ora cá está... Harry Potter vai ter parque temático nos EUA, isto até parece que há aí uma epidemia de parques temáticos.
mas, para meu gosto, acho que o parque do charles dickens deve ser muito mais interessante.
o mundo é redondo e nunca acaba. 80 dias não são suficientes para o contornar, em menos de um fósforo já nos deu ele a volta.
31/05/07
30/05/07
Grã-Bretanha abre parque dedicado a Charles Dickens, e eu mal posso calcular a animação que para ali vai, o cheiro de esgotos a céu aberto, gravações com gritos dos aleijados pelos primeiros acidentes de trabalho das máquinas que começavam a ser usadas na indústria, e pranto das criancinhas esfomeadas... assim uma coisa no género da câmara dos horrores do Madame Tussaud's, mas em grande.
29/05/07
um jogo de Scrabble.
duas jogadoras, uma das quais com muita pressa (mas não o jogo não vai dentro por causa de detalhes como compromissos no outro extremo da ilha), a outra com toda a sua paciência maternal.
o tabuleiro quase todo completo.
de repente:
- "chulo" escreve-se com "ch" ou com "x"?
- com "ch".
- tens a certeza?
- sim, mas escreve à mesma porque fica divertido.
estranhamente, mais ninguém na família se atreve a alinhar connosco nestes jogos.
ganhei o jogo.
estou cá a apostar que vou levar uma descompostura por ter escrito isto aqui... mas não me ocorreu nenhuma ideia remotamente interessante para substituir a saga do j.
duas jogadoras, uma das quais com muita pressa (mas não o jogo não vai dentro por causa de detalhes como compromissos no outro extremo da ilha), a outra com toda a sua paciência maternal.
o tabuleiro quase todo completo.
de repente:
- "chulo" escreve-se com "ch" ou com "x"?
- com "ch".
- tens a certeza?
- sim, mas escreve à mesma porque fica divertido.
estranhamente, mais ninguém na família se atreve a alinhar connosco nestes jogos.
ganhei o jogo.
estou cá a apostar que vou levar uma descompostura por ter escrito isto aqui... mas não me ocorreu nenhuma ideia remotamente interessante para substituir a saga do j.
28/05/07
mais uma tremenda demonstração de bom senso açoriano: o Dia dos Açores também calha sempre à segunda-feira.
parece-me que por um excesso religioso (por ser a segunda-feira do espírito santo), mas que pode ser particularmente bem aproveitado à beira de uma piscina a apanhar uns extraordinários raios de sol primaveril.
parece-me que por um excesso religioso (por ser a segunda-feira do espírito santo), mas que pode ser particularmente bem aproveitado à beira de uma piscina a apanhar uns extraordinários raios de sol primaveril.
27/05/07
26/05/07
As crianças acabavam por se desinteressar de Ngunga. Afinal era um menino como eles, não um herói à altura de Mavinga. Iam-se afastando, uma a uma, ou para brincarem ou para observarem o comandante. E Ngunga ficava só. Encolhia os ombros. Aproximava-se também do comandante, para o ouvir contar as suas aventuras, mil vezes ouvidas. Mas Mavinga não se cansava de as repetir. Ficava contente, orgulhoso, quando lia admiração nos olhos dos que o escutavam. E Ngunga notou que a mesma história não era sempre contada da mesma maneira. De dia para dia, Mavinga aumentava um pouco ou o número de inimigos mortos ou a dificuldade da operação. Os que iam com ele parecia que não reparavam.
Pepetela, As aventuras de Ngunga
Pepetela, As aventuras de Ngunga
24/05/07
Maior 'shopping' da Península deve ser inaugurado em 2008, terá como nome dolce vita tejo, e será nas imediações do casal da mira, na brandoa, vai ter centenas de lojas, milhares de lugares de estacionamento, e criar outros milhares de postos de trabalho.
desde que li esta notícia, que estou a trautear a musiquinha "amoreiras... amoreiras shopping center... uma cidade dentro d'uma cidade... Amoreiras Shopping Center!", era um anúncio tão giro, mas ficava um bocadinho longe de casa, centro comercial por centro comercial, nós era mais Centro Comercial da Portela.
entetanto, por ora, vai-me servindo o Parque Atlântico, as roupinhas da zara e da massimo dutti, e o brique-à-braque do gato preto e da zara home vão chegando cá intactos, não se pede impossíveis.
(sim, sinto que vou ter de contrariar um ataque de consumismo iminente)
desde que li esta notícia, que estou a trautear a musiquinha "amoreiras... amoreiras shopping center... uma cidade dentro d'uma cidade... Amoreiras Shopping Center!", era um anúncio tão giro, mas ficava um bocadinho longe de casa, centro comercial por centro comercial, nós era mais Centro Comercial da Portela.
entetanto, por ora, vai-me servindo o Parque Atlântico, as roupinhas da zara e da massimo dutti, e o brique-à-braque do gato preto e da zara home vão chegando cá intactos, não se pede impossíveis.
(sim, sinto que vou ter de contrariar um ataque de consumismo iminente)
23/05/07
um dia satisfatório:
a pessoa acorda bastante estremunhada, abre o estore, vê que está a chover e que, pela cor do céu, vai chover o dia todo, fecha o estore, volta para a cama, não vai trabalhar, eventualmente acorda, arranja-se, vai almoçar com amiguinhos, deixa-se ficar à conversa, vai ao cinema, dá uma vista de olhos na livraria... enfim, arranja actividades simpáticas, e em recintos cobertos até ao fim do dia.
a triste realidade:
a pessoa acorda bastante estremunhada, abre o estore, vê que está a chover e que, pela cor do céu, vai chover o dia todo, resmunga enquanto se arranja, vai trabalhar, e quando dá por si, passou o dia quase todo ensonada, a resmungar, e a tentar não ficar completamente encharcada.
estes dias de céu cinzento e chuvisco constante dão cabo de qualquer cristão.
a pessoa acorda bastante estremunhada, abre o estore, vê que está a chover e que, pela cor do céu, vai chover o dia todo, fecha o estore, volta para a cama, não vai trabalhar, eventualmente acorda, arranja-se, vai almoçar com amiguinhos, deixa-se ficar à conversa, vai ao cinema, dá uma vista de olhos na livraria... enfim, arranja actividades simpáticas, e em recintos cobertos até ao fim do dia.
a triste realidade:
a pessoa acorda bastante estremunhada, abre o estore, vê que está a chover e que, pela cor do céu, vai chover o dia todo, resmunga enquanto se arranja, vai trabalhar, e quando dá por si, passou o dia quase todo ensonada, a resmungar, e a tentar não ficar completamente encharcada.
estes dias de céu cinzento e chuvisco constante dão cabo de qualquer cristão.
