o corpo editorial* destas crónicas gostava de ir passar as próximas duas semanas num qualquer paraíso tropical...
ou então, de ir passar as próximas duas semanas a lisboa, para ver as modas de verão nas lojas e ir passear para o chiado...
ou até, de ficar, pacatamente, em casa, a pôr a leitura em dia (contra as minhas decisões de ano novo já comprei imensos livros que ainda não consegui ler), com alguns intervalos para ginásio e conversa com amigos...
ao invés, o parvo do corpo editorial meteu-se numa alhada que lhe vai exigir muito trabalhinho e concentração nas próximas duas semanas, pelo que, vai continuar a ter de recorrer ao auto-bronzeador (para disfarçar as pernas mais-que-brancas) e não vai poder escrever aqui os seus devaneios diários.
dentro de duas semanas, mais dia menos dia, espera-se que a normalidade seja reposta.
* chamar-me "corpo editorial" é mais um sintoma de uma qualquer estranheza mental que me ataca. espero que também acalme nestas duas semanas.
o mundo é redondo e nunca acaba. 80 dias não são suficientes para o contornar, em menos de um fósforo já nos deu ele a volta.
12/04/07
11/04/07
a pessoa lê uma notícia como esta, Liz Hurley acusada de desrespeitar casamento hindu e:
1º- dá graças a deus por morar num estado laico;
2º- faz uma busca para ver se encontra uma versão fidedigna do código penal indiano, e encontra a secção 295-A (Deliberate and malicious acts, intended to outrage religious feelings or any class by insulting its religion or religious beliefs), portanto, basta a pessoa, com intenção deliberada e maliciosa de ofender as crenças religiosas de qualquer classe dos cidadãos da índia, através de palavras, quer faladas quer escritas, ou por sinais ou por representações visíveis ou semelhantes, insulte ou tente insultar a religião ou crenças religiosas dessa classe, será punida com encarceramento (of either description - não sou capaz de traduzir) que pode estender-se até 3 anos, ou multa, ou com ambos (a tradução foi rápida e, provavelmente, pouco rigorosa, é melhor confirmarem no original);
3º- volta a dar graças a deus, desta vez pela produção legislativa portuguesa, a maioria da qual, apesar de tudo, consegue ser menos confusa que este exemplo, e mais específica na descrição do crime;
4º- pensa que, se tiver mesmo de casar no estrangeiro, será em las vegas, numa daquelas capelas em que o celebrante está vestido de elvis, e onde, à partida, a pessoa pode apanhar uma piela à vontade e dar beijinhos ao legítimo.
e lamento não ter tempo para uma análise mais pormenorizada da lei penal indiana, mas a portuguesa já me dá que fazer...
1º- dá graças a deus por morar num estado laico;
2º- faz uma busca para ver se encontra uma versão fidedigna do código penal indiano, e encontra a secção 295-A (Deliberate and malicious acts, intended to outrage religious feelings or any class by insulting its religion or religious beliefs), portanto, basta a pessoa, com intenção deliberada e maliciosa de ofender as crenças religiosas de qualquer classe dos cidadãos da índia, através de palavras, quer faladas quer escritas, ou por sinais ou por representações visíveis ou semelhantes, insulte ou tente insultar a religião ou crenças religiosas dessa classe, será punida com encarceramento (of either description - não sou capaz de traduzir) que pode estender-se até 3 anos, ou multa, ou com ambos (a tradução foi rápida e, provavelmente, pouco rigorosa, é melhor confirmarem no original);
3º- volta a dar graças a deus, desta vez pela produção legislativa portuguesa, a maioria da qual, apesar de tudo, consegue ser menos confusa que este exemplo, e mais específica na descrição do crime;
4º- pensa que, se tiver mesmo de casar no estrangeiro, será em las vegas, numa daquelas capelas em que o celebrante está vestido de elvis, e onde, à partida, a pessoa pode apanhar uma piela à vontade e dar beijinhos ao legítimo.
e lamento não ter tempo para uma análise mais pormenorizada da lei penal indiana, mas a portuguesa já me dá que fazer...
