte de j.*

ao cabo de uma semana engripado, j. acordou muito bem disposto, vestiu o seu fato preferido, com a gravata azul claro que lhe realçava o tom dos olhos, e preparou a mochila para ir ao ginásio no intervalo para almoço.
era uma coisa que o divertia, ir na rua, todo bem vestido, com a mochila com o equipamento do ginásio às costas. além disso, ainda se lembrava que a sónia, uma das instrutoras, tinha sido particularmente simpática na última vez que lá tinha ido. ele até lhe tinha feito um convite para irem jantar, e ela tinha respondido com um “logo se vê”, j. estava convencido que com uma insistência agradável, era capaz de ter sorte e de ela concordar com o jantar. e depois logo se veria, como ela própria tinha dito…
sentiu-se um bocadinho contrariado quando chegou ao ginásio e percebeu que era o dia de folga de sónia, mesmo assim, fez todos os seus exercícios e adiou a intenção do convite para a próxima oportunidade.
já ia de volta para o escritório, quando passou por um prédio que estava em obras, com uns andaimes, estava a contornar a estrutura, quando, de repente, ouviu “ATEN…”, e levou com um bloco de cimento na cabeça, mesmo com a quina do bloco, que o deixou com a cabeça aberta, no meio das avenidas novas.
no ginásio estranharam que ele nunca mais lá tivesse ido, mas não era o primeiro sócio que pagava um ano inteiro, depois se fartava, sem dar satisfações, e nunca mais lá aparecia, portanto, deixaram por isso mesmo.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

08/01/07

haverá coisa melhor do que a pessoa estar a comer umas simpáticas (e muito doces) tangerinas apanhadas nas árvores de casa dos próprios dos pais, que se sabe que não teve qualquer contacto com químicos?
certamente, mas hoje apetece-me fazer este elogio às coisas simples da vida.

06/01/07

às vezes faço um pequeno jogo: quando chego ao carro, penso numa música que gostava de ouvir, e depois ligo o rádio na esperança que esteja a passar.
nunca aconteceu dar-se a coincidência… mas continuo a tentar, nunca se sabe quando vai resultar.

05/01/07

o público de hoje tinha esta sequência de títulos:

Voos da CIA: testemunhas viram "transferência de pessoas agrilhoadas" nos Açores
A eurodeputada Ana Gomes garante que existem testemunhos visuais da "transferência de pessoas agrilhoadas" e de "coisas estranhas" na Base das Lajes, nos Açores, que parecem confirmar a passagem de voos da CIA pelo arquipélago.
Voos da CIA: Governo reafirma falta de provas de ilegalidade
PCP: declarações de Ana Gomes são “mais uma acha para a fogueira”
CDS-PP recomenda a Ana Gomes “alguma seriedade e honestidade intelectual”

e o açoriano oriental relatou esta reacção do presidente do governo regional: César diz que declarações de Ana Gomes são uma questão de "fé"

as minhas dúvidas são:
- a estadia na indonésia não devia ter tornado a, agora, eurodeputada imune aos efeitos nocivos da humidade nos espíritos mais fantasiosos?
- finalmente a ilha terceira será assumida como um novo entroncamento (com direito aos respectivos fenómenos, e tudo)?

03/01/07

entusiasmada pelo espírito da época, esta tarde tentei fazer uma lista de objectivos para este ano novo:

- continuar a matar o j. todas as semanas - mas só enquanto conseguir arranjar mortes sangrentas e diferentes

(desconcentrei a escolher uma gabardine com 50% de desconto na mango)

- deixar o cabelo crescer, pelo menos o suficiente para fazer um rabo-de-cavalo

(desconcentrei a ouvir a bonita frase-chave "quem casa quer comprar, ao a. machado vai falar", seguida de "era para ouvir o sr. jorge ferreira, aquela que diz que a filha é muito linda, não sei como se chama, e dedicar a canção à minha família, à minha prima sãozinha, à minha vizinha rosárinho, e aos senhores que 'tão aí na rádio")

- tentar não comprar mais livros do que os que consigo realmente ler

(desconcentrei com um telefonema para falar de conversas de miúdas)

- esforçar-me por ser mais paciente no trânsito

(desconcentrei a pensar na passagem de ano)
finalmente, achei que a minha lista estava demasiado tonta, e que estava a sofrer demasiadas interrupções.
além disso, lembrei-me que, até agora, geri bem a minha vida seguindo princípios básicos como tentar divertir-me enquanto faço o que tenho obrigação de fazer, não fazer mal ao próximo, rir mais um bocado nos intervalos seja lá do que for, e tentar não cantar em público...
dei por mim a concluir que não há grande necessidade de listas que só me vão atrapalhar os planos que estão por fazer, vou antes começar mais um ano preparada para as surpresas, venham elas!

28/12/06

vou a banhos...
um bom ano para todas as pessoas de bem que são simpáticas o suficiente para passarem por aqui... e para os amiguinhos... e para as famílias... e para todos, que estou contra discriminações.

27/12/06

atendendo:
à época do ano...
à boa vontade reinante...
à esperança no novo ano que está mesmo aí à porta...

aparece mais uma notícia (pouco) entusiasmante:
Portugal é exemplo negativo para os futuros membros da Zona Euro
afinal, parece que portugal é "exemplo", ainda que negativo.


26/12/06

8ª versão da morte de j.*

o natal de j. foi calmo, frio, em família, na aldeia à beira de abrantes.
dia 25 guardou todos os seus presentes (cheques-oferta, meias, camisolas, um casacão, os dvds dos filmes alien - com direito à caixa com a cabeça do bicho e tudo) na bagageira e dirigiu-se de volta a lisboa, só os dois livros de auto-ajuda, ficaram distraidamente em casa da avó, achou que deviam servir de bom treino de leitura para os primos franceses quando viessem passar férias de verão.
pelo caminho apanhou alguns sustos com o trânsito, cruzou-se com uns condutores demasiado lentos, outros demasiado apressados, uns acidentes desagradáveis que conseguiu evitar (um mesmo em cima da hora), por sorte, o tempo estava seco e não havia nenhum animal perdido na auto-estrada, pelo que, apesar de cansado, chegou bem disposto a casa.
aliás, o dia estava a correr-lhe bem e até conseguiu um lugar para estacionar mesmo em frente à porta do prédio onde morava. só se atrapalhou um bocado à procura da chave da porta, porque já tinha pegado nos sacos da roupa, mais nos dos presentes, nesta altura, de repente, deu um passo ao lado e reparou que pisou uma poça de água (porque é que não tinha calçado uns sapatos com sola de borracha? este fim de dia estava a ficar azarado), desequilibrou-se, deixou cair o saco onde tinha os dvds, rogou uma praga em voz baixa, apoiou-se na parede mesmo antes de reparar que estava um cabo eléctrico com os fios à vista, sentiu um choque eléctrico e pensou que estava transformado numa árvore de natal iluminada.
a vizinha do 6º-C, ia tendo uma coisinha má quando encontrou o corpo mas, enquanto estava a ligar para o 112, lembrou-se que o apartamento que ele ocupava era maior que o dela, e do mesmo senhorio, agora era uma boa altura para mudar de apartamento, mesmo que a renda fosse um bocadinho mais alta, ia ser aumentada no princípio do ano.

*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

25/12/06

ensinamento culinário deste natal: na confecção da galantine de frutas* aconselha-se vivamente o reforço do cálice de vinho de porto e, em compensação, o uso de sumo de apenas 1 laranja, em vez de se usar o sumo de 2.
garante-se o ânimo das tias e avós que têm sempre cuidado para não abusar do álcool.