22/05/07
renascimento de j.
j. estava a começar a desesperar, na véspera, quando finalmente arranjou coragem para pedir a nelinha em casamento ela, depois de muito chorar, disse-lhe que não podia aceitar, que já havia dias que tentava dizer-lhe que sentia que aquela relação estava estagnada e que achava que um afastamento entre os dois era a única solução.
nessa manhã o despertador não tinha tocado. teria ficado mal programado? teria faltado a luz durante a noite? não fazia diferença, o que interessava é que ele só tinha acordado mais de uma hora depois do que era necessário e, ao chegar ao carro, descobriu que estava com um pneu em baixo. como tinha uma reunião importantíssima e já ia atrasado, correu para apanhar um táxi, tropeçou, caiu e fez um rasgão nas calças do seu fato boss. mesmo assim, o taxista foi simpático, esperou por ele e já iam a caminho do escritório, quando veio um carro de instrução contra o táxi. com o impacto, bateu com a cabeça contra o assento da frente… definitivamente, este não era um dia de sorte.
quando, finalmente, chegou ao escritório, a reunião já tinha acabado, o chefe estava furioso, “que raio é que lhe aconteceu, j., mais à porcaria do seu telemóvel da empresa, que é suposto andar sempre consigo?!”, nessa altura é que reparou que tinha saído de casa com tanta pressa que se tinha esquecido do telemóvel ao lado da televisão, estava mesmo a vê-lo... e o chefe continuava, “e aparece nessa triste figura! deve ter uma história de desgraçadinho para contar! quer saber de mais? não quero saber!!!! acabamos de perder a conta do almeida! os sabonetes que nos iam salvar as contas deste ano foram à vida, porque você não estava cá para apresentar a nossa proposta e o seu estagiário é uma lástima! assim, há que começar a cortar custos: você está despedido!”.
j. nunca tinha esperado por nada disto, não teve sequer oportunidade para se tentar defender. a bem da verdade, sentia que não tinha forças para conseguir ripostar fosse o que fosse.
sentiu o olhar de escárnio e satisfação da secretária. desde que ele tinha resistido aos seus avanços ela revelara-se constantemente antipática e tinha chegado a esconder-lhe recados e informações importantes, portanto, não esperava grande apoio da sua parte. passou para o seu gabinete, com a intenção de pegar nas suas coisas e nunca mais lá pôr os pés, ainda teve de correr com o estagiário que já lhe tinha ocupado a secretária… caramba, era demais!
sentou-se extenuado, o estupor do estagiário estava a ver-lhe a caixa de correio… ia começar a insultá-lo, quando chegou um mail novo, do secretariado da universidade paris 8, tinha sido admitido no mestrado de artes e tecnologia de imagem, era uma mudança do seu trabalho em publicidade, bem sabia, mas se quando se tinha candidatado não tinha grandes esperanças de conseguir ser aceite, agora começava a parecer-lhe a melhor ideia que alguma vez tinha tido.
releu o mail e tomou, com extraordinária calma, uma decisão importantíssima, pegou no copo dos lápis e depois pensou que não queria levar nada daquela vida passada, ainda olhou para a fotografia em que estava com a nelinha, mas achou que também já não precisava dela, levantou-se e dirigiu-se para a porta. foi, de novo, interceptado pelo chefe, que já estava mais calmo mas, desta vez, foi j. quem não lhe deu oportunidade para falar, “pois é chefe, trabalhar aqui foi muito bom, agora vou para paris, adeus”.
nessa manhã o despertador não tinha tocado. teria ficado mal programado? teria faltado a luz durante a noite? não fazia diferença, o que interessava é que ele só tinha acordado mais de uma hora depois do que era necessário e, ao chegar ao carro, descobriu que estava com um pneu em baixo. como tinha uma reunião importantíssima e já ia atrasado, correu para apanhar um táxi, tropeçou, caiu e fez um rasgão nas calças do seu fato boss. mesmo assim, o taxista foi simpático, esperou por ele e já iam a caminho do escritório, quando veio um carro de instrução contra o táxi. com o impacto, bateu com a cabeça contra o assento da frente… definitivamente, este não era um dia de sorte.
quando, finalmente, chegou ao escritório, a reunião já tinha acabado, o chefe estava furioso, “que raio é que lhe aconteceu, j., mais à porcaria do seu telemóvel da empresa, que é suposto andar sempre consigo?!”, nessa altura é que reparou que tinha saído de casa com tanta pressa que se tinha esquecido do telemóvel ao lado da televisão, estava mesmo a vê-lo... e o chefe continuava, “e aparece nessa triste figura! deve ter uma história de desgraçadinho para contar! quer saber de mais? não quero saber!!!! acabamos de perder a conta do almeida! os sabonetes que nos iam salvar as contas deste ano foram à vida, porque você não estava cá para apresentar a nossa proposta e o seu estagiário é uma lástima! assim, há que começar a cortar custos: você está despedido!”.
j. nunca tinha esperado por nada disto, não teve sequer oportunidade para se tentar defender. a bem da verdade, sentia que não tinha forças para conseguir ripostar fosse o que fosse.
sentiu o olhar de escárnio e satisfação da secretária. desde que ele tinha resistido aos seus avanços ela revelara-se constantemente antipática e tinha chegado a esconder-lhe recados e informações importantes, portanto, não esperava grande apoio da sua parte. passou para o seu gabinete, com a intenção de pegar nas suas coisas e nunca mais lá pôr os pés, ainda teve de correr com o estagiário que já lhe tinha ocupado a secretária… caramba, era demais!
sentou-se extenuado, o estupor do estagiário estava a ver-lhe a caixa de correio… ia começar a insultá-lo, quando chegou um mail novo, do secretariado da universidade paris 8, tinha sido admitido no mestrado de artes e tecnologia de imagem, era uma mudança do seu trabalho em publicidade, bem sabia, mas se quando se tinha candidatado não tinha grandes esperanças de conseguir ser aceite, agora começava a parecer-lhe a melhor ideia que alguma vez tinha tido.
releu o mail e tomou, com extraordinária calma, uma decisão importantíssima, pegou no copo dos lápis e depois pensou que não queria levar nada daquela vida passada, ainda olhou para a fotografia em que estava com a nelinha, mas achou que também já não precisava dela, levantou-se e dirigiu-se para a porta. foi, de novo, interceptado pelo chefe, que já estava mais calmo mas, desta vez, foi j. quem não lhe deu oportunidade para falar, “pois é chefe, trabalhar aqui foi muito bom, agora vou para paris, adeus”.
