30/11/05

foi um dia muito produtivo: fui de ponta delgada à vila da povoação (mais ou menos 60 km) e só me cruzei com 3 manadas de vacas no meio da estrada, em plena mudança de pastos.
à vinda (outros 60 km), não me cruzei com gado no meio da estrada, estavam os bichos todos disciplinados nos seus próprios pastos.
é tão bucólico o passeio entre as comarcas desta ilha...

e quanto ao que interessa: não me posso esquecer de apresentar a nota de despesas desta deslocação dentro do prazo.

29/11/05

diz que Mário Soares quer PS mais mobilizado na campanha.
eu, simples rapariga das ilhas, julgava, na minha ignorância política, que um partido que partilha com os eleitores portugueses dois candidatos já estaria suficientemente mobilizado... mas parece que não, os eleitores ainda podem contar com mais... que sorte a nossa!
e ainda falta um mês e meio (mais coisa menos coisa) para as eleições, portanto, estou confiante que ainda vão aparecer mais umas pérolas destas. é mesmo muita sorte...

27/11/05


a fazer zapping esta tarde, descobri que estava a acontecer o campeonato mundial de ginástica artística, em melbourne.

como sempre, fiquei fascinada com as coisas fantásticas que não sou capaz de fazer, e que estes atletas fantásticos fazem parecer simples.

e, já agora, este senhor da fotografia chama-se xiao quin, e é campeão do mundo no cavalo com arções.

25/11/05

passei o dia todo a cantarolar a música da rua sésamo.

e, finalmente, chegou à minha sala o aparador que eu tinha encomendado em julho.
isto quer dizer que já tenho a casa muito mais compostinha, e espaço para arrumar a louça e os copos que ainda estavam guardados na despensa em casa dos meus pais.
e ainda, que só me falta arranjar a mesa perfeita para a televisão (que vai continuar no chão durante mais uns meses).

foi uma boa sexta-feira.

24/11/05

este é o título em destaque na página da agência de notícias lusa: Presidenciais: Durão Barroso admite que vai votar em Cavaco.

pergunto-me se não haverá uma única notícia mais interessante do que apontar o óbvio... pois se o senhor, que agora mora para bruxelas, fez parte do governo do outro senhor candidato à presidência; se continuam os dois, senão filiados, pelo menos apoiantes/apoiados pelo mesmo partido... estavam à espera que apoiasse quem? a eterna carmelinda pereira?

enfim, desde já, proponho os seguintes títulos:

  • "carlos carvalhas apoia jerónimo de sousa"
  • "maria barroso apoia mário soares"
  • "josé saramago apoia-se a si próprio para qualquer tipo de promoção"
  • "os intelectuais bem-pensantes-com-o-pézinho-a-puxar-lhes-para-o-esquerdoso apoiam manuel alegre"
  • "a rita (simples, simpática e modesta rapariga da ilha), nunca na sua vidinha inteira, que espera venha a ser razoavelmente longa e com bastante saúde, há-de apoiar o candidato anacleto louçã (antes a carmelinda pereira! - foi o desabafo ouvido por um transeunte)"

se calhar, o último título está um bocadinho comprido demais... mas qualquer uma destas propostas, certamente, faria boa figura em qualquer um dos jornais de grande distribuição neste país.

23/11/05


serviço de utilidade pública:

esta é a primeira página do diário catarinense (estado de santa catarina, logo a seguir ao do rio grande do sul, quem vai a caminho do estado do paraná) de hoje.

tenho a informar que indústria moveleira se refere a mobiliário.

que há um museu de bicicleta em joinville (uma cidade no estado de santa catarina).

que a danuza leão (uma jornalista brasileira) conta a sua vida em quase tudo.

os catarinenses são, ainda, brindados com um roteiro da muralha da china.

não que tenha nenhum bom motivo para o justificar, mas hoje estou a sentir-me no hemisfério errado...

22/11/05

gosto sempre de ouvir uma das frases preferidas dos meus oficiosos, um autêntico clássico:
"eh... ò senhora, isso é tudo mintiras!"

21/11/05

esta tarde, um bocado antes das 5 horas, fui chamada a um interrogatório na psp.
larguei o que estava a fazer, peguei no meu fiel c3, atirei-me ao trânsito do fim de tarde na bela cidade de ponta delgada (para aqueles que acham que a vida no meio do atlântico não tem engarrafamentos, tenho a dizer que eles existem), dei duas voltas ao quarteirão da esquadra, consegui estacionar, fui pôr moedas no parquímetro, dei uma corrida final na direcção da esquadra e, mesmo antes de entrar, lembrei-me de fechar o casaco quase até ao pescoço.

foi mesmo a tempo. estou em crer que aparecer com a minha t-shirt com ovelhas, por muito bem disposto que possa parecer, não é a melhor maneira de me mostrar uma defensora de respeito.
ah... pois é, também nesta ilha, mais do que ser, é preciso parecer...