*sobremesa que, na minha casa, é feita com bolacha maria esmigalhada, manteiga, cerejas e abóbora cristalizadas, nozes, pinhões, sultanas, amêndoas, sumo de laranja e vinho do porto.
como é bom de ver, aceitam-se receitas para a troca.
ensinamento culinário deste natal: na confecção da galantine de frutas* aconselha-se vivamente o reforço do cálice de vinho de porto e, em compensação, o uso de sumo de apenas 1 laranja, em vez de se usar o sumo de 2.
garante-se o ânimo das tias e avós que têm sempre cuidado para não abusar do álcool.


*sobremesa que, na minha casa, é feita com bolacha maria esmigalhada, manteiga, cerejas e abóbora cristalizadas, nozes, pinhões, sultanas, amêndoas, sumo de laranja e vinho do porto.
se souberem de mais variantes, aceitam-se receitas para a troca.

23/12/06

como é bom de ver, as minhas boas intenções natalícias vão suspender-se até ao próximo ano se mais alguém me mandar um mail de natal com a música happy christmas (war is over), de john lennon...

22/12/06

constato que ando a ser pouco imaginativa nos presentes de natal quando, ao entrar pela 4ª vez na The Body Shop, as funcionárias já me cumprimentam com um à-vontade e entusiasmo fora do normal...
ao menos hoje os presentes ficaram todinhos despachados, e desejei, pela última vez, espero, bom natal às ditas funcionárias.
agora já me posso dedidar à doçaria (para o jantar de festa) com a consciência descansada.

20/12/06

estava a fazer uma lista mental das coisas que me contrariam quando conduzo, que passo a partilhar:
- irrita-me quando há reentrância no passeio para os carros estacionarem e, mesmo assim, os condutores optam por estacionar nessa direcção, mas na faixa de rodagem (invalidando um lugar perfeitamente simpático e impedindo a circulação dos restantes);
- implico com os condutores que gostam de fazer as rotundas todinhas pela faixa de fora (deve ser para resguardar o asfalto das faixas de dentro);
- não acho nada civilizado os condutores que não se desviam das poças de água e que molham as pessoas propositadamente;
- e, acima de tudo, acho muito antipático quando vou a cantar a plenos pulmões a acompanhar a música da rádio, e olham para mim como se fosse maluquinha... há quem cante no duche, eu canto no carro, parece-me que se fizesse as coisas acima descritas, seria bem pior.

19/12/06

7ª versão da morte de j.*

j. estava ligeiramente apreensivo, era a noite do jantar de natal da empresa onde trabalhava desde março, portanto, era o primeiro jantar de natal a que ia na companhia dos restantes funcionários e, ao longo desses meses, já se tinha apercebido de algumas intrigas e inimizades entre os funcionários que procurava evitar.
nesse ano, ainda por cima, o chefe tinha-se esmerado nos preparativos, fez reservas num restaurante acabado de inaugurar, que ficava num 16º andar e que tinha uma vista soberba sobre o tejo e a margem sul… à última da hora não conseguiu arranjar nenhum argumento que pudesse justificar a sua ausência, e lá foi.
no decurso do jantar provou-se, mais uma vez, que o vinho (tinto ou branco, havia para os dois gostos) é o melhor meio de garantir amizades, de tornar as pessoas mais agradáveis e até mais atractivas, aliás, a solange (secretária do chefe) estava particularmente engraçada, era capaz de jurar que até tinha trocado a cor do cabelo, tinha um brilho acobreado diferente que lhe dava muita graça.
deu por si entusiasmado, a pensar que este jantar se estava a revelar uma belíssima ideia quando, de repente, os restantes convivas começaram a cantar “e se o j. quer ser cá da malta, tem de tomar o copo todo até ao fim, até ao fim…”, teve uma lembrança terrível do primeiro jantar de caloiro a que tinha ido (a pior carraspana da sua vida), levantou-se de supetão, desequilibrou-se, deu dois passos atrás, tentou equilibrar-se, mas a janela estava entreaberta e caiu do 16º andar, em cima do audi tt do chefe que tinha tido imensa sorte a parar o carro mesmo em frente ao restaurante.
a partir desse fatídico natal, nunca mais aquela empresa organizou jantares de natal.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas o acidentes acontecem…

18/12/06

sobre a decisão de o rivoli ser gerido pelo sr. la féria nos próximos anos (que parece ainda não ser definitiva, embora provavelmente seja), no telejornal da sic, um popular disse: "a cultura não é para dar lucro".
a jornalista em voz-off diz que, no porto, não querem uma cultura que seja comercial.
e eu digo:
1º:
a) porque é que a cultura não há-de ter algum lucro?
b) um espectáculo conseguir pagar-se - sala, salários, luz, figurinos... - é motivo de vergonha?
2º:
a) eu, francamente, acho que as produções do sr. lá féria não são más de todo, embora um bocadinho popularuchas;
b) durante décadas este foi o país da revista à portuguesa e toda a gente ia assistir (e havia aplausos, coisa que me escapa totalmente, mas nunca me viram a fazer mais comentários depreciativos), parece que agora é que estão na fase de exigir espectáculos para a elite cultural, mas pagos por todos (porque parece que não se pagam a si próprios porque "a cultura não é para dar lucro").
3º:
a) eu gosto de produções experimentais, mas é com conta peso e medida, lá de volta e meia, não é por mim que estes espectáculos estariam sempre cheios;
b) fui a um único espectáculo no politiema (my fair lady), e achei um espectáculo bonito (a parte pior era a sala a abarrotar de pessoas que insistiam em falar para o lado, lá está, a parte que dá lucro).
4º:
estes adeptos da cultura haviam de ter a oferta cultural que ponta delgada tem, para verem o que é bom para a tosse (bem sei que, para estes senhores, a importância cultural entre o porto e esta humilde cidade no meio do atlântico plantada não deve ser comparável... mas hoje estou opinativa).

mesmo assim, ponta delgada está bem melhor que aqui há uns anos, temos estas duas salas (embora com poucos espectáculos, mas isso é detalhe): Coliseu Micaelense e Teatro Micaelense, 6 salas de cinema, e umas 4 galerias de arte (que me lembre).

16/12/06

um sábado de chuva lamentável...
um lamentável sábado de chuva...

um sábado lamentável de chuva...

15/12/06

abateu-se um mau tempo nesta ilha (e nas restantes do arquipélago, ao que me parece).
esta tarde, contei 12 guarda-chuvas estragados em caixotes de lixo e deixados no passseio, perdi a conta ao número de pessoas com quem me cruzei e que se renderam aos fortes argumentos do vento e acabaram por levar o guarda-chuva fechado na mão, apanhando chuva com toda a dignidade.
eu acabei por achar melhor nem levar o guarda-chuva, enterrei o chapéu impermeável na cabeça e enfrentei o vento e a chuva. consequência directa, ou não, acho que estou com um princípio de constipação.

14/12/06

eu conhecia o clássico que são aquelas senhoras que usam tantas jóias e brilhos que mais parecem árvores de natal... hoje, vi essa ideia a ser levada a um extremo: cruzei-me com uma senhora que, não só estava cheia de bugigangas douradas, como, na gola da sua camisola de gola alta preta, tinha um alfinete que era uma árvore de natal cheia de vidrinhos brilhantes!
achei muito divertido e adequado à época.

13/12/06

a evolução da ciência permite coisas extraordinárias: Espanhola é primeira a receber duas mãos, depois de (segundo a notícia) ter vivido os últimos 28 dos seus 47 anos sem mãos, recebeu um transplante de ambas as mãos.
o sorriso da senhora, na fotografia dessa notícia do diário de notícias, é lindo.