21/05/07
consultório sentimental da rita (também mandamos bitaites em matérias relacionadas com gestão de ira)
ora, diz que Actor dos "Morangos" agredido em discoteca leva 60 pontos na cara ...
pois bem, como dizer isto?
pese embora o facto de a novelazita ser verdadeiramente má, com um enredo péssimo e interpretações juvenis inenarráveis, que só valem, eventualmente, pelo palminho de cara e roupinha da moda (sim, já me dei ao trabalho de ver 5 minutos dos morangos, por 3 vezes distintas, portanto, vi mesmo com os dois olhinhos míopes com que fui brindada e a respectiva caixinha d'óculos para não me falhar detalhe algum), existe sempre uma boa solução: trocar de canal.
ou então, mais radical ainda: desligar a televisão e ir fazer algo de construtivo com a vida!
até porque, se a agressão foi contra o miúdo por entrar no elenco da novelazita, esta agressão vai ter o efeito de pôr todos a falarem ainda mais na dita, e a ver como esta matéria vai ser incluída na estória. se foi gratuita, é mais um nojo desta sociedade, que vai, à mesma, ser dissecado em 14 episódios.
de qualquer das maneiras, não vejo grandes vantagens em atacar uma pessoa com garrafas, seja lá porque motivo for. ao invés, porque não aproveitar o conteúdo da dita garrafa (com a moderação devida, especialmente se for conduzir) e, se a pessoa quiser mesmo muito descarregar contra um elemento exterior, sempre pode aproveitar as estátuas que existem nos jardins e os muitos candeeiros na rua, que não ripostam.
se se sentem muito zangados com a vida e querem cometer crimes, proponho que cometam crimes de dano, ao invés de crimes contra a integridade física.
ora, diz que Actor dos "Morangos" agredido em discoteca leva 60 pontos na cara ...
pois bem, como dizer isto?
pese embora o facto de a novelazita ser verdadeiramente má, com um enredo péssimo e interpretações juvenis inenarráveis, que só valem, eventualmente, pelo palminho de cara e roupinha da moda (sim, já me dei ao trabalho de ver 5 minutos dos morangos, por 3 vezes distintas, portanto, vi mesmo com os dois olhinhos míopes com que fui brindada e a respectiva caixinha d'óculos para não me falhar detalhe algum), existe sempre uma boa solução: trocar de canal.
ou então, mais radical ainda: desligar a televisão e ir fazer algo de construtivo com a vida!
até porque, se a agressão foi contra o miúdo por entrar no elenco da novelazita, esta agressão vai ter o efeito de pôr todos a falarem ainda mais na dita, e a ver como esta matéria vai ser incluída na estória. se foi gratuita, é mais um nojo desta sociedade, que vai, à mesma, ser dissecado em 14 episódios.
de qualquer das maneiras, não vejo grandes vantagens em atacar uma pessoa com garrafas, seja lá porque motivo for. ao invés, porque não aproveitar o conteúdo da dita garrafa (com a moderação devida, especialmente se for conduzir) e, se a pessoa quiser mesmo muito descarregar contra um elemento exterior, sempre pode aproveitar as estátuas que existem nos jardins e os muitos candeeiros na rua, que não ripostam.
se se sentem muito zangados com a vida e querem cometer crimes, proponho que cometam crimes de dano, ao invés de crimes contra a integridade física.
20/05/07
o youtube insiste em não cooperar com as minhas postagens de domingo... o que quer dizer que, algures durante esta semana deve aparecer, completamente à socapa e quando eu tiver distraída com outra coisa qualquer, mais um video do eurofestival da canção, desta feita puppet on a string, interpretada por sandie shaw.
sim, tem uma letra que não abona muito em favor da dignidade feminina, mas eu gosto da musiquinha festivaleira.
sim, tem uma letra que não abona muito em favor da dignidade feminina, mas eu gosto da musiquinha festivaleira.
19/05/07
Na arte teológica do século XIII, ainda não existia nenhuma descrição pormenorizada do Inferno, nem nada que se parecesse. Nem um rascunho feito nos joelhos. O que não impediu o escolástico e manga-de-alpaca São Tomás de Aquino de arengar que não se deve entender os suplícios de além-túmulo apenas em sentido figurado. São Tomás, como todos os beatos, podia perfeitamente passar sem o perdão, mas jamais sem o castigo. Uma fogueirazita aqui, um garrote ali, um desmembramento acolá - ui, sabem sempre bem! «Vai doer mais em mim do que em vós». Nós, os demónios, ao menos damos os nomes aos bois e pomos as cartas na mesa: «Vai doer única e exclusivamente em vós - e como o caraças».
Paulo Nogueira, O último dia do mundo
Paulo Nogueira, O último dia do mundo
18/05/07
(breve nota introdutória: a minha mãe tinha-me avisado que deu o meu nº de telemóvel a uma operadora da cabo tv açoreana que, aparentemente, acha que vou ficar muito melhor servida com uma ligação à netcabo, em vez da que tenho actualmente)
- boa noite, fala ... da cabo tv açoreana, estou a falar com a rita?
- sim...
- olhe, a sua mãe deu-nos o seu contacto porque...
- ah! sim, já sei. mas olhe, está a ligar a muito má hora, é que estou indo para um arraial.
- pois, já percebi que estão a acontecer aí umas festas muito grandes.
- exacto.
- bem, então posso ligar-lhe amanhã para falarmos?
- lamento, mas amanhã tenho uma palestra à noite. sabe, é que o povo quando não está no arraial, está a trabalhar.
- então e se lhe ligar no domingo?
- domingo é o dia do senhor!