10/04/07
22ª versão da morte de j.*
j. nunca tinha percebido as previsões do tempo, tinha ouvido na véspera que ia chover e, afinal, estava um sol brilhante e o céu azul, portanto, resolveu que podia chegar meia hora atrasado ao escritório (tinha de ter alguma vantagem em ser o patrão) e aproveitar para um bocado de jogging matinal.
enquanto estava à espera do elevador, conheceu a nova vizinha que se tinha mudado para o outro apartamento do seu andar, era bem interessante, e pareceu reparar nas suas pernas, enquanto perguntava se ele fazia exercício com muita frequência. se calhar, um convite para jantar era uma ideia simpática para lhe dar as boas vindas ao prédio… tinha de pensar numa ementa adequada.
já estava de regresso a casa quando sentiu um cão a ladrar atrás de si, virou-se e viu um cocker spaniel a correr furiosamente na sua direcção. j. nunca tinha tido uma boa relação com cães e uma dentada de um cão pequeno com dentes afiados era uma perspectiva desagradável, portanto, entrou no talho, a primeira loja que viu aberta, com a ideia de fechar a porta e ver se o cão deixava de o perseguir.
nesse momento, o sr. aníbal estava, na entrada, a afiar um cutelo e a explicar à d. almerinda modos de cozinhar carne de avestruz. não teve maneira de evitar que j. fosse trespassado pelo afiador.
a d. almerinda ofereceu-se prontamente para explicar todo o acidente à polícia, e aos tribunais, e a quem mais fosse preciso, e o desconto de 10% a que tinha geralmente direito, por ser cliente antiga e a viúva mais cobiçada do quarteirão, passou a ser um desconto de 20%.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
enquanto estava à espera do elevador, conheceu a nova vizinha que se tinha mudado para o outro apartamento do seu andar, era bem interessante, e pareceu reparar nas suas pernas, enquanto perguntava se ele fazia exercício com muita frequência. se calhar, um convite para jantar era uma ideia simpática para lhe dar as boas vindas ao prédio… tinha de pensar numa ementa adequada.
já estava de regresso a casa quando sentiu um cão a ladrar atrás de si, virou-se e viu um cocker spaniel a correr furiosamente na sua direcção. j. nunca tinha tido uma boa relação com cães e uma dentada de um cão pequeno com dentes afiados era uma perspectiva desagradável, portanto, entrou no talho, a primeira loja que viu aberta, com a ideia de fechar a porta e ver se o cão deixava de o perseguir.
nesse momento, o sr. aníbal estava, na entrada, a afiar um cutelo e a explicar à d. almerinda modos de cozinhar carne de avestruz. não teve maneira de evitar que j. fosse trespassado pelo afiador.
a d. almerinda ofereceu-se prontamente para explicar todo o acidente à polícia, e aos tribunais, e a quem mais fosse preciso, e o desconto de 10% a que tinha geralmente direito, por ser cliente antiga e a viúva mais cobiçada do quarteirão, passou a ser um desconto de 20%.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
09/04/07
hoje cruzei-me com uma frase em que o signatário lamentava "não lobrigar qual o intuito" de se terem proferido umas certas afirmações.
ora cá está, "lobrigar":
do lat. lucubrare
v. tr.,
enxergar;
ver a custo;
ver ao longe;
avistar;
divisar.
(de acordo com o priberam)
e que, no meu raciocínio infantil também tem o significado de "quem combate as "lobrigas" que tem na barriga".
há palavras que não são usadas o suficiente, é o que é...
ora cá está, "lobrigar":
do lat. lucubrare
v. tr.,
enxergar;
ver a custo;
ver ao longe;
avistar;
divisar.
(de acordo com o priberam)
e que, no meu raciocínio infantil também tem o significado de "quem combate as "lobrigas" que tem na barriga".
há palavras que não são usadas o suficiente, é o que é...
08/04/07
06/04/07
em Sexta-Feira Santa, acordei a ouvir na rádio explicações sobre várias peças musicais sobre a paixão de cristo, achei adequado.
quando liguei a televisão e fiz o primeiro zapping do dia deparei-me com a sinistra tertúlia cor de rosa, no temido programa Fátima, a discutirem sobre a novidade de Katie Holmes abandona Tom Cruise.
aquela gente não devia folgar aos dias santos, pelo menos? não há quem lhes defenda os mais básicos direitos laborais?
claro que o meu direito de trocar de canal foi, rapidamente, exercido.
quando liguei a televisão e fiz o primeiro zapping do dia deparei-me com a sinistra tertúlia cor de rosa, no temido programa Fátima, a discutirem sobre a novidade de Katie Holmes abandona Tom Cruise.
aquela gente não devia folgar aos dias santos, pelo menos? não há quem lhes defenda os mais básicos direitos laborais?
claro que o meu direito de trocar de canal foi, rapidamente, exercido.