12/12/06

6ª versão da morte de j. *

j. andava desanimado, estava cansado do burburinho, da excitação natalícia em lisboa… portanto, decidiu fazer um fim-de-semana diferente de toda a gente, completamente contra a maré: foi para faro. caramba, o algarve não havia de ser só para férias de verão! mal por mal, também devia ter comércio para tentar despachar as poucas ofertas de natal que era obrigado a fazer, e sempre variava na paisagem.
quando lá chegou ficou bastante satisfeito, havia um movimento diferente e muita animação de rua divertida, incluindo neve na baixa de faro todos os dias, entre as 16 e as 18 horas. estava mesmo convencido que ia voltar para lisboa com muito melhor disposição, e uma nova vontade de enfrentar as festas mas, de repente, ouviu o grito:
Menino Jesus foi «raptado» do presépio!
a princípio não percebeu o que se estava a passar, no entanto, quando se virou na direcção do grito, viu um vulto a correr na sua direcção carregando um objecto estranho. ainda tentou desviar-se, mas a neve artificial dificultou-lhe os movimentos, ele escorregou e acabou com o tronco atravessado por uma árvore de natal que estava a decorar a entrada de uma loja de porcelanas, onde pretendia comprar uma caixa com motivos natalícios para oferecer à sua mãe. os danos internos revelaram-se irreversíveis, e os externos também, já que foi bem atravessado pela árvore e havia pessoas mais sensíveis a assistir (ainda que involuntariamente) ao episódio.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…

11/12/06

andei a informar-me do que se passa no mundo e:
- por um lado, parece que Pirataria na China é "inaceitavelmente alta", dizem EUA... pois sim... haverá pirataria "aceitavelmente alta" ou "inaceitavelmente baixa" ou "medianamente aceitável"? (mas a pirataria não é, à partida, uma coisa má que os governos deveriam combater?! - está, obviamente, a dar-me um ataque de ingenuidade...)

- por outro, Caso Litvinenko supera a ficção, dizem escritores... é bem verdade, eu ainda não me tinha lembrado de matar o j. com uma dose reforçada de uma substância radioactiva (especialmente porque não percebo nada de substância radioactivas e ia ter de fazer uma pesquisa reforçada sobre a matéria), mas, seja como for, agora já vou tarde demais! já morreu o senhor espião russo desse malzinho, o meu j. vai ter de se reduzir a mortes mais prosaicas e, com um bocadinho de sorte, mais sangrentas.

10/12/06

porque o desporto nacional não é só bola, nem só o livro da sra. d. carolina salgado (cumpre-me sublinhar que, ultimamente, ando com muito melhor feitio nem vou fazer piadas a este extraordinário fenómeno no panorama literário nacional - pelo menos, enquanto não folhear o livro em alguma livraria...), cá ficam boas notícias deste fim-de-semana:

Mónica Rosa: «Estou feliz com a medalha de ouro»
Europeus Crosse: Fernando Silva conquista prata
Natação: dois recordes em Helsínquia

09/12/06

constatação:
basta-me querer distrair o pensamento do que não tem remédio, para me dar o frenesim das arrumações: a casa está toda em ordem, e até a minha secretária se aproxima da arrumação total... tenho de abrandar o ritmo, senão deixo que ter com que me ocupar e volta a fugir o pensamento para o disparate.

07/12/06

descobertas do mundo dos leilões:
Leiloada múmia egípcia de três mil anos (por 750 mil euros)
Preço recorde por vestido de Audrey Hepburn (por 608 mil euros)

o que me contraria é que na notícia não explica que fim vai ser dado à múmia, já a receita da venda do vestido usado em breakfast at tiffany's destina-se à organização humanitária «cidade da alegria», que se ocupa dos filhos dos leprosos de calcutá e, só por isso, até acho que foi vendido por pouco.

além disso, estas notícias deram-me a boa ideia (especialmente dirigida a quem se esqueceu dos meus anos, e ainda vai a tempo de me compensar no natal) de recomendar esta página como simpática para me escolherem alguma oferta:
A Private Collection of G. Argy Rousseau and Rene Lalique Masters of French Design

é só uma ideia... se me quiserem oferecer antes uma t-shirt com macaquins, também podem.

06/12/06

suor e fantasia
(quinteto tati)

6 da tarde e já está sol lá fora.
fico só mais meia hora,
numa pétala de sono insolente.
os teus pés ainda dançam,
vão andando assim tão delicados pelo dia adolescente,
dedo a dedo,
doces.
ai, a graça do amor!
já não vou trabalhar!
as tuas olheiras de cansaço dão um traço bem preciso ao sorriso que preenche todo o vasto espaço.
ai, a graça do amor!
já não vou trabalhar!

todo o dia e toda a noite só suor e fantasia,
quem julga que é fácil que experimente levitar sobre o tejo:
a vida é difícil, sempre foi.

meia noite e café da manhã:
esse teu rosto é o meu dilema e despimo-nos à pressa para ir ao cinema.
ai, a graça do amor!
já não vou trabalhar!

todo o dia e toda a noite só suor e fantasia,
quem julga que é fácil que experimente levitar sobre o tejo:
a vida é difícil, sempre foi.

(foi um daqueles dias em que, quando a pessoa dá por si, está a trautear o refrão...)

05/12/06

5ª versão da morte de j.*

j. acordou bem disposto, o que não era muito comum nele, geralmente acordava rabugento, e demorava, pelo menos, meia hora até conseguir articular qualquer palavra, mas era feriado, estava sol e, na véspera, o patrão tinha-lhe dito que lhe ia aumentar o salário no ano seguinte, considerando que já estava em dezembro, esta notícia agradou-lhe bastante.
resolveu ir dar um passeio a pé, aproveitar a cidade quase vazia, tentar encontrar um vendedor de castanhas assadas, gostava imenso e já não comia há tanto tempo…
estava em pleno chiado e, de repente, tocou-lhe o telemóvel, abrandou o passo e sorriu quando viu o nome no visor: ana, a veterinária que ele julgava que o andava a ignorar e que, afinal, tinha estado de urgência na clínica (tinha tido uns partos de cadelas particularmente complicados), mas que já estava descansada, e desafiava-o para ir ao cinema nessa mesma tarde.
não teve tempo sequer para chegar a acordo sobre qual o filme a ver, desequilibrou-se quando levou com uma bola que fugiu ao controlo de um malabarista e caiu mesmo debaixo do eléctrico, que já estava com 20 minutos de atraso.
ana não percebeu o que se tinha passado, porque o telemóvel partiu-se quando caiu ao chão, e acabou por ir ao cinema com uma colega de curso.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

04/12/06

fui, num instante, comprar caramelos a badajoz, na melhor das companhias.
entre várias constatações essenciais para a continuação da raça humana como a conhecemos, decidimos que os 3 primeiros filmes da guerra das estrelas são os melhores e que, pese embora o novo actor se apresente um bocadinho mais musculado do que o que seria desejável, o novo 007 não está mauzinho de todo.

e agora, back to life as we know it...

28/11/06

4ª versão da morte de j. *

o seu primeiro congresso… e em são tomé e príncipe!
j. tinha visto, havia pouco tempo, um documentário sobre as suas roças e praias paradisíacas, tinha tido uma namorada que tinha lido o "equador" de fio a pavio, e que lhe descrevia, animadíssima, os detalhes da viagem de luís bernardo (pensando nela, que seria feito da angelina? nunca mais tinha sabido dela), e estava, definitivamente, a precisar de apanhar uns raios de sol que lhe tirassem a tez amarelada provocada por demasiadas horas de estudo em cima dos manuais.
era um congresso de reabilitação cardiovascular, não era propriamente a matéria que mais curiosidade lhe provocasse, mas decidiu que ia mesmo assim.
no dia da partida, acordou particularmente bem-disposto, acabou de preparar a mala, fez o check-in com tempo, e até conseguiu um lugar à janela, para poder apreciar melhor a aterragem… nem a segurança do aeroporto, nem as hospedeiras souberam explicar como é que j. caiu entre a escada e o avião, e se esparramou no chão do aeroporto da portela.

ainda por cima, nunca chegou a sair de solo nacional e atrasou a saída do voo em 2 horas.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

27/11/06

ia começar a semana a fazer uma piada fácil sobre uma eventual disputa entre o grupo desportivo os minhocas (ilha das flores) e o grupo desportivo dos biscoitos (ilha terceira), mas depois lembrei-me que também existe o clube desportivo rabo de peixe (ilha de s. miguel), e achei por bem meter a viola no saco, e não me meter com estes clubes, que até têm bastante mérito.

pergunto-me, no entanto, se o fenómeno toponímico e dos nomes dados à agremiações* desportivas neste arquipélago está devidamente estudado... valia a pena.