- desculpe?
- domingo é o dia do senhor...
[se fosse eu do outro lado da linha tinha desatado a gargalhar nesta altura ou, pelo menos, tinha perguntado que religião a pessoa professa, mas a senhora aguentou-se estoicamente, tenho de lhe dar o crédito]
- é o dia do senhor mas eu trabalho... que tal se lhe ligar por volta das 17 horas?
- hummm... não pode, é o dia do senhor e eu tenho compromissos.
- então como é que vai ser? eu só tenho uma pergunta para lhe fazer...
[aqui já havia alguma falta de paciência]
- pois, pode ser só uma pergunta, mas eu vou ter de pensar na resposta, não é?
- realmente.
- pois, só se me ligar para a próxima semana.
[resolvi ser simpática, ela já me parecia um bocado triste]
- terá de ser... posso ligar-lhe a partir das 17 horas?
- hummm... é melhor ser a partir das 20 horas... dos açores, 21 do continente. sabe, é que quando não é dia do senhor, é dia de ir ao ginásio.
[suspiro de desespero do outro lado]
- então já registei a sua disponibilidade. muito obrigada e boas festas.
- ora essa! obrigada e muito boa noite para si também!
- boa noite, fala ... da cabo tv açoreana, estou a falar com a rita?
- sim...
- olhe, a sua mãe deu-nos o seu contacto porque...
- ah! sim, já sei. mas olhe, está a ligar a muito má hora, é que estou indo para um arraial.
- pois, já percebi que estão a acontecer aí umas festas muito grandes.
- exacto.
- bem, então posso ligar-lhe amanhã para falarmos?
- lamento, mas amanhã tenho uma palestra à noite. sabe, é que o povo quando não está no arraial, está a trabalhar.
- então e se lhe ligar no domingo?
- domingo é o dia do senhor!
- desculpe?
- domingo é o dia do senhor...
[se fosse eu do outro lado da linha tinha desatado a gargalhar nesta altura ou, pelo menos, tinha perguntado que religião a pessoa professa, mas a senhora aguentou-se estoicamente, tenho de lhe dar o crédito]
- é o dia do senhor mas eu trabalho... que tal se lhe ligar por volta das 17 horas?
- hummm... não pode, é o dia do senhor e eu tenho compromissos.
- então como é que vai ser? eu só tenho uma pergunta para lhe fazer...
[aqui já havia alguma falta de paciência]
- pois, pode ser só uma pergunta, mas eu vou ter de pensar na resposta, não é?
- realmente.
- pois, só se me ligar para a próxima semana.
[resolvi ser simpática, ela já me parecia um bocado triste]
- terá de ser... posso ligar-lhe a partir das 17 horas?
- hummm... é melhor ser a partir das 20 horas... dos açores, 21 do continente. sabe, é que quando não é dia do senhor, é dia de ir ao ginásio.
[suspiro de desespero do outro lado]
- então já registei a sua disponibilidade. muito obrigada e boas festas.
- ora essa! obrigada e muito boa noite para si também!
17/05/07
(actualização pela madrugada adentro)
e assim, se faz uma acusação... e 'tá a andar de mota (sic)
rita, tapa os ouvidos que isto é conversa de homem (sic)
vá… um relatório em que ele tenha confessado, vá! (sic)
agora tenho de passar isso tudo pró feminino… é que os meus relatórios são todos transexuais (sic)
ora, agora vamos ao gilberte (sic)
- eu acho que já tenho um montinho jeitoso de coisas que já fiz hoje… vê lá rita…
- (levantei-me na cadeira para ver, porque sou boa amiga) tens um montinho jeitoso, tens…
‘bota aí que eu sou maricas, mas filiado no pp… puta que o pariu! (sic)
tu [eu], prá próxima vez, ficas em casa! (sic)
depois da desgraça que foi o festival da canção, a pessoa só pode ir buscar velhas glórias do passado (sic)
pagam taxa de justiça e tudo… mas que gente tão boa… mas ‘tá em inquérito ainda… que desgraça! (sic)
- ele ‘tá ali à conversa com a pobre da miúda, em vez de descobrir o artigo sobre a leitura de sentença para a acta em processo sumário!...
- deixa o rapaz, o rapaz ‘tá apaixonado…
- pschiu!... [diz o rapaz apaixonado do seu canto, levantando, finalmente, o nariz da janela do messenger]
- já ‘tá publicado isso, já?
- não… ‘tou a compilar.
- eh… a com…pilar!
(00h40m)
baguette! eu não sabia que tinha absolvido tanta gente! (sic)
- quando acabares esse relatório avisa, que é pra veres o quão estúpida eu sou.
- se é pra ver se és estúpida, eu interrompo já!
- deixa ‘tar, não tem pressa…
(01h07m)
então vamos ouvir um bocadinho da tosca… os agudos em pianos… o desespero é isso… depois eu fico deprimido, é normal! vê o que vai sair dali: parece que vai sair dali uma primavera qualquer, há uma réstia de esperança… há restos de sinceridade, as mesmas notas de anteriormente agora são notas de esperança… vê a interpretação! é a callas!!! já não há desespero, já não há esperança, conformou-se… se calhar ainda há esperança… ou será desespero?... afinal é desespero. ou melhor… desesperança… ai… ai… ai…
(01h28m)
e agora ‘tou todo arrepiado… c’mé qu’ê vou trabalhar outra vez?! (sic)
(01h36m)
- qu’e que aconteceu ao outro?
- ‘tá a namorar ao telefone.
- ainda?...
(1h46m)
e assim, se faz uma acusação... e 'tá a andar de mota (sic)
rita, tapa os ouvidos que isto é conversa de homem (sic)
vá… um relatório em que ele tenha confessado, vá! (sic)
agora tenho de passar isso tudo pró feminino… é que os meus relatórios são todos transexuais (sic)
ora, agora vamos ao gilberte (sic)
- eu acho que já tenho um montinho jeitoso de coisas que já fiz hoje… vê lá rita…
- (levantei-me na cadeira para ver, porque sou boa amiga) tens um montinho jeitoso, tens…
‘bota aí que eu sou maricas, mas filiado no pp… puta que o pariu! (sic)
tu [eu], prá próxima vez, ficas em casa! (sic)
depois da desgraça que foi o festival da canção, a pessoa só pode ir buscar velhas glórias do passado (sic)
pagam taxa de justiça e tudo… mas que gente tão boa… mas ‘tá em inquérito ainda… que desgraça! (sic)
- ele ‘tá ali à conversa com a pobre da miúda, em vez de descobrir o artigo sobre a leitura de sentença para a acta em processo sumário!...