20/11/05

estou indignada com o instituto de meteorologia.
eu precisava de saber em que nível anda a humidade nesta ilha, especialmente porque o meu cabelo está com um insistente caracol à super-homem (cuja origem é a humidade do ar, claro) e queria começar a fazer um estudo científico sobre a partir de que nível de humidade é que fico com o meu estiloso caracol. mas, lamentavelmente, só tenho a humidade no ar das seguintes cidades:

OBSERVAÇÕES METEO.:
20-11-2005 22h UTC
COIMBRA
16.6ºC69%0.0mm
FARO
17.7ºC89%0.0mm
FUNCHAL
14.5ºC65%0.0mm
LISBOA (G. COUTINHO)
13.3ºC95%4.1mm
PORTO
16.3ºC60%0.0mm

não me servem estes dados. o instituto de meteorologia está a sabotar o meu estudo científico, é o que é...

19/11/05

um bocado mais calma depois da reunião de condomínio de ontem, vejo-me obrigada a fazer um correcção: retiro a parte em que mandei as pessoas antipáticas para trás-os-montes, e acrescento que não queria, de todo, insultar os transmontanos, nem desejar-lhes a triste sina de ficarem com todos os carapaus de corrida que atacam neste país.

em alternativa, teria de mandar os ditos carapaus (talvez na companhia dos candidatos presidenciais, para aproveitarmos o desconto de grupo na viagem) passar férias para algum sítio embirrento, inóspito e, de preferência, bem longe. a escolha não é fácil, por exemplo, o deserto do kalahari tem os bosquímanos que, desde "os deuses devem estar loucos", são um povo que me inspira simpatia, logo, não lhes desejo má companhia; no deserto de gobi, além de alguns chineses e alguns mongóis que nunca me fizeram mal nenhum (e que, portanto, também não merecem castigo tão severo), também tem uns cavalos engraçados que, parece, estão em vias de extinção, logo, não lhes vou mandar carapaus antipáticos; na zona do polo norte não há gente nem bichinhos para incomodar... mas há grandes massas de gelo que os antipáticos podiam aproveitar para derreter para inundar o resto do mundo, na sua vingança pelo ostracismo a que foram votados...
isto não está nada fácil. vou deixar o assunto em banho maria durante uns tempos, pode ser que, quando menos espere, me venha uma solução brilhante.

para esta ligeira melhoria de disposição contribuiu o facto de ter decidido investir na nova promoção da tmn que me permite falar à borla, depois de pagar 0,19 cêntimos no primeiro minuto (e 7,5 € de subscrição), o que quer dizer que estive a falar durante bastante tempo com o meu transmontano preferido que, actualmente, explora tudo o que há para saber sobre a ilha do porto santo.
posto isto, cá vai um beijinho para o valter.

18/11/05

hoje contaram-me que havia uma guia turística que explicava aos seus turistas (em inglês) que o cachalote (sperm whale) é o macho da baleia (whale), donde se conclui que, para se ser guia, não é preciso prestar provas de conhecimentos básicos de biologia e desenvolvimento das espécies animais.

mas isto já foi a conversa entre a meia noite e a 1 da manhã... antes disso, na extraordinária reunião de condóminos:
  • disseram que as moradoras, quando estivessem em casa, tinham de calçar pantufas para não incomodarem os vizinhos com o barulho dos seus tacões;
  • mostraram-me diferentes tipos de borrachinhas autocolantes ("baratíssimas, façam favor de comprar") para colar em todos os meus móveis, para evitar o barulho terrível que os vizinhos têm de suportar de cada vez que fecho um armário ou uma gaveta ou, até, o tampo da sanita;
  • explicaram-me que só posso fazer barulho entre as 7 e as 18 horas e que, a partir daí, corro o risco de chamarem a polícia para me calarem;
  • fiquei com a impressão que também não posso dar festas na minha casa (pelo menos, sem a devida licença lavrada pela câmara municipal de ponta delgada);
  • entre outras pérolas que incluiram insultos às dondocas que estacionam mal o carro para irem à loja de decoração no rés-do-chão (estranhamente, não insultaram os utentes do notário no outro rés-do-chão, esses devem ser da classe trabalhadora...);
  • e insultos aos advogados das empresas de condomínios e de construção (essa máfia de porcos sem princípios, que só sabe prejudicar os inocentes e que ganha SEMPRE nas contendas contra o zé-povinho)...