*bonita palavra, acho que ainda não a tinha usado por aqui.

26/11/06

há que saber interpretar sinais:
quando é mais fácil ir procurar um requerimento de apoio judiciário na página da Segurança Social do que na pasta dos meus documentos (onde eu tenho quase a certeza que o tinha guardado), é altura para rever a (des)organização dos documentos guardados no meu computador e tentar dar-lhe um jeito.

23/11/06

há umas novidades que, simplesmente, não são novidades, por exemplo: Cantinas não passam no exame.
ora, algures na minha longínqua adolescência, lembro-me bem, a cantina da escola onde estudei chegou a ser fechada uma semana inteirinha por falta de condições.
escusado será dizer que eu comia lá antes de ter sido fechada, passei uma semana a comer no bar, voltei a comer na cantina quando reabriu e, francamente, não dei por diferença nenhuma da qualidade.
acho que só por sorte não apanhei nenhuma coisinha má e, pelos vistos, assim continuam as escolas.

22/11/06

fui, mais uma vez, à biblioteca pública de ponta delgada em busca do que não se encontra em mais nenhum sítio (a colecção completa do diário da república desde que começou a ser publicado, no caso, um jornal de 92), mesmo perto da hora do fecho - às 19 horas, este conceito de horário alargado é uma enorme vantagem - os funcionários continuavam bem dispostos e simpáticos!

e, enquanto estive à espera que a senhora que me atendeu encontrasse o jornal de que precisava, reparei que ela estava a ler um livro de receitas, aberto na página em que explicavam a fazer gomos de laranja em calda, aproveitei para ver que são precisas 9 laranjas grandes, 1/2 kg de açucar e um copo de água.
confesso que, como não havia chocolate na lista, não tentei ler como se manipulam estes ingredientes para chegar ao resultado final (que, de acordo com a fotografia, até nem tinha mau aspecto), o pecado da gula é muito limitativo das receitas de sobremesas que se aprendem...
encontrei o despacho de que precisava, agradeci aos senhores e desejei-lhes boa tarde, ao passar pela cafetaria, comprei um snickers. mais uma vez, a gula levou a melhor.

21/11/06

3ª versão da morte de j.*

pela primeira vez nos 4 anos em que j. trabalhou para a empresa do tio alves, a venda de guarda-chuvas fluorescentes aumentou de modo considerável, e tornaram-se responsáveis por 1/5 dos lucros no final do ano.
o tio alves até aquela altura não tinha gostado muito de ter família a trabalhar na sua empresa, mas tinha sido um pedido desesperado da sua irmã mais nova que não tinha podido recusar. apesar disso, era um homem justo, chamou o j. à sua sala, e ofereceu-lhe um cheque com uma bonificação extra, e desejou que, no próximo ano, j. tivesse ainda mais sucesso, quem sabe se não chegaria a sócio, se trabalhasse com afinco suficiente?
já estava mesmo no fim do dia de trabalho, j. só teve tempo de agradecer comovido, e saiu a correr para marcar mesa no restaurante da moda, não podia perder esta oportunidade de celebrar com a sua marlene.
e que bem estava a correr a refeição, finalmente podia comprovar que o xl era um restaurante e pêras, a sua marlene estava encantadora com um discreto vestido preto, e ele olhava-a em silêncio e pensava se seria esta uma boa altura para a pedir em casamento.
- então querido, vais deixar arrefecer a tua lasanha à bolonhesa… és mesmo tonto, quem é que se lembra de pedir lasanha num restaurante destes…
j. sorriu e experimentou uma garfada. de repente, o restaurante todo só ouvia os gritos de marlene a perguntar quais os ingredientes da lasanha, para saber qual das alergias alimentares de j. tinha dado origem a esta aflição, mas já era tarde demais, j. só teve tempo de levar a mão ao bolso, e agarrar o cheque do tio alves, que não tinha tido tempo para depositar.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

20/11/06

mais uma notícia interessante, daquelas que aumentam a cultura geral dos leitores: Camundongos vão testar comida dos Jogos de Pequim.

depois de uma busca rápida na grande rede, descobri que os camundongos são uns ratinhos de laboratório (aqui há mais informação sobre os ditos: COBEA - Animais de Laboratório), e não acho nada simpático que os chineses os usem para experimentar a comida dos atletas.
outra ideia chinesa mesmo no fim da notícia também me parece um bocado estranha: "cães e gatos de rua vão ser recolhidos e artilharia será usada para dispersar nuvens, garantindo um céu azul durante a duração do evento, diz o correspondente da BBC em Pequim, Quentin Sommerville."
nem quero imaginar o que vão fazer aos bichos (embora também calcule que os podem querer usar para mais experiências de laboratório) e vão ter bom tempo, nem que seja à força...
acho que estão a levar isto dos jogos olímpicos demasiado a sério.

19/11/06

desde hoje à tarde, foi destacado na minha lista de palavras preferidas o verbo catrapiscar.

eu catrapisco
tu catrapiscas
ele catrapisca
nós catrapiscamos
vós catrapiscais
eles catrapiscam

e todos nós ficamos mais bem dispostos.

16/11/06

e para este meu fim-de-semana, que começa mais cedo, prevê-se uma visita à Igreja de S. Roque e ao Museu Nacional do Traje e da Moda.
vai ser animado, muito animado.
posto isto, até ao meu regresso.

15/11/06

e hoje, dedico-me a títulos simpáticos:
- boas notícias para os residentes no arquipélago dos açores:
Preço das gasolinas baixa dois cêntimos na sexta-feira
- boas notícias para todos os que adoram chocolate:
Saúde: Chocolate preto ajuda a prevenir problemas cardíacos - estudo
- boas notícias para as enfermeiras inglesas admiradoras de george michael:
George Michael fará show só para enfermeiras
- boas notícias para quem tem excesso de fios eléctricos espalhados à volta:
Cabos e tomadas podem virar coisa do passado
- boas notícias para a noiva de tom cruise, katie holmes:
No casamento, Cruise deve prometer panela e gato para noiva

14/11/06

2ª versão da morte de j. *

finalmente j. tinha encontrado a edição perfeita do POC: com capa dura, azul e letras douradas… de luxo.
além disso, o natal estava próximo e já tinham começado a chegar circos à cidade. estava radiante, adorava os palhaços, os trapezistas, os malabaristas… só as feras é que lhe criavam algum receio mas, mesmo assim, não havia ano em que não tivesse ido assistir a, pelo menos, um espectáculo.
de repente, sentiu uma nova força interior e, depois de quase um ano a ganhar coragem para demonstrar o interesse que sentia pela zézinha, sua colega de open space, no escritório de contabilidade onde trabalhava, decidiu convidá-la para o acompanhar à matiné do circo no domingo seguinte.
a zézinha achou a ideia enternecedora, apesar de preferir as feras e de só recentemente ter ultrapassado o seu medo de palhaços (especialmente do palhaço rico), e aceitou prontamente, aliás, já andava há uns tempos com vontade de privar mais perto com j. mas, por um lado, era tímida e, por outro, não queria parecer demasiado atiradiça.
mesmo perto da hora da saída, j. foi chamado ao gabinete do chefe para falarem sobre um cliente que atrasava sistematicamente a entrega dos documentos para o IVA. ao voltar para o open space, para ir buscar o POC (que até já considerava ofertar à zézinha pelo natal), ia distraido a pensar em como a vida lhe estava a correr bem, não viu o fio de um telefone que tinha sido levado de uma secretária para outra, tropeçou e bateu com a cabeça contra a quina da sua própria secretária com tal força que o POC até caiu no chão.
quando o chefe o encontrou já nada havia a fazer, mas resolveu guardar o POC para si, realmente era uma bela edição.

* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

13/11/06

por um lado, devemos estar na época de acordar da hibernação, não faz muito sentido, bem sei que devia ser lá mais para o quentinho da primavera, mas acho que podemos culpar as alterações climáticas por estas notícias:
PND prepara eleições
Santana atribui queda do seu Governo a “conjugação de interesses”

por outro lado, os Estados Unidos acreditam que Fidel morre em 2007.
- ora, se em cuba a esperança média de vida é de 77,23 anos (de acordo com a wikipédia, nem sempre muito precisa), e se o senhor fez 80 anos neste mês de agosto (dia 13, para o mais curiosos), estatisticamente falando, não me parece que seja tão garantido como isso a sua morte, ainda está muito perto da média;
- além do mais, cuba é conhecida pelos seus bons serviços médicos;
assim, com base em que adivinhos é que fizeram esta previsão?

não terão os americanos um equivalente ao sábio provérbio "morte desejada, vida acrescentada"? é que, se continuam a agoirar desta maneira, e o senhor fica por cá mais uma década ou duas só para os chatear, ainda dá para mais 1 ou 2 presidentes americanos, nas calmas e a rir de gozo.

11/11/06

dia de s. martinho dá azo a uns poucos provérbios, por exemplo:

Dia de São Martinho, castanhas e vinho.
Dia de São Martinho, comem-se as castanhas e bebe-se o vinho.
Dia de São Martinho, lume, castanhas e vinho.
Dia de São Martinho, mata o teu porco e bebe o teu vinho.
Dia de São Martinho, prova o teu vinho.
Dia de São Martinho, vai à tua adega e prova o teu vinho.

Em dia de São Martinho, semeia os teus alhos e prova o teu vinho.

não percebo é o que está ali a fazer a referência à matança do porco, e não tenho espaço para plantações na minha mini-varanda... na minha ideia, bastam as castanhas (algumas das quais tinham bicho, o que é sempre bom sinal, porque, como se sabe, o bicho escolhe o melhor fruto), e o vinho abafado também não estava nada mau (daqui por umas semanas, mais calminho, ainda estará melhor, já me fiz convidada para mais um almoço).

nesta busca de provérbios, encontrei outros assustadores:
Dia de Santo André, quem não tem porco, mata a mulher.
Em dia de Santo André, quem não tem porco que mate, amarra a mulher pelo pé.
eles a darem-lhe outra vez com o porco, quem diria que até serve para justificar violância conjugal...

10/11/06

ia eu distraidamente pela rua fora, eis senão quando... sou interpelada por um adolescente sorridente (que estava na companhia de outros adolescentes também muito sorridentes, eu é que não tinha reparado):
- ó senhora, não quer comprar uma rifa para ajudar na nossa viagem de finalistas?
- hmmm... e qual é a escola?
- a melhor! antero de quental!
- ahn... eu andei na domingos rebelo...
- e foi muito boa escolha! mas os da domingos rebelo não estão aqui a apanhar chuva como nós, a tentar vender rifas!

como achei que estava bem visto, lá dei 50 cêntimos por uma rifa, e arrisco-me a ganhar um fim-de-semana na residencial goretti que, segundo informações desse finalista, "fica mesmo ali em santa clara, e é muito boa".

09/11/06

Governo diz que adesão à greve foi de 11,74 por cento e, calhando, deve ter sido só por causa das Greves no Metro e na Soflusa atingem 530 mil passageiros, porque estes 11,74 % não conseguiram transportes alternativos para chegarem às respectivas repartições a tempo...

por cá (onde não somos servidos nem pelo metro, nem pela soflusa), e não desmerecendo no direito à greve, os funcionários da secção central do tribunal de ponta delgada devem ter feito mais uns quantos amigos (pelo menos de manhã, altura em que tive de ir ao tribunal), pelo menos as pessoas que deram com o nariz na porta fechada, sem qualquer aviso, e que, enquanto lá estive à espera, foram umas poucas.
e para não sair deste espírito, até o arguido do meu julgamento não apareceu.

08/11/06

Imelda Marcos, a senhora que foi 1ª dama das filipinas, que tinha uma colecção extraordinária de sapatos, que foi mais o seu ferdinand de fugida para passar uma temporada para o hawaii e que voltou para as filipinas para se candidatar em eleições presidenciais, arranjou um novo entretenimento: fazer bugigangas (confirma-se nesta notícia: Imelda Marcos lança grife de moda com coleção de bijuterias), e parece que ainda tem tempo para considerar candidatar-se, de novo, à eleições presidenciais de 2007.
alguém que lhe arranje mais bugigangas, por favor, parece que a senhora ainda tem é muito tempo vago nas suas mãos.

07/11/06

1ª versão da morte de j.*

j. estava radiante, nessa manhã, tinha garantido mais um cliente e, finalmente, todo o seu esforço tinha sido recompensado com o convite feito pelo dr. alves para se tornar associado da sociedade de advogados onde ambos trabalhávamos.
aliás, estava de tal maneira que até me convidou para almoçar: “santos, é naquele restaurantezinho que tem os jaquinzinhos… por minha conta!”, gritou-me enquanto eu tentava falar com um cliente espanhol ao telefone, e lhe fazia sinais para se calar.
pela 1 da tarde, íamos a subir a avenida da república, já perto do cruzamento com a avenida de berna, em direcção ao restaurante, quando toca o meu telefone, abrandei um bocado o passo para ver quem era, atendi e, de repente ouço uma travagem brusca e um barulho de uma pancada seca, quando levantei os olhos, vi um 56 mal parado, as pessoas lá dentro em pânico, e uma perna do j. para cá da roda dianteira direita, quanto ao resto do corpo, já era uma mistura com o autocarro.
dei por mim a pensar no azar do j., nem sequer era um percurso completo, aquele 56 ia só até ao areeiro, não ia para as olaias.


* eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem...

06/11/06

Sentença de morte de Saddam divide países, por exemplo:

por acaso, e ressalvando que o senhor saddam hussein merece ser julgado e condenado por todas as enormidades que lhe são imputadas, preocupa-me que o presidente dos estados unidos ache que condenar uma pessoa à morte é um feito positivo, além disso, também me preocupa dar por mim de acordo com o nosso próprio presidente.

se a primeira preocupação não me espanta (em 38 dos 50 estados dos estados unidos a pena de morte é oficialmente permitida, de acordo com a wikipédia, por isso, é normal que o presidente bush ache que o estado mandar matar pessoas é boa ideia), a segunda é assustadora... eu não estava preparada para isto.

preocupações à parte, nunca percebi o que é que a pena de morte resolve, parece-me uma saída fácil para o criminoso e uma triste consolação para os que ficam. arranjem penas mais criativas, se não acham a cadeia suficiente, no caso da pessoa saddam hussein, talvez o encarceramento em prisão solitária, com uma televisão a passar discursos do senhor bush as 24 horas do dia, agora condená-lo à morte por 5859 crimes diferentes (mais crime, menos crime), e depois ele morrer só uma vez... é que não me consigo convencer da utilidade prática, até para ele que há-de arranjar maneira de se convencer que vai morrer como mártir da perseguição do grande satã.