- deixa o rapaz, o rapaz ‘tá apaixonado…
- pschiu!... [diz o rapaz apaixonado do seu canto, levantando, finalmente, o nariz da janela do messenger]
- já ‘tá publicado isso, já?
- não… ‘tou a compilar.
- eh… a com…pilar!
(00h40m)
baguette! eu não sabia que tinha absolvido tanta gente! (sic)
- quando acabares esse relatório avisa, que é pra veres o quão estúpida eu sou.
- se é pra ver se és estúpida, eu interrompo já!
- deixa ‘tar, não tem pressa…
(01h07m)
então vamos ouvir um bocadinho da tosca… os agudos em pianos… o desespero é isso… depois eu fico deprimido, é normal! vê o que vai sair dali: parece que vai sair dali uma primavera qualquer, há uma réstia de esperança… há restos de sinceridade, as mesmas notas de anteriormente agora são notas de esperança… vê a interpretação! é a callas!!! já não há desespero, já não há esperança, conformou-se… se calhar ainda há esperança… ou será desespero?... afinal é desespero. ou melhor… desesperança… ai… ai… ai…
(01h28m)
e agora ‘tou todo arrepiado… c’mé qu’ê vou trabalhar outra vez?! (sic)
(01h36m)
- qu’e que aconteceu ao outro?
- ‘tá a namorar ao telefone.
- ainda?...
(1h46m)
16/05/07
três estagiários
uma sala
um coitado que, pelos vistos, deu duas bofetadas em não sei quem (sic)
três portáteis
inúmeros relatos escritos das velhas glórias do passado
algumas garrafas de água
muita concentração e esforço para não interromper o próximo (mesmo que a concentração seja a escrever estas tristes linhas, e há um barulhinho de messenger activo num outro portátil)
sono, muito sono
um amiguinho que foi absolvido, apesar de dar porrada na mulher, e de já não ser possível retirar queixa, mas ela não prestou declarações... (sic)
telefonemas de outros estagiários em outras zonas da ilha
alguém tem um código penal por aí? (sic)
discussão para saber em que ordem se vai à casa de banho (que é uma vontade que parece contagiosa)
e a noite ainda é uma criança...
uma sala
um coitado que, pelos vistos, deu duas bofetadas em não sei quem (sic)
três portáteis
inúmeros relatos escritos das velhas glórias do passado
algumas garrafas de água
muita concentração e esforço para não interromper o próximo (mesmo que a concentração seja a escrever estas tristes linhas, e há um barulhinho de messenger activo num outro portátil)
sono, muito sono
um amiguinho que foi absolvido, apesar de dar porrada na mulher, e de já não ser possível retirar queixa, mas ela não prestou declarações... (sic)
telefonemas de outros estagiários em outras zonas da ilha
alguém tem um código penal por aí? (sic)
discussão para saber em que ordem se vai à casa de banho (que é uma vontade que parece contagiosa)
e a noite ainda é uma criança...
15/05/07
25ª versão da morte de j.*
faltavam 4 horas para a inauguração do seu centro de jardinagem e estava tudo organizado: no pavilhão as plantas de interiores estavam bem ordenadas, havia uns balões de santos populares entre as árvores no espaço exterior de que ele não gostava muito, mas tinha sido ideia da mãe e não tinha conseguido contrariar, além disso, da empresa de catering tinham ligado a confirmar que iriam começar a preparar as mesas de apoio meia hora antes de os convidados começarem a chegar, que ele não precisava de se preocupar com esses detalhes.
estava muito bem disposto e confiante, já tinha uns projectos de jardins encomendados, achava que tinha feito bem em esperar uns anos entre o fim do curso de arquitectura paisagista e aceitar a oferta do pai de o ajudar a abrir um espaço destes, agora tinha certeza que o ia saber gerir e que o negócio ia ter sucesso.
resolveu que tinha tempo de sobra para ir a casa, tomar um duche demorado e preparar-se para estar no seu melhor na festa de inauguração. àquela hora, não era fácil arranjar estacionamento, e só conseguiu deixar o carro a quase um quarteirão de casa, mesmo assim, nada lhe demovia o bom humor e ia pela rua a assobiar um samba antigo, cuja letra já não se lembrava.
de repente, apercebeu-se dos gritos de uns miúdos da vizinhança que brincavam no passeio, e pensou com era saudável uma sociedade em que os miúdos ainda podem brincar à vontade na rua. não chegou a reparar que estavam a brincar ao robin dos bosques, com paus e ferros, que tinham encontrado num contentor de lixo, a fazerem de espadas, punhais e arcos e flechas improvisados, porque um dos maus, que tinha uma espada de ferro, se desequilibrou na corrida e trespassou-o, causando-lhe morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
estava muito bem disposto e confiante, já tinha uns projectos de jardins encomendados, achava que tinha feito bem em esperar uns anos entre o fim do curso de arquitectura paisagista e aceitar a oferta do pai de o ajudar a abrir um espaço destes, agora tinha certeza que o ia saber gerir e que o negócio ia ter sucesso.
resolveu que tinha tempo de sobra para ir a casa, tomar um duche demorado e preparar-se para estar no seu melhor na festa de inauguração. àquela hora, não era fácil arranjar estacionamento, e só conseguiu deixar o carro a quase um quarteirão de casa, mesmo assim, nada lhe demovia o bom humor e ia pela rua a assobiar um samba antigo, cuja letra já não se lembrava.
de repente, apercebeu-se dos gritos de uns miúdos da vizinhança que brincavam no passeio, e pensou com era saudável uma sociedade em que os miúdos ainda podem brincar à vontade na rua. não chegou a reparar que estavam a brincar ao robin dos bosques, com paus e ferros, que tinham encontrado num contentor de lixo, a fazerem de espadas, punhais e arcos e flechas improvisados, porque um dos maus, que tinha uma espada de ferro, se desequilibrou na corrida e trespassou-o, causando-lhe morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
14/05/07
13/05/07
12/05/07
Rafael estava boquiaberto, mas Jack não lhe presta atenção.