no fim, ainda fiquei com a sensação de estar cheia de sorte por não me imporem recolher obrigatório, e por não me proibirem a ida à casa de banho a meio da noite (para não incomodar os vizinhos como o barulho horripilante do autocolismo - isto apesar, nos andares acima e abaixo, na zona da minha casa de banho só haver, pasme-se, casas de banho!).

além do que, a senhora que orientava a reunião era uma daquelas simpáticas pessoas do continente (lisboa, esse exemplo de civilização) que se mudam para as províncias ultramarinas ("gostas de viver nos açores?", "gosto, sei lá... é muito típico, e eles têm aquela maneira de falar, pronto, são um bocado brutos, e há imensas coisas que não há lá... mas temos imensa qualidade de vida... pronto, há umas coisas irritantes, uns quantos imbecis que insistem em parar em cima dos passeios..." - como se no resto do mundo não se parasse em cima dos passeios! não é preciso insultar os locais!), e que nos vêm trazer a luz do conhecimento.

obrigada, desculpe... não há pachorra! vão procurar qualidade de vida para trás-os-montes, zona que também tem ar puro, muita qualidade de vida, e podem ir comprar as mercearias a espanha que lhes sai muito mais barato.

posto isto, aqui fica lavrado, enquanto me lembrar desta triste cena, não volto a pôr os pés numa reunião destas!

NOTA: eu não tenho nada contra os continentais em geral, muito pelo contrário, há cá muitos continentais impecáveis, além do que, morei em lisboa durante metade da minha vida e sempre me dei bem com toda a gente.
no entanto, já tenho muito contra os continentais que se instalam cá armados em carapaus de corrida.
é gente que é embirrenta em qualquer sítio que escolha para viver, os carapaus de corrida são uma raça terrível!

17/11/05

ontem, nos ctt, a funcionária perguntou-me, toda sorridente, se eu não queria aproveitar e comprar postais de natal.
"não, muito obrigada", respondi educadamente, "ainda estamos no meio de novembro".

também aproveito para acrescentar que acho muito cedo para as ruas do centro da cidade já estarem todas iluminadas com enfeites natalícios, e que esta antecipação das festas lhes tira a maior parte do gozo.

e ainda acrescento que amanhã vou à minha primeira assembleia de condóminos. algo me diz que deve ser uma reunião onde o espírito natalício não vai imperar... mal posso esperar.

16/11/05

hoje fui chamada para acompanhar um arguido, num interrogatório, numa das esquadras da psp aqui da ilha, portanto, foram 20 minutos de viagem, mais 15 minutos de declarações e mais 20 minutos de viagem de volta.

por sorte, esta era uma esquadra de polícias sérios, cumpridores das suas funções e de quem não tenho qualquer razão de queixa, não me cruzei com nenhum Policial 'drag queen' se diz amante do deus Krishna na Índia, tal como o senhor Devendra Kumar Panda, que é inspetor-geral no Estado de Uttar Pradesh.

acho que os estágios na índia devem ser muito mais animados que os estágios que se arranjam em portugal... mesmo assim, não é o suficiente para me convencer a mudar o estágio para lá, prefiro os agentes da psp, ao menos não têm o hábito de nos reservar surpresas estranhas destas.

15/11/05

constatação do dia:
é sempre simpático ir ao ginásio na hora de um jogo de futebol: fica quase vazio, e posso seguir o meu programa na ordem suposta, sem ter de saltar máquinas à espera que fiquei vazias.
despacho-me mais depressa, e ainda tenho tempo para conversa de circunstância com os poucos resistentes que não se desistem do treino por causa de um jogo (até porque havia umas 5 televisões sintonizadas no canal que estava a passar o jogo, sempre dá para se ir seguindo, embora sem muita atenção).

14/11/05

o país está um bocado mais repetitivo que o habitual, nesta fase de pré-campanha para as eleições presidenciais, temos que:

1-o candidato cavaco silva apresenta-se como o salvador da pátria;
2-o candidato mário soares apresenta-se como o salvador da pátria;
3-o candidato manuel alegre apresenta-se como o salvador da pátria;
4-o candidato jerónimo de sousa apresenta-se como o salvador da pátria;
5-o candidato anacleto louçã apresenta-se como o salvador da pátria.

além disso, os candidatos n.ºs 2, 3, 4 e 5, também estão em competição para ver quem consegue arranjar os piores insultos na direcção do candidato n.º 1.

e os candidatos n.ºs 1 e 2 estão em competição para tentar convencer a população votante que foram os melhores governantes que este país teve desde 1974.

quer-me parecer que estes candidatos devem ter feito algum curso de preparação à presidência da república, engoliram todos as mesmas cassetes e agora, com um ou outro detalhe que os individualiza, dizem coisas quase iguais.
além disso, também acho que ainda não perceberam a que cargo é que estão a concorrer, mas, enquanto lhes forem apontando a câmara e o microfone, vão debitando os seus textinhos e fazem uns ares felizes.