04/11/06

hoje, apeteceu-me comer gelado, como é coisa que não tinha em casa, e que demora um bocado para fazer, resolvi ir ao supermercado mais próximo, onde me cruzei com um amigo com quem já não estava há imenso tempo.
ora, em 5 minutos de conversa:
- consegui que ficasse horrorizado porque não sou feliz proprietária de nenhum leitor de dvd's (aliás, a própria da televisão que tenho em casa é emprestada...);
- consegui que ficasse escandalizado porque fui de carro (apesar de o supermercado ficar a 10 minutos da minha casa, já estava de noite, e o gelado ainda derretia todo pelo caminho...);
- fui obrigada a comprar iogurtes e queijo fresco para disfarçar, com algo de remotamente saudável, a caixa enorme de gelado de chocolate (a vergonha pela gula...);
- arranjei companhia para ir ver o filme Marie Antoinette, quando finalmente estrear nesta ilha...

03/11/06

em véspera de fim-de-semana, um elogio às pequenas coisas da vida de miúda:

é muito melhor fazer um vestido na costureira (modelo único e ao meu gosto, daqueles "chiques a valer"), do que comprar feito, ter de mandar acertar para o meu corpo, e ainda cruzar-me com mais modelos iguais na mesma festa.

02/11/06

não é que eu ache má ideia receber correio electrónico do senhor director-geral dos impostos, especialmente porque o senhor se esforça por me mandar informação útil sobre esta coisa dos impostos e da página das finanças (a última é que há uma nova funcionalidade que permite a emissão, consulta e validação de certidões), mas já não gosto que se dirija a mim como sendo "Ex.mo. Senhor".

bem sei que os contribuintes devem ser todos iguais aos olhos do senhor director-geral, mas parece-me que devia ser na questão de rendimentos, ou seja, todas as pessoas dentro de uma categoria de rendimentos devem ser tratadas de igual forma.
definitivamente, não acho nada simpático saber que na direcção-geral das finanças não se dão ao trabalho de distinguir contribuintes-homens de contribuintes-mulheres, e que acham que uma rita merece ser tratada por "senhor"... é que podiam ter arranjado uma fórmula neutra, por exemplo, tratando só a pessoa por "contribuinte", se não querem pôr o mais comprido (mas abrangente) "exmo.(a.) senhor(a)".

01/11/06

pois que o Google Analytics dá muita informação útil sobre as minhas visitas e acusou que, nesta última semana, estes devaneios tiveram mais visitas vindas da ilha terceira que da minha própria ilha, portanto, cá deixo um grande bem-haja para os terceirenses que têm paciência para aqui vir, e para os restantes também, que estou mãos-largas.

e, já agora, cá fica um elogio ao jornal a união (http://www.auniao.com/), tem muito bom ar, não lhe encontrei zonas restritas e, quando não tenho paciência para ver o noticiário da rtpaçores nem para ler o jornal no café (o que acontece com alguma frequência, confesso), costumo ir dar uma passagem de olhos por lá.

31/10/06

à minha volta anda tudo entusiasmadíssimo com o halloween (assim mesmo, em inglês e tudo), e é coisa que me contraria...
pois, se já temos um carnaval, porque não desenvolver antes a tradição do pão por deus, pôr as crianças a pedir doces de porta em porta (mas a horas normais para as próprias crianças e não à noite) e incentivá-las a criar os poeminhas da praxe (não precisam de ser muito elaborados, qualquer criança sabe fazer rimas pobres, mas divertidas), em vez de absorvermos acriticamente a cultura americana?

entretanto, encontrei que, no brasil, o Pão-por-Deus (tal como foi levado pelos emigrantes açorianos - sim, houve um fluxo migratório destas ilhas para o sul do brasil de grande relevo) teve um desenvolvimento engraçado, passaram a ser os namorados a pedir amor - calculo que a esta altura, também seja tradição a cair em desuso, se houver alguém mais informado, faça favor de se acusar.
não deixa de ser uma ideia engraçada, e desde que haja para dar, acho brilhante pedir, não só guloseimas como amor.

30/10/06

«O romance está morto. A minha mãe também. Homem, 42, herdou todo o dinheiro».

este é o meu anúncio preferido dos citados nesta notícia: Correio sentimental invulgar, e só não respondia porque não indica, realmente, qual o valor da herança... parece-me um detalhe relevante que foi esquecido. por outro lado, a ausência de sogra parece-me uma vantagem que está bem sublinhada. sempre gostava de saber que tipo de respostas mereceu.

29/10/06

sobre o bom atendimento ao público num jornal de s. miguel:

num dos recados que tenho de fazer nesta minha vida, encarregaram-me de arranjar um jornal do ano de 2004.
sabia qual era o dia e mês exacto, pelo que me dirigi alegremente ao dito jornal, entrei na zona de atendimento, onde está uma funcionária que recebe os pagamentos das assinaturas e dos anúncios, bem como os próprios anúncios, desejei boas tardes e esperei, pacatamente, pela minha vez, quando a senhora olhou para mim e me perguntou ao que ia, aconteceu esta sequência de frases:
- boa tarde, eu estava à procura do vosso jornal de dia tal e tal de 2004...
- olhe, nem sei se temos... aliás, só se o tivermos lá para cima no depósito, não sei... e o rapaz acabou de sair.
- então, e se a senhora anotar o dia do jornal de que eu preciso, e depois telefono a saber se conseguiu arranjar um exemplar ou não?
- não ouviu o que eu disse?! é só se tivermos isso no depósito, eu não sei. e o rapaz saiu. não a posso ajudar.
- não me diga que vou ter de ir à biblioteca pública, porque o próprio jornal não tem um exemplar que me disponibilize?
- olhe, na biblioteca é que são capazes de ter isso (e virou-se para o computador e não olhou mais para mim).
- certo... e MUITO OBRIGADA PELA SUA SIMPATIA E DISPONIBILIDADE.

fui à biblioteca pública e arquivo regional de ponta delgada, onde uma funcionária, muito simpática, me descobriu o jornal de que estava à procura, e outro funcionário (também correcto no atendimento) tirou uma fotocópia da página que eu queria. eu paguei 7 cêntimos e desejei muito bom fim-de-semana aos senhores.

é que não faz nenhum sentido a má vontade com que fui atendida no jornal (sendo que não me dei ao trabalho de descrever o tom de voz nem o ar de poucos amigos da senhora, que tenho a certeza que nada fiz para os provocar, e que não me parece nada extraordinário que as pessoas se dirijam lá para pedir jornais antigos), por outro lado, o atendimento na biblioteca pública foi muito bom, além do que, descobri que há lá uma cafetaria com um ar bem simpático, acabei por ter sorte.

27/10/06


outra descoberta que fiz no porto santo: os cães lá não mostram grande respeito pelos sinais de trânsito.

26/10/06


finalmente revelei as fotografias que tirei no porto santo e comprova-se que, no que à paisagem diz respeito, aquela ilha não podia ser mais diferente da minha.
em são miguel, todo o pedacinho de terra é uma boa desculpa para crescer plantinha verde, no porto santo (tirando o campo de golf e um bocadinho da quinta das palmeiras - mini zoo botânico) a paisagem é muito mais árida, no entanto, e honra lhe seja feita, tem uma praia fabulosa - e nem sou mulher de praia, que faria se fosse.
como nunca brindei estas crónicas com as minhas péssimas fotografias, cá fica a minha sombra, contemplando o mar ligeiramente revolto (e, mesmo assim, era o mais límpido que alguma vez apreciei), com demasiado sol e com o melhor bronzeado que alguma vez tive na vida...

25/10/06

isto de entregar o coração nem sempre é fácil...
(a origem está perfeitamente identificada, ali no lado)

24/10/06

Ladrões ajudam a achar tumbas de dentistas dos faraós
cá está um clássico: os ladrões com mais "faro" e meios à sua disposição para chegarem (ou, pelo menos, para tentarem chegar) aos tesouros antes das entidades oficiais.

de acordo com esta notícia, a tumba do dentista-chefe era protegida pela seguinte maldição: "qualquer pessoa que entrar na minha tumba será devorada por um crocodilo e uma cobra".
caros antigos egípcios, bem sei que o senhor em causa era dentista-chefe, e que há que ter respeito pelas hierarquias, mas não bastava a pessoa ser devorada por um só destes animais? ou então, que se especificasse que parte ia ser devorada por qual dos animais (os membros pela cobra, e o tronco pelo crocodilo, por exemplo)?
a não ser que parte da maldição seja a sua própria indefinição, nesse caso, não tenho nada a apontar.