05/04/07
04/04/07
mesmo ao pé de minha casa existem 3 cafés e, das minhas experiências recentes de pequeno-almoço, tenho a relatar que num deles passa o programa da manhã do manuel luís goucha (de seu nome Você na TV!), e uma meia de leite e uma sandes de queijo custam 1,50 € (despachadas muito à pressa, que a coleguinha do senhor grita muito), no outro, a televisão está sintonizada na PRAÇA DA ALEGRIA, e a mesma ementa requintada custa 1,55 € (comida com um bocadinho mais de calma, porque tive sorte e calhou num altura em que a banda estava a tocar uma música comprida).
só me falta experimentar o terceiro café, mas tenho cá um palpite que devem ser adeptos da Fátima (por falar em coisas, sou só eu quem acha que a senhora tem uns tiques "à Oprah Winfrey"?) e da tertúlia cor de rosa, portanto, ando a adiar.
só me falta experimentar o terceiro café, mas tenho cá um palpite que devem ser adeptos da Fátima (por falar em coisas, sou só eu quem acha que a senhora tem uns tiques "à Oprah Winfrey"?) e da tertúlia cor de rosa, portanto, ando a adiar.
03/04/07
21ª versão da morte de j.*
j. serviu-se do seu whisky preferido, carregou no play da aparelhagem, sem saber sequer que cd lá estava e deu por si a ouvir uns sons diferentes, provavelmente comunicação de baleias. soou-lhe estranhamente agradável, por isso, não trocou, e sentou-se no cadeirão a folhear a Automotor, com o firme propósito de perceber qual o carro que melhor combinava com a presidência de um instituto público. a vida, definitivamente, corria-lhe bem, não fora pelo atraso da isaurinha, que tinha ido visitar a mãe a sesimbra e tardava em voltar.
acabou por passar por umas brasas e, de repente, foi acordado pelo telemóvel, a isaurinha estava aflita, tinham-lhe batido no carro, estava à espera do reboque, e pediu-lhe para ir ter com ela.
j. resmungou um bocadinho, que estava frio na rua e tinha estado a chover, mas saiu de casa em direcção ao seu carro. pelo caminho, torceu o pé esquerdo numa falha do passeio, não chegou a cair, mas sentiu uma dor enorme, quase que desmaiava.
ainda estava a tentar equilibrar-se e a decidir se chamava um táxi para ir ter com a isaurinha ou se ia directamente para o hospital (o tornozelo latejava cada vez mais e conduzir estava fora de questão), quando uma criança a correr com um pastor alemão pela trela se desequilibrou e lhe deu um encontrão, que o derrubou em direcção à rua. desta vez desmaiou mesmo e a mãe da criança chamou prontamente uma ambulância. no hospital, enquanto esperava numa maca para ser atendido, tinha ao seu lado um preso, acompanhado por um guarda prisional, cuja doença j. não conseguia perceber, mas que não o impedia de gritar insultos a todos os presentes no serviço de urgências, bem como às respectivas famílias. quando j. conseguiu um momento de calma para pegar no telemóvel e avisar isaurinha do acidente, o preso numa desatenção do guarda, agarrou uma garrafa, partiu-a e tentou atacar o guarda que, no último instante, se desviou, não tendo j. percebido o perigo que corria até ter o pescoço rasgado pela garrafa.
os prontos cuidados médicos não conseguiram evitar a sua morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
acabou por passar por umas brasas e, de repente, foi acordado pelo telemóvel, a isaurinha estava aflita, tinham-lhe batido no carro, estava à espera do reboque, e pediu-lhe para ir ter com ela.
j. resmungou um bocadinho, que estava frio na rua e tinha estado a chover, mas saiu de casa em direcção ao seu carro. pelo caminho, torceu o pé esquerdo numa falha do passeio, não chegou a cair, mas sentiu uma dor enorme, quase que desmaiava.
ainda estava a tentar equilibrar-se e a decidir se chamava um táxi para ir ter com a isaurinha ou se ia directamente para o hospital (o tornozelo latejava cada vez mais e conduzir estava fora de questão), quando uma criança a correr com um pastor alemão pela trela se desequilibrou e lhe deu um encontrão, que o derrubou em direcção à rua. desta vez desmaiou mesmo e a mãe da criança chamou prontamente uma ambulância. no hospital, enquanto esperava numa maca para ser atendido, tinha ao seu lado um preso, acompanhado por um guarda prisional, cuja doença j. não conseguia perceber, mas que não o impedia de gritar insultos a todos os presentes no serviço de urgências, bem como às respectivas famílias. quando j. conseguiu um momento de calma para pegar no telemóvel e avisar isaurinha do acidente, o preso numa desatenção do guarda, agarrou uma garrafa, partiu-a e tentou atacar o guarda que, no último instante, se desviou, não tendo j. percebido o perigo que corria até ter o pescoço rasgado pela garrafa.
os prontos cuidados médicos não conseguiram evitar a sua morte imediata.
*eu posso ser contra a pena de morte, mas os acidentes acontecem…
01/04/07
pronto, é uma música um bocadinho a puxar para o lamechas, mas My Best Friend's Wedding, é um filminho bem disposto para o início desta semana, por isso, cá fica.
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