30/04/08

artur não gostava de surpresas, abominava o absurdo e era alérgico a chocolate.
na tarde em que abriu a porta de casa e deu de caras um orangotango a pedir-lhe uma chávena de farinha, teve a certeza que tinha morrido e estava no purgatório. mesmo assim, sentiu esperança: se, em vez de um orangotango, fosse um coelho de chocolate, estaria no inferno. isso seria bem pior.

29/04/08

- esta rifa não é destas festas... deve ter vindo trocada numa reciclagem de rifas.
- pois é... tirou mesmo dos nossos sacos?
- sim.
- então vai levar um prémio. tem alguma criança?
- não...
- então tome lá um baralho de cartas.

28/04/08

a pessoa vai a uma feira do artesanato e, propositadamente, não leva muito dinheiro - porque a vida está difícil para todos e eu já tenho imensas bugigangas.
foi perfeitamente escusado, dei por mim a recorrer à velha técnica:

- mamã, há por aí 5 € que se emprestem?

por sorte, havia.

26/04/08


chá? café? laranjada!
e a tara ainda me vai valer 0,07 €. aos anos que eu não guardava garrafas para devolver...

25/04/08

É já sem esperança que retorno, enfim, à cabina telefónica, agora com menos gente. Passeio, de casaco na mão, faço as sete e trinta e cinco, as sete e quarenta. Ninguém. O meu contacto faltou. Não há lugar para dúvidas: o dia, a hora, o local, tudo era claro, inequívoco. Quinta-feira, vinte e cinco de Abril, às sete da manhã, junto à cabina telefónica do Caramão da Ajuda. A de cima. Nada mais tenho a fazer aqui.
Outra vez, pela minha frente, surge ameaçadora a espessura carregada do tempo. Visto o casaco e encabisbaixo-me vagaroso para o automóvel.
Tudo falha, tudo corre mal. Agora, que farei de mim?

"apuros de um pessimista em fuga", de mário de carvalho.
(o final de apenas 77 páginas de apuros)

24/04/08

uma aranha pode picar ou fazer comichão, mas não arranha.
já uma rita, às vezes, irrita.

22/04/08

quando os colegas de escritório lhe ofereceram papel higiénico literário, artur achou que estavam a fazer troça de toda a literatura em geral, e dele em particular – por ser demasiado entusiasta nas suas leituras. na verdade, os colegas só acharam que a ideia espanhola era mais engraçada que um cheque-livro.
no aniversário seguinte, ofereceram-lhe um cinzeiro. apesar de artur não fumar, acharam que era o que mais se adequava.

21/04/08

deparei-me com uma palavra que nunca tinha visto, e fiquei toda satisfeita.
é uma palavra de aparência diferente, não é lá muito fácil de pronunciar e não é de uso muito comum, já que não são muitos os estudiosos das bandeiras, estandartes e insígnias... estava, até, a planear começar a usá-la em ocasiões sociais, para garantir que havia de brilhar mais que as miúdas magras e giras à minha volta e, desta simples maneira, assegurar que me prestariam alguma atenção...
mas depois fui confirmar ao priberam, aos dicionários da porto editora e ao wikcionário, e não há nenhuma entrada que lhe justifique o sentido. tenho de reconhecer que fiquei meia descorçoada.

posto isto, e na esperança de despertar o interesse por esta palavra na grande rede, cá fica o link para o artigo da wikipédia sobre vexilologia.

20/04/08

rita – (patati… patatá…) pobrezinho, ele tem de conduzir de lisboa até bragança, ainda é um estirão…

(breve pausa)

mamãe e rita, em uníssono – “de lisboa a bragança, são 9 horas de distância!!!”

trocamos a ordem das cidades, mas o poder dos xutos atravessa gerações.

17/04/08

16/04/08

parece-me que não é dada a devida importância ao pragmatismo búlgaro...
vejamos: enquanto em portugal se gastam horas de discussão (e rios de tinta) a falar sobre como deve funcionar a legislação relativa ao divórcio (culpa/não culpa, facilita-se o fim da família/não se deve obrigar as pessoas a ficarem presas a um casamento fracassado, patati/patatá); na bulgária um senhor foi ao mercado e trocou a mulher por uma cabra, e até parece que teve o cuidado de obter o consentimento da mulher, além do consentimento do dono da cabra (e actual marido).
cá está um processo muito mais simples e (apesar de a notícia falhar ao não revelar a opinião da cabra sobre o assunto, nem a da sociedade protectora dos animais) do agrado de todos os envolvidos.

15/04/08

artur era um homem pacato, não fumava, não bebia em excesso, evitava discussões a todo o custo, fazia longas caminhadas para se manter em forma, e a sua companhia era apreciada por ser sempre serena e agradável.
quando foi preso por manter uma casa de jogo clandestino, onde todos os dados estavam viciados, a vizinhança foi unânime em declarar que se estava mesmo à espera, um homem não podia ser tão virtuoso, tinha de ter algum grande defeito escondido.