23/10/06

a saga da estagiária não tem fim...

- o senhor vai querer prestar declarações quanto aos factos que eu acabei de lhe ler?
- não senhora, que a minha advogada disse para eu não falar, e eu não quero dizer nada, mas isso tudo que a senhora disse é verdade, mas agora já não é nada importante que eu já me desvorciei, mas eu não quero dizer nada!

e as audiências são públicas, e qualquer um pode assistir a uma sessão destas...
mas a dúvida fica no ar: por que raio é que só me saem duques?!

22/10/06

o que é fantástico em ter 4 amigas que já casaram (ou estão prestes a casar) este ano?
as descrições do curso de preparação para o matrimónio!

além da troca de experiências fantásticas de vida matrimonial, em que, geralmente, as mulheres sacrificam a sua vida profissional pela familiar* e fazem descrições intímas que fariam corar de vergonha muito boa gente (e que - se a senhora ressuscitasse - mandariam a madre teresa de calcutá direitinha para o céu, outra vez), descobri que há uns que duram o dia inteiro e que até incluem lanches com sandes de carne assada.

é alimento para o espírito (e com espírito, muito dele, que é preciso é a pessoa ir com a disposição adequada, ao que me parece) e para o corpo.
de qualquer das maneiras, ainda bem que não estou candidata a frequentar nenhum destes cursos.

*atenção, eu não sou fanática das mulheres trabalhadoras, e tenho o maior dos respeitos pelas mães que se dedicam inteiramente à casa e à família, mas, durante séculos as mulheres andaram a acompanhar os maridos nas suas carreiras, parece-me de elementar justiça que haja situações em que os maridos acompanhem as mulheres, atendendo ao número de mulheres que andam no ensino superior e que têm cada vez mais e melhores oportunidades de trabalho. a partilha não é só das coisas dele, também é das dela, digo eu.

20/10/06

é véspera de fim-de-semana, e tal...
estava-me a apetecer uma coisinha leve...
mas, de repente, dou de caras com esta notícia:
Apreendidas mais de dez mil cópias de livros em Lisboa, Braga e Covilhã

bem sei que "toda a reprodução desta obra [seja ela qual for], seja por fotocópia ou outro qualquer processo, sem prévia autorização escrita do editor, é ilícita e passível de procedimento judicial contra o infractor" (como se pode ler no início de todos os livros publicados pela livraria almedina), mas também sei que, por exemplo, o manual de direito das obrigações que comprei, com as suas 1060 páginas e capa dura, custou-me (ou melhor dizendo, aos meus pais, que depois, gentilmente, mo ofereceram) 59,85€, já há uns anos atrás.
não desmerecendo no senhor professor almeida costa, nem no valor da sua produção intelectual (muito pelo contrário, daqui a devida vénia), e falando neste manual apenas porque estava aqui mesmo na minha secretária, à mão de semear, serve para exemplificar que os livros técnicos são, de facto, muito caros (e não são só os de direito, acho que os de medicina devem bater todos os outros), e quem noticia a apreensão de tanto milhar de cópia de livros, devia apresentar uma outra notícia sobre porque é que as pessoas fotocopiam os livros.

e, já que isto não é só falar mal, porque não arranjar uma espécie de estatuto de mecenato para as editoras que disponibilizassem manuais a preços mais baixos, por exemplo, para os alunos que têm direito a acção social.
é que, não sei se repararam, mas os livros precisam de ser trabalhados, rabiscados, sublinhados, e não se pode fazer isso nos 2 manuais (de cada) que há nas bibliotecas das faculdades e, realmente, muitos destes livros são investimentos de trabalho que duram uns bons anos, mas quando se é estudante (ou quando se é pai de estudante - ou até de mais que um), é investimento que até dói.

e eu que ia fazer uma piada parva a propósito desta notícia: Suicídio é maior entre mulheres com implantes nos seios (mas quem é que se lembra de fazer estes estudos?!). mais uma oportunidade perdida para falar de banalidades...

19/10/06

e hoje, estimado leitor, vamos a umas dicas para o caso (lagarto, lagarto, lagarto) de se ver envolvido num processo crime:

o advogado poderá dar conselho para não prestar declarações (está previsto na constituição e não pode prejudicar o arguido) ou então para, se escolher prestar declarações, contar a verdade (ou, pelo menos, a sua versão da verdade, sendo de sublinhar que é conveniente contar a mesma verdade do princípio ao fim do processo - coerência... essa virtude tão pouco apreciada nos dias de hoje).
isto não quer dizer que, quando o juiz lhe perguntar qual é a sua profissão vá responder "ladrão", ou a variante "ê... ê roube p'ra pagá droga". gera logo uma predisposição esquisita na sua direcção, e cria uma desconcentração generalizada nos intervenientes (além de estranhas caretas quando se tenta controlar os ataques de riso).

18/10/06

mandaram-me, por mail, esta página da dove (que, pelos vistos, não faz só cremes e sabonetes), e da sua campanha para a verdadeira beleza: http://www.campaignforrealbeauty.com/.

o que me faz constatar, a propósito da aparência que:
realmente, a percepção actual da beleza parece-me um bocado distorcida;
e que há cada vez mais pessoas (e não são só aspirantes a modelos) com distúrbios alimentares e problemas graves de auto-estima;
e que, uma coisa é tratar da própria saúde, outra é seguir padrões de beleza adulterados por programas de computador;
e que me irritam solenemente aquelas miúdas escanzeladas que se acham modelos de alguma coisa e que dizem que uma maçã e um iogurte (magro) por dia são suficientes;
tal como me irritam as pessoas que não percebem que há beleza na diferença, e nas pequenas imperfeições com que cada um é brindado;
e, já que estou embalada, aqui deixo manifesto que, pese embora o facto de me custar imenso a perdoar a peúga turca branca com as raquetinhas (nem no ginásio, que já se inventaram peúgas turcas de cor, e sem a raquetinha), desde que as pessoas estejam saudáveis, bem consigo próprias e com a vida, respeitem o pudor público, não se metam nos assuntos alheios, nem falem mal de mim pelas costas, por mim, estão à vontade para terem a aparência que quiserem.

17/10/06

geralmente não tenho muita paciência para aqueles mails em cadeia com músicas calmas e textos sobre como havemos de melhorar as nossas vidinhas/as vidinhas dos outros/o mundo em geral, no entanto, existe muito boa gente que parece que gosta dos ditos e que insiste em mandar.
estava eu a passar rapidamente um desses mails (com um título qualquer do género "ponto zen" ou "vida zen"), eis senão quando... leio:

no trânsito, mantenha-se atento e gentil com os outros motoristas. peça e dê passagem. se ficar muito alterado com a espera, tenha no carro um CD de música tranquila e algumas balas. isto baixa a ansiedade e suaviza a raiva e a impaciência.

pela primeira vez, um textinho de auto-ajuda que é mesmo verdadeiro e útil. está bem visto que umas balas, inseridas no revólver indicado, fazem maravilhas com os espertos que gostam de se instalar no meio das faixas, que desconhecem o uso do pisca, ou que gostam de estacionar mesmo no meio das curvas (especialmente se forem em lomba).
acho que vou reencaminhar.

16/10/06

Professores em greve amanhã
cá está uma notícia que há uns 15 anos me teria dado uma alegria imensa.
neste momento, preocupa-me pelo triste estado em que está o mundo onde o meu irmão mais novo se resolveu meter.
e só me resta a (vã) esperança que daqui por uns anos não se repita, a bem dos meus eventuais sobrinhos e filhos.