- A verdade é que o medo não vos pode ferir mais do que um sonho. Não há feras de que ter medo nesta ilha. - Observa a fila dos miúdos que murmuravam agora! - Até era bem feito que alguma coisa vos acontecesse, cambada inútil de choramingões! Mas não há qualquer animal...
Rafael interrompe-o secamente:
- Que história é essa? Quem falou aqui num animal?
- Tu, no outro dia. Disseste-me que eles sonham e choram. E agora falam - não só os miúdos, mas também os meus caçadores, às vezes -, falam de um coisa, uma coisa escura, uma fera, uma espécie de animal. Eu ouvi. Não sabíeis, pois não? Ora prestem atenção. Não há animais grandes em ilhas pequenas. Só há porcos. Só há leões e tigres em terras muito grandes, como a África e a Índia...
- E no Jardim Zoológico...
William Golding, O Deus das Moscas
- A verdade é que o medo não vos pode ferir mais do que um sonho. Não há feras de que ter medo nesta ilha. - Observa a fila dos miúdos que murmuravam agora! - Até era bem feito que alguma coisa vos acontecesse, cambada inútil de choramingões! Mas não há qualquer animal...
Rafael interrompe-o secamente:
- Que história é essa? Quem falou aqui num animal?
- Tu, no outro dia. Disseste-me que eles sonham e choram. E agora falam - não só os miúdos, mas também os meus caçadores, às vezes -, falam de um coisa, uma coisa escura, uma fera, uma espécie de animal. Eu ouvi. Não sabíeis, pois não? Ora prestem atenção. Não há animais grandes em ilhas pequenas. Só há porcos. Só há leões e tigres em terras muito grandes, como a África e a Índia...
- E no Jardim Zoológico...
William Golding, O Deus das Moscas
11/05/07
tinha um escrito todo esgalhado sobre fugas de prisões (à séria, não aquela que dá na televisão ao domingo com os rapazes todos jeitosos que não se parecem nada com os delinquentes da vida real), mas comecei a sentir o calorzinho lá fora, os passarinhos a pipilarem, o ventinho agradável que faz rosas de várias cores ondularem alegremente, como que embaladas por uma mão invisível... e imbuída desta (barata) poesia primaveril, decidi vestir estas crónicas com cores primavera/verão, que o azul estava a parecer-me muito triste.
amanhã logo vejo se reciclo as notícias sobre fugas de prisões.
amanhã logo vejo se reciclo as notícias sobre fugas de prisões.
10/05/07
09/05/07
GNR matou ex-namorada, posto isto, e porque me parece que as pessoas andam mal orientadas, vou começar uma bonita rúbrica, inspirada em outras tantas que pululam por esses meios de comunicação afora:
consultório sentimental da rita
meus amigos, nunca hei-de perceber este tipo de crime.
sim, é mesmo muito chato levar com o belo do par de patins, com o sabes-que-conheci-uma-rapariga-que-é-modelo-e-apesar-de-seres-muito-engraçada-e-simpática-tenho-de-aproveitar-esta-oportunidade, com o adeus-ò-vai-te-embora-que-agora-vou-procurar-outra-mais-parecida-com-a-minha-mãezinha, ou até com um simples ehhh-pá-já-não-‘tou-nada-p’rái-virado… acontece a todos (embora eu espere que não haja uma pessoa que tenha levado com todos estes exemplos, muito menos ao mesmo tempo).
mas, meus caros, não é preciso desatar aos tiros!
existem outras soluções (umas só para meninas, outras unisexo, e confesso que só para meninos não sei) que passo a partilhar:
- apagar o número de telemóvel da pessoa (não sem antes o marcar numa agenda, que nunca se sabe as voltas que a vida dá);
- tirar o e-mail da pessoa da lista dos destinatários frequentes;
- gastar uma fortuna em cosméticos e roupa gira (é uma reafectação do dinheiro que se poupa em chamadas – daí a importância de apagar o número do telefone, para não se cair em tentação – e em ofertas, passa a ser gasto com a pessoa que mais merece, com a vantagem de se aproveitar para renovar a aparência);
- mudar o contacto do/a ex no msn para a última categoria de todas, uma categoria do género: “sem interesse” (acho mesmo de muito mau tom bloquear a pessoa, então se houve acordo de afastamento, nem se corre o risco de ir fazer conversa da treta, e sempre se vai tendo a certeza que a pessoa continua viva, embora mantendo a saudável distância de não se falar com ele/a);
- arranjar uns 2 bons ouvintes de confiança para desabafar e falar mal do ex durante largos minutos, acabada a operação de purga, passa-se à frente e não se volta a falar no assunto, a não ser como private joke passados uns anos: “lembras-te da altura em que andei caídinha pelo qualquer-coisa e em que perdi 4 quilos? bons velhos tempo, foi na mesma altura em que saiu o 1º filme do x-men, ai o wolverine…”
- eventualmente, só mesmo se não se conseguir evitar, pensar em maneiras divertidas de a pessoa morrer (daqui aproveito para afirmar que o meu j. não é especificamente um antigo namorado, quando muito, será uma compilação de várias pessoas desagradáveis com quem sou obrigada a cruzar-me), mas nunca passar à prática porque não vale a pena desgraçar várias vidas só porque um namoro dá para o torto;
- aproveitar para passar a frequentar um ginásio ou aulas de full contact, enfim, qualquer actividade física saudável e legalmente permitida (existem várias) que permita que se gaste energia de uma maneira salutar, sem ficar a remoer em maneiras para prejudicar a outra pessoa.
são só pequenos exemplos, entre muitas outras boas ideias que não envolvem nem tratamentos hospitalares, nem pena de prisão, porque o povo é civilizado e tem de acarinhar sempre a auto-estima.
e para manual de auto-ajuda, por hoje, estamos conversados.
consultório sentimental da rita
meus amigos, nunca hei-de perceber este tipo de crime.
sim, é mesmo muito chato levar com o belo do par de patins, com o sabes-que-conheci-uma-rapariga-que-é-modelo-e-apesar-de-seres-muito-engraçada-e-simpática-tenho-de-aproveitar-esta-oportunidade, com o adeus-ò-vai-te-embora-que-agora-vou-procurar-outra-mais-parecida-com-a-minha-mãezinha, ou até com um simples ehhh-pá-já-não-‘tou-nada-p’rái-virado… acontece a todos (embora eu espere que não haja uma pessoa que tenha levado com todos estes exemplos, muito menos ao mesmo tempo).