é claro que aproveito para sublinhar que a numeração apresentada nos candidatos não é reflexo de qualquer preferência minha, foi uma mera questão de organização do texto.

13/11/05

chegou àquela época do ano em que agradeço não ter crianças pequenas na família: os anúncios na televisão a partir de novembro ficam absolutamente impossíveis, os brinquedos parecem-me cada vez mais esquisitos e, quase de certeza-certezinha, devem ser caríssimos e pouco resistentes ao primeiro ataque de fúria dos infantes (quando o action man vai ser atirado à cabeça da prima e o nenuco vai ser decapitado com a faca de sobremesa, mesmo na noite da consoada).

começo a sentir que a minha infância não teve metade da tecnologia que as infâncias actuais têm... que é que aconteceu aos "legos", aos "pin y pon" e aos "playmobil"?

11/11/05

pelos vistos, um Americano de 18 anos é eleito prefeito em Michigan.

por cá, se a memória não me atraiçoa, o famoso tino (de rans) também se tornou autarca com 18 anos.
depois:
  1. acharam-lhe graça,
  2. deram-lhe corda,
  3. acabaram por achar que se estava a tornar um incómodo,
  4. calaram-lhe o pio à frente de todos,
  5. reapareceu na quinta das celebridades,

e, agora, deve estar escondidito em rans, à espera da nova oportunidade para atacar as luzes da ribalta.

apesar desta minha lembrança pouco precisa da sequência dos acontecimentos, espero que o rapaz americano, de seu nome michael sessions, tenha muito sucesso, seja um excelente político, continue a estudar tudo direitinho, e se faça um senhor responsável, competente e boa pessoa.

(sinto-me um bocado como aquelas tias chatas que, quando sabem que há uma sobrinha grávida do primeiro filho, convidam-na para lanchar, descrevem os seus partos - cada um mais doloroso, complicado e, até, mais nojento que o anterior - e, no fim, declaram: "mas contigo não vai acontecer nada disto... tenho a certeza que vai ser uma maravilha... eu é que tive um grande azar.")

10/11/05

e o dia de hoje foi dedicado às subtilezas do contrato de arrendamento rural.

o que quer dizer que passei o tempo todo a fantasiar:
  • com o prémio do euromilhões (que nunca hei-de ganhar, especialmente porque nunca me lembro de jogar),
  • com a volta ao mundo que havia de dar,
  • com um brilhante c3 topo de gama (vermelho escuro) que havia de comprar - sem qualquer desprimor para o fiel c3 cinzentinho que me acompanha desde há 11 meses a esta parte e que celebrou, esta semana, os seus 10000 km,
  • e com todos os livros que havia de comprar - tantos que nem havia de ter tempo de os ler.

entretanto, e pese embora o pouco entusiasmo, acabei de fazer o contrato que me foi pedido.

09/11/05

maria josé nogueira pinto (pessoa por quem eu até tenho uma certa consideração, apesar do partido em que milita), num debate, na sicnotícias, sobre a discussão do orçamento, acabou de se sair com mais uma das suas brilhantes imagens:
isto é como um chão esburacado, que se pretende tapar com um tapete persa comprado a prestações.

parece-me uma imagem deveras assustadora, e que nos arriscamos a assistir ao lançamento de uma nova escola de oratória nacional, passo a exemplificar:
  • é como morar numa barraca, sem saneamento básico, e conduzir um bmw comprado a prestações
  • é como só ler revistas "de entretenimento para adultos", e estar a comprar a colecção dos grandes clássicos da literatura contemporânea (com encadernação de luxo) a prestações

diria, até, que os debates políticos haviam de ganhar uma nova dimensão, e uma estranha proximidade com a realidade. a ver vamos.

08/11/05

tive o meu primeiro arquivamento de um caso por desistência da queixa.
fiquei muito satisfeita, estava seriamente preocupada com este caso, uma vez que, o maior crime que eu conseguia encontrar na descrição dos factos, era a origem de toda a confusão, que passo a descrever: "A" estava a pintar as jantes do próprio carro com um resto de tinta vermelha, a partir daí, geraram-se todas as confusões normais que se geram entre vizinhos com gostos divergentes em relação às cores das jantes dos automóveis.

a pergunta (pertinente) que me atacou desde o primeiro momento é a seguinte:
como é que, nas inúmeras comissões de revisão do código da estrada, ou até mesmo do código penal, ninguém se lembrou de criminalizar a pintura das jantes de vermelho (ou mesmo de verde ou roxo ou laranja)?
eu acho que merecia, pelo menos, pena de multa até 4 meses.