14/04/08

ex-militar colombiano trocou de sexo com dinheiro da guerrilha

ora bem... por onde começar?...
pela boa aplicação do dinheiro da guerrilha?
pelo facto de a tropa preparar lindamente os seus militares para os desafios de uma vida moderna?
ou poderia, até, levantar uma dúvida sobre o eventual consumo excessivo de substâncias psicotrópicas na américa latina, o que me parece que explica muita coisa...
são questões que vão ficar a pairar no meio dos 0's e 1's da grande rede.

12/04/08

a pessoa cria expectativas, e depois dá por si a ouvir a senhora do café aqui ao pé de casa a perguntar-me:
- então o que é que fez aos caracóis?

já não se pode ir ao cabeleireiro...

10/04/08

tv venezuelana retira 'simpsons' do ar após pressão do governo

d'oh!

(e será que a lei de responsabilidade social em rádio e televisão não poderá vir a abranger os programas do presidente lá do sítio. numa balança de qualidade, não sei qual programa estaria melhor...)

09/04/08

era uma escritora norueguesa muito conhecida pelos seus romances cor-de-rosa passados em ilhas tropicais.
a sua inspiração acabou no dia em que saíu da noruega pela primeira vez para fazer um cruzeiro nas caraíbas. apanhou o primeiro escaldão da sua vida e resolveu tornar-se contabilista.

08/04/08

se eu fosse de sociologia, palavra que fazia um estudo sobre a influência do vitinho na vida dos nascidos na 2ª parte da década de 70 e nos da 1ª parte da de 80. acho impressionante que, a partir do momento em que alguém começa a cantarolar "está na hora da caminha", se forme logo um encantador coro que só se cala na parte do "adeus, e até amanhã".

sim, o parque de estacionamento do parque atlântico assistiu a mais um bonito espectáculo musical.

07/04/08

tenho cá esta teoria que a carga genética é como uma roleta engraçada... em vez de me calhar um par de olhos azuis, fiquei-me por ser precocemente grisalha.
bem vistas as coisas, sempre dá um tópico de desbloqueador de conversa mais interessante.

05/04/08

quando abri a minha caixa de correio electrónico, hoje, dei de caras com esta mensagem do meu horóscopo*:
nestes próximos dias, de 05/04 (hoje) às 3h28 a 06/04 às 17h03, a lua nova solicita que você procure dar um pouco mais de atenção às necessidades do seu corpo, rita. como está sua alimentação? você está precisando de uma massagem?

sinto-me bastante satisfeita por poder acalmar os senhores, e dizer que me adiantei às suas preocupações: ontem consegui resistir à sobremesa (era calórica e tinha muito chocolate) e, para hoje, tenho uma massagem de shiatsu marcada.
confio que estarei completamente revigorada para um dia ou dois.

*cortesia do site personare.

04/04/08

não estou distraída das coisas estranhas que se passam neste mundo, mas ainda não percebi porque andam a fazer tanto barulho por causa da pessoa transsexual que está grávida.
se está grávida é porque é mulher (independentemente da aparência e da publicidade que decidam fazer sobre o assunto, a natureza ainda não mudou nesse departamento), este mundo está transformado num circo mediático, e todo o circo que se preze tem de ter uma mulher barbuda.

poderia fazer algumas considerações éticas/filosóficas/científicas, mas o assunto dá para uma dissertação demasiado comprida, e eu prefiro posts curtinhos.

03/04/08

se chove que deus a dá, e se quem anda à chuva molha-se, facilmente se compreende que fiquei com os sapatos ensopados*.

*ou: porque raio o céu decidiu cair em cima das cabeças dos frequentadores de ponta delgada exactamente na hora de almoço?

02/04/08

manel perguntou a maria se ela queria casar com ele. ela riu, lembrou-se que era 1º de Abril, aceitou e não deu importância à brincadeira. aliás, só voltou a lembrar-se do assunto uns dias depois, quando manel a levou até à igreja paroquial para marcar a data.
manel, que nunca sabia em que dia ia, nem tinha por hábito mentir, acabou por casar com a sobrinha do padre, rapariga simpática e divertida – e com outros atributos que só a manel interessam –, que o acompanhou com muita paciência depois de maria ter explicado atabalhoadamente que era testemunha de jeová, que nunca poderia casar com um católico, e ter desatado a correr em direcção à porta, dizendo que estava atrasada para uma marcação no gabinete de estética.

01/04/08

a propósito desta notícia: homem mata mulher, cunhado e suicida-se, mais uma vez constatei que até compreendo que as pessoas desesperem e cometam suicídio, mas já tenho mais dificuldade em compreender é algumas sentem a necessidade de matar uns quantos familiares (ou colegas de escola, ou mesmo estranhos) antes... será uma ânsia de garantirem companhia enquanto discutem quem parte na barca do inferno e quem parte na barca da glória?