mas, meus caros, não é preciso desatar aos tiros!
existem outras soluções (umas só para meninas, outras unisexo, e confesso que só para meninos não sei) que passo a partilhar:
- apagar o número de telemóvel da pessoa (não sem antes o marcar numa agenda, que nunca se sabe as voltas que a vida dá);
- tirar o e-mail da pessoa da lista dos destinatários frequentes;
- gastar uma fortuna em cosméticos e roupa gira (é uma reafectação do dinheiro que se poupa em chamadas – daí a importância de apagar o número do telefone, para não se cair em tentação – e em ofertas, passa a ser gasto com a pessoa que mais merece, com a vantagem de se aproveitar para renovar a aparência);
- mudar o contacto do/a ex no msn para a última categoria de todas, uma categoria do género: “sem interesse” (acho mesmo de muito mau tom bloquear a pessoa, então se houve acordo de afastamento, nem se corre o risco de ir fazer conversa da treta, e sempre se vai tendo a certeza que a pessoa continua viva, embora mantendo a saudável distância de não se falar com ele/a);
- arranjar uns 2 bons ouvintes de confiança para desabafar e falar mal do ex durante largos minutos, acabada a operação de purga, passa-se à frente e não se volta a falar no assunto, a não ser como private joke passados uns anos: “lembras-te da altura em que andei caídinha pelo qualquer-coisa e em que perdi 4 quilos? bons velhos tempo, foi na mesma altura em que saiu o 1º filme do x-men, ai o wolverine…”
- eventualmente, só mesmo se não se conseguir evitar, pensar em maneiras divertidas de a pessoa morrer (daqui aproveito para afirmar que o meu j. não é especificamente um antigo namorado, quando muito, será uma compilação de várias pessoas desagradáveis com quem sou obrigada a cruzar-me), mas nunca passar à prática porque não vale a pena desgraçar várias vidas só porque um namoro dá para o torto;
- aproveitar para passar a frequentar um ginásio ou aulas de full contact, enfim, qualquer actividade física saudável e legalmente permitida (existem várias) que permita que se gaste energia de uma maneira salutar, sem ficar a remoer em maneiras para prejudicar a outra pessoa.
são só pequenos exemplos, entre muitas outras boas ideias que não envolvem nem tratamentos hospitalares, nem pena de prisão, porque o povo é civilizado e tem de acarinhar sempre a auto-estima.
e para manual de auto-ajuda, por hoje, estamos conversados.
08/05/07
24ª versão da morte de j.*
j. era o meu melhor amigo desde que me lembro de ser gente. tínhamos nascido no mesmo ano e vivíamos em casas geminadas, estava tudo preparado para sermos inseparáveis durante toda a infância e adolescência... a planície alentejana era nossa! as aventuras de super-heróis que vivemos… os primeiros cigarros… ele conseguiu resistir sempre ao vício, até nisso era melhor que eu…
tem graça, pensando bem, só tivemos uma enorme discussão, de uma vez em que ele teve a triste ideia de se meter com a minha irmã mais nova, mas também passou rapidamente, quando ela perdeu o interesse, e o j. ainda foi quem saiu pior da história, até tive pena dele.
começamos a afastar-nos um bocado quando entramos para a universidade, ele foi para engenharia informática e de computadores, no técnico, e eu para engenharia florestal, na utad, mesmo assim, nos fins-de-semana em que íamos a casa, era como se nos tivéssemos despedido na véspera. e depois ele acabou por retomar o namoro com a minha irmã, e desta vez parecia mesmo sério… íamos ser da mesma família, caramba!
ele já tinha um bom emprego garantido, a minha irmã também já é professora, tinham a vida toda pela frente…
nem consigo acreditar como é que ele, naquele mau tempo enorme se foi por atrás mesmo do meu jipe… garanto que eu nunca tinha visto tão mau tempo… a estrada estava que parecia um pântano, até havia nevoeiro, e chovia cada vez com mais força…
acreditem no que vos digo… nem me apercebi de o ter atropelado!... não consigo perceber como é que num instante ele me estava a dar indicações para desatolar o jipe, e no instante seguinte eu o tinha atropelado e esmagado a cabeça...
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
tem graça, pensando bem, só tivemos uma enorme discussão, de uma vez em que ele teve a triste ideia de se meter com a minha irmã mais nova, mas também passou rapidamente, quando ela perdeu o interesse, e o j. ainda foi quem saiu pior da história, até tive pena dele.
começamos a afastar-nos um bocado quando entramos para a universidade, ele foi para engenharia informática e de computadores, no técnico, e eu para engenharia florestal, na utad, mesmo assim, nos fins-de-semana em que íamos a casa, era como se nos tivéssemos despedido na véspera. e depois ele acabou por retomar o namoro com a minha irmã, e desta vez parecia mesmo sério… íamos ser da mesma família, caramba!
ele já tinha um bom emprego garantido, a minha irmã também já é professora, tinham a vida toda pela frente…
nem consigo acreditar como é que ele, naquele mau tempo enorme se foi por atrás mesmo do meu jipe… garanto que eu nunca tinha visto tão mau tempo… a estrada estava que parecia um pântano, até havia nevoeiro, e chovia cada vez com mais força…
acreditem no que vos digo… nem me apercebi de o ter atropelado!... não consigo perceber como é que num instante ele me estava a dar indicações para desatolar o jipe, e no instante seguinte eu o tinha atropelado e esmagado a cabeça...
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
07/05/07
Recusou um cigarro e levou tiro numa perna
que fará quando a nova legislação contra o tabaco entrar em vigor...
que fará quando a nova legislação contra o tabaco entrar em vigor...
06/05/07
eu queria deixar aqui el monólogo de agrado (porque toda mi vida solo he pretendido hacerle la vida agradable a los demás), mas o youtube não está a cooperar... portanto, cá fica o seu brilhante final:
bueno, lo que les estaba diciendo, que cuesta mucho ser auténtica, señora, y en estas cosas no hay que ser rácana, porque una es más auténtica cuanto más se parece a lo que ha soñado de si misma.
bueno, lo que les estaba diciendo, que cuesta mucho ser auténtica, señora, y en estas cosas no hay que ser rácana, porque una es más auténtica cuanto más se parece a lo que ha soñado de si misma.