13/10/06

Ban Ki-moon garante que ONU vai prometer menos e fazer mais
parece-me uma boa notícia, a onu tem uma grande responsabilidade, é bom que use os meios ao seu dispor para tentar melhorar este mundo.

agora, vamos ao que interessa, sou só eu quem lê o nome do novo secretário-geral e se lembra, automaticamente, de Obi-Wan Kenobi, esse grande jedi?

12/10/06

quando a pessoa reconhece que está seriamente atacada por deformação profissional OU o meu mau feitio não dá tréguas OU o que andam a ensinar aos empregados de mesa deste país?

fui almoçar com mais três amigas e, em chegando à altura da sobremesa, o empregado pôs-se a dizer o que havia: "bolo de chocolate, salada de frutas, pudim de abóbora... e também me podem dar uma dentada no dedo", altura em que esticou o dedo mindinho da mão direita na direcção do centro da mesa.

nesse preciso momento só pensava na multa que, certamente, me seria sentenciada por ofensas à integridade física, se lhe desse uma valente dentada ou, melhor ainda, se tivesse seguido os treinos de tai-chi e tivesse aprendido a partir dedos sem grande esforço, mais na indemnização pela humilhação infligida no posto de trabalho...
o empregado nem sabe a sorte que teve por eu não ter seguido a carreira alternativa de professora de história.

11/10/06

descoberta muito interessante sobre como os britânicos andam a encarar os funerais é esta notícia: James Blunt preferido nos funerais, e os restantes 10 favoritos são estes:

1. "Goodbye My Lover", de James Blunt
2. "Angels", de Robbie Williams
3. "I Have Had The Time Of My Life", de Jennifer Warnes e Bill Medley
4. "Wind Beneath My Wings", de Bette Midler
5. "Pie Jesu", Requiem
6. "Candle In The Wind", de Elton John
7. "With Or Without You", dos U2
8. "Tears In Heaven", de Eric Clapton
9. "Every Breath You Take", dos The Police
10. "Unchained Melody", dos Righteous Brothers.

que será que aconteceu às boas e velhas carpideiras?
aos gritos lancinantes de desespero pela morte do ente querido?
como é que agora as pessoas saem dos funerais a trautear música pop?!
o que virá a seguir? funcionários públicos satisfeitos com as opções do governo?

as perguntas ficam no ar...
eu cá, para o meu funeral, preferia uma musiquinha de elevador... a discografia completa de burt bacharach parece-me bem.

10/10/06

ao ler este título: Cavaco destapa véu da Lisboa excluída dos toxicodependentes e prostitutas (também li o resto do artigo, mas foi logo o título que me chamou a atenção) fiz uma associação mental para o conceito de véu de ignorância, de john rawls (e vou fazer o favor de não me alongar em divagações filosóficas sobre o dito).
e porque é que isto é bom?
passo a explicar:
é uma pequena vitória pessoal, quer dizer que não estou tão senil como isso, e ainda me lembro da matéria de ciência política, dada no 2º ano da faculdade, aulas em que o prof. espada falava aos altos e baixos, porque a porcaria do microfone não funcionava bem, de todos os seus autores do coração (e eram uns poucos de autores... 2 ou 3 dos quais achei deveras interessantes, os restantes, marrei para fazer a cadeira, confesso).

além disso, também pensei que é outro título pouco conseguido... e alvitrei, para com os meus botões, se os jornalistas não estarão a ser obrigados a frequentar acções de formação sobre como tornar os seus títulos verdadeiramente maus.

09/10/06

certos títulos, definitivamente, nunca deviam ser escritos, e cá está um belo exemplo: Cavaco «sem rabos de palha».
ele há imagens que eu preferia que nunca me passassem pela cabeça.
os jornalistas, cada vez mostram menos respeito, não só pelos alvos das notícias, como pelos leitores, é a conclusão a que chego.

08/10/06

abílio era uma pessoa pacata, perto dos 40 anos, cumpria com zelo os seus deveres profissionais, como escriturário numa fábrica de peluches, mantinha sempre uma aparência aprumada e não lhe eram conhecidos devaneios, para além da ida, todas as sextas-feiras à noite, ao bingo, precisamente entre as 9 e as 10 horas da noite, na companhia de cilinha, a filha da sua senhoria que, desde que se apercebeu que para gritar "linha" ou "bingo" não precisava de pronunciar nenhum "r" (letra que, apesar de muita terapia de fala, nunca tinha dito), era a verdadeira aficionada do jogo.

ninguém quis acreditar quando, subitamente, fugiu com vanessa sofia, estudante do 12º ano, de 19 anos, sobrinha do padre da paróquia, e com fundos cuidadosamente desviados da fábrica ao longo de muitos anos, juntamente com a colecta para a troca do telhado da casa paroquial.
cilinha, acima de tudo, nunca lhe perdoou, meses depois, ter-lhe enviado um postal do rio de janeiro, com os "r's" sublinhados e com o seguinte texto: BINGO.

06/10/06

pedacinho de informação inútil para começo de fim-de-semana:

Chá ajuda a reduzir hormônio do estresse, diz estudo

e, já agora, recomenda-se chá da gorreana ou do porto formoso (não que eu garanta que qualquer um deles ajude a reduzir o estresse, mas sempre dá uma ajudinha à economia regional).

05/10/06

neste feriado:

- o céu acordou cinzento
- chuva
- humidade
- o supermercado a abarrotar de gente
- cinzento
- ainda bem que o carro tem faróis de nevoeiro
- mais cinzento ainda
- conversa séria com amiga
- chá
- esperança que amanhã não seja tão cinzento

03/10/06

reencontrei o bloco de notas das minhas férias e, entre algumas constatações sem qualquer importância para a continuação de vida no mundo, consta a comparação que fiz entre s. miguel e a ilha da madeira (que, como é bom de ver, está longe de ser uma verificação profunda):

s. miguel tem vacas, pastos verdes, hortênsias nas beiras das estradas, bolo lêvedo, kima de maracujá, algumas praias de areia bem preta, chicharrinhos fritos e tem, também, muito menos comércio, muito menos túneis e estradas, e muito menos sítios dignos de uma boa saída nocturna.

a madeira tem bananeiras, uma bandeira do psd e outra da região casa-sim-casa-não (sem querer faltar com a verdade, também há bandeiras nacionais, mas estão mais espaçadas), uma sede do psd com um grande sinal em néon em todas as freguesias, além do comércio, dos túneis e estradas, da poncha de maracujá (da tradicional não gostei, apesar da opinião que me foi apresentada que era tal e qual chá com mel), brisas de vários sabores e do bolo do caco.

ilha por ilha, prefiro a minha, mas na madeira passam-se umas belas férias, ah pois passam...

02/10/06

hoje, enquanto esperava pela minha vez na dentista, estava a infeliz a tentar tratar uma criança particularmente difícil que lhe tinha chegado de urgência. o miúdo gritava, dava pontapés e, de repente, a mãe vira-se com esta brilhante ameaça:

"se não te portas bem, vamos embora e, no dia em que me disseres que tens dores de dentes, vais dormir com os cães!"

e teve de repetir duas vezes até que o rapaz parasse quieto.

por mais que eu faça por exercitar a minha imaginação, o país real consegue sempre superar-me... no entanto, dormir com os cães parece-me pouco eficaz para o tratamento dentário, eu acharia mais adequado ameaçar mandá-lo a um serralheiro, e dizer que ele nunca arranjaria uma namorada gira se não tivesse os dentes em condições.

01/10/06

neste início de outono, a natureza à minha volta ganhou uma nova clareza:
o formato das árvores está particularmente nítido contra o horizonte,
as manchinhas das vacas estão notavelmente perceptíveis,
as flores na beira das estradas ganharam uma nova tonalidade...

tudo isto porque fui ao oftalmologista e estou com a nova (e reforçada) graduação para a minha miopia.