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11/07/18

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artur não gosta da ausência de rotinas nas férias, nem de viagens ou sequer de ímans de frigorífico. deixa-se ficar em casa, a riscar pandora que possam no calendário.
é um autêntico prisioneiro da rotina, pobrezinho.

27/06/18

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artur, por vezes, tem momentos em que lhe falha a inspiração, nessas alturas resolve parar e esperar que ela volte.
é um bocado desagradável para o doente que ele estiver a operar no momento e para a restante equipa médica, mas ele defende que é sempre mais seguro.

20/06/18

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o artur tem coisas engraçadas como não se afligir com doenças, só se preocupa quando são visíveis aos olhos distraídos dos colegas de trabalho.
além disso, também só come m&m's azuis. mais sobra para quem o acompanha.

04/06/18

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artur abandonou a bandeira do lirismo social que insistia em abanicar quando começou a frequentar os transportes públicos de lisboa. eu já lhe tinha feito relatos, mas tenho fama de exagerada e só a dura realidade o convenceu.

29/05/18

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artur soube que era incapaz de seguir os seus estudos de direito quando percebeu que o código da estrada não previa o sentido da vida, depois de algumas experiências laborais menos felizes, conseguiu alcançar prestígio profissional como gerente de uma empresa lutuosa.

25/05/18

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artur sonhava ser convidado para ir à feira do livro como autor do dia. enquanto tal não acontecia, tentava recolher autógrafos dos seus heróis literários contemporâneos.
um dia havia de fazer uma grande colagem de autógrafos de escritores contemporâneos.

23/05/18

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artur é um rapaz pacato, trabalhador e cumpridor.
quando tem contrariedades na sua vida, apanha pielas com gelados de rum com passas.
confidenciou-me que tem demasiados pudores para enfrentar a menina da caixa do supermercado com garrafas de bebidas alcoólicas: ela é filha da porteira do seu prédio.

prefere que o prédio ache estranha a sua escolha de sabores de gelados.

18/05/18

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artur gostava de assistir a combates de wrestling e a programas de discussão da atualidade futebolística. era um apreciador de espetáculos previamente encenados e de resultados garantidos.

23/03/18

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há muitos anos, artur explicou-me que chega um dia em que a pessoa se apercebe que não tem ressentimento em relação a quem por ela passou e lhe fez mal. nem tão pouco sente saudades ou qualquer tipo de curiosidade sobre o que terá acontecido às criaturas desagradáveis do seu passado.
esse é um bom dia.
já um dia extraordinário é aquele em que a pessoa se perdoa das parvoíces que disse e fez antes de se libertar. e em que parte para as asneiras seguintes, sem remorsos.
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não acontece muitas vezes, mas quando o artur tem razão é lindo de se ver.

14/12/17

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artur tem uma enorme capacidade para criar extraordinários arquétipos de amores perfeitos, inversamente proporcional à sua habilidade para a concretizar relações com quem saiba reciprocar os seus sentimentos e deixar-se cair na rotina de quem-estende-a-roupa-lavada-a-não-a-arruma-nas-gavetas.
prefere continuar a queixar-se que ninguém o acompanha nos seus sonhos de encantar, ao invés de perceber que também existe encanto no modo como se encaram as minudências práticas da vida a dois.

02/11/17

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artur tinha a certeza de que nunca seria completamente saudável, feliz ou competente no trabalho. sabia que nem sequer conseguiria ser um completo e perfeito idiota, apenas por não acreditar na existência de arquétipos da perfeição. fosse a que nível fosse.

30/10/17

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artur tem poucos números bloqueados no seu telemóvel: os que identifica como telemarketing e o número do trabalho (quando vai de férias).
nunca precisou de bloquear antigas namoradas... acha que partiram todas sem saudades e, à conta da falta de interesse, houve coisas que nunca devolveu como ímans de frigorífico, livros de feng shui ou uma coleção de selos. está à espera que passe um período razoável para invocar a devida propriedade para que possa vender estas velharias numa feira.

25/10/17

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no seu sonho recorrente, artur preparava-se para viajar até à china, num percurso exclusivamente terrestre, à imagem de marco polo. no entanto, sempre que ia começar a viagem propriamente dita, acordava com um ataque de tosse.
até ao dia em que comprou uma passagem de avião. sem escalas.

24/10/17

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no silêncio da sua imaginação, artur decidiu que nunca seria um poeta tradicional, preferia explorar a sua capacidade para escrever letras para músicas românticas.

mas apenas as relativas a amores não correspondidos.

12/09/17

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artur pediu-me para, pelo menos por uma vez, escrever o nome dele com letra maiúscula, portanto: ARTUR!
espero que fique satisfeito. já tem tanto tempo que eu não lhe relato as aventuras... deve estar a sentir-se um pouco negligenciado.

10/08/17

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estou cá a pensar que há muito tempo que não me cruzo com o artur.
não sei se estará de férias, se finalmente encontrou o amor da sua vida ou se está a fugir da minha companhia... no entanto, ele deve-me um lanche que pretendo reivindicar. eventualmente.

28/06/17

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aqui há dias artur estava a explicar-me a sua nova teoria sobre as pessoas, estas devem-se reduzir à sua área de especialização: um cantor deve cantar, um advogado deve advogar, um médico deve medicar, um professor deve ensinar, um engenheiro deve fazer o que quer que lhe tenham ensinado numa das 247 engenharias que existem, um mágico deve magicar, e por aí vai.
nunca, por nunca ser, podem dar outra qualquer opinião em público, quer seja sobre política, futebol, o clima na finlândia ou o uso de inseticidas. pior ainda, não podem tentar fazer humor perante públicos que não conhecem.
já ele próprio considera-se excluído dessa teoria, por ser um divagador profissional. tal como as restantes pessoas que não resistem a opinar sobre tudo o que as rodeia.
como quase sempre, deixou-me boquiaberta com mais esta teoria estapafúrdia.

25/06/17

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artur nunca vai às reuniões de antigos colegas de escola, porque tem sempre receio de descobrir que é ele o mais gordo e com menos sucesso. 

05/06/17

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aqui há dias estava a discutir com artur sobre a sua total ausência de capacidade de sintetizar argumentos e ele respondeu-me que não tinha tempo para ser breve.
fiquei a pensar se a ausência de tempo não será mais uma desculpa para a falta de vontade. ou para a falta de brio.