04/05/07
03/05/07
afinal, contra todos os agouros das últimas horas, Carmona não suspende mandato.
mas, para quem quer mesmo muito ir a votos, sempre têm as Eleições autárquicas intercalares - 2007, é só estarem recenseados em arcas (macedo de cavaleiros/bragança) ou em vendas novas (vendas novas/évora), as respectivas assembleias de freguesia vão a votos.
quanto ao que se passa na câmara da capital, é mais um exemplo da fardelagem que impera.
mas, para quem quer mesmo muito ir a votos, sempre têm as Eleições autárquicas intercalares - 2007, é só estarem recenseados em arcas (macedo de cavaleiros/bragança) ou em vendas novas (vendas novas/évora), as respectivas assembleias de freguesia vão a votos.
quanto ao que se passa na câmara da capital, é mais um exemplo da fardelagem que impera.
02/05/07
mais uma boa notícia: 'Cocktail' com pepitas de ouro para beber dá prémio a portuguesas.
apesar de o cocktail não ser alcoólico, tem como ingredientes pepitas de framboesas liofilizadas, folhas de menta fresca picadas, pepitas de ouro comestíveis, framboesas e sumo de limão, e um extracto de violeta que, em contacto com o limão, faz a cor mudar de roxo para azul, pelo que eu diria que não é bebida para meninos de coro.
e para aqueles que, como eu, nunca tinha reparado que existe esta área do saber, cá fica: Gastronomia Molecular, desde 1988 a desenvolver a colaboração entre cientistas e chefes de cozinha!
apesar de o cocktail não ser alcoólico, tem como ingredientes pepitas de framboesas liofilizadas, folhas de menta fresca picadas, pepitas de ouro comestíveis, framboesas e sumo de limão, e um extracto de violeta que, em contacto com o limão, faz a cor mudar de roxo para azul, pelo que eu diria que não é bebida para meninos de coro.
e para aqueles que, como eu, nunca tinha reparado que existe esta área do saber, cá fica: Gastronomia Molecular, desde 1988 a desenvolver a colaboração entre cientistas e chefes de cozinha!
01/05/07
nota:
como é bom de ver, o corpo editorial está de volta depois de duas semanas sem ligar um computador que fosse (sim, é possível viver duas semanas sem um computador, também eu estranhei).
por sorte, mantém-se o mesmo corpo, tive receio que ele voltasse à ilha com mais uns quilos, mas parece que o controle foi suficiente, e até mereceu piropo de um segurança no aeroporto da portela (aparentemente, as raparigas dos açores têm uma beleza diferente das do continente... e os seguranças do aeroporto estão desesperados por atenção feminina).
no regresso, e como é terça-feira, amanha-se, à pressa, uma morte rápida para o j., que os bons hábitos são para se manter.
como é bom de ver, o corpo editorial está de volta depois de duas semanas sem ligar um computador que fosse (sim, é possível viver duas semanas sem um computador, também eu estranhei).
por sorte, mantém-se o mesmo corpo, tive receio que ele voltasse à ilha com mais uns quilos, mas parece que o controle foi suficiente, e até mereceu piropo de um segurança no aeroporto da portela (aparentemente, as raparigas dos açores têm uma beleza diferente das do continente... e os seguranças do aeroporto estão desesperados por atenção feminina).
no regresso, e como é terça-feira, amanha-se, à pressa, uma morte rápida para o j., que os bons hábitos são para se manter.
23ª versão da morte de j.*
j. estava estourado, mas satisfeito como há muito tempo não acontecia. depois de umas semanas de trabalho intensivo, em que nem tinha conseguido sair com os amigos, ir ao cinema com a zézinha, ou sequer folhear uma revista de carros que fosse, no dia do trabalhador conseguiu acabar os relatórios dos três anos de trabalho como consultor com que já contava, e estava convencido que ia conseguir a promoção que lhe tinha sido negada no ano anterior.
a ensombrar-lhe o dia, estava a descoberta de que o carro tinha sido rebocado por ter ficado estacionado em frente a uma boca de incêndio (quem diria que a polícia havia de estar tão atenta? ele, de certeza, estava bastante distraído quando lá tinha deixado o carro), mas, mesmo assim, decidiu que havia coisas piores na vida, e achou que era boa ideia usar o metro para ir ter com a zézinha (que havia de o levar ao parque para levantar o carro), tinha receio de ficar preso no trânsito com manifestações do dia do trabalhador.
na plataforma, aproximou-se do traço amarelo quando sentiu que se aproximava o metro, de repente, gerou-se uma confusão enorme, e logo percebeu que eram pessoas que regressavam da manifestação. distraiu-se com as bandeiras e animação gerais, deu um passo em falso, e caiu na linha mesmo quando o comboio ia a abrandar, mas sem tempo para o motorista evitar a tragédia.
os manifestantes perderam alguma da boa disposição quando perceberam que a linha ia ter de fechar um bocado para limpeza, e acabaram por ir apanhar autocarros da carris.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
a ensombrar-lhe o dia, estava a descoberta de que o carro tinha sido rebocado por ter ficado estacionado em frente a uma boca de incêndio (quem diria que a polícia havia de estar tão atenta? ele, de certeza, estava bastante distraído quando lá tinha deixado o carro), mas, mesmo assim, decidiu que havia coisas piores na vida, e achou que era boa ideia usar o metro para ir ter com a zézinha (que havia de o levar ao parque para levantar o carro), tinha receio de ficar preso no trânsito com manifestações do dia do trabalhador.
na plataforma, aproximou-se do traço amarelo quando sentiu que se aproximava o metro, de repente, gerou-se uma confusão enorme, e logo percebeu que eram pessoas que regressavam da manifestação. distraiu-se com as bandeiras e animação gerais, deu um passo em falso, e caiu na linha mesmo quando o comboio ia a abrandar, mas sem tempo para o motorista evitar a tragédia.
os manifestantes perderam alguma da boa disposição quando perceberam que a linha ia ter de fechar um bocado para limpeza, e acabaram por ir apanhar autocarros da carris.